Blast from the Past

Blast from the Past: Breath of Fire (SNES)

Um RPG dos grandes, com muitas aventuras e que conta com cinco capítulos até hoje. Breath of Fire, lançado em 1993 para o Super Famicon e... (por Jaime Ninice em 30/12/2012, via Nintendo Blast)


Um RPG dos grandes, com muitas aventuras e que conta com cinco capítulos até hoje. Breath of Fire, lançado em 1993 para o Super Famicon e um ano após para o SNES, é um dos grandes títulos da safra de RPGs geração 16-bit. Desenvolvido pela Capcom e publicado nos EUA pela Squaresoft, a saga ficou conhecida na época como um dos melhores do gênero e completamente adorado pelos fãs. Lutas com dragões, utilização de magias, espadas, andanças por castelos, enfim... Embarque conosco nesta aventura épica e cheia de desafios!

História dos dragões


Prólogo
Breath of Fire começa contando sua história sobre um tempo distante em que foram criados os clãs Dragão para que o mundo pudesse se proteger do temível Deathvein. Porém, a mesma deusa que deu origem às pessoas e aos clãs de dragões também semeava as batalhas entre as famílias Dragões pelo seu poder, o que culminaria em uma grande guerra, pondo o mundo à risca. Então, eis que surge um guerreiro (conta a lenda) e junto de suas sete companhias aprisiona esta grande deusa do desejo (Thyr) para todo o sempre. A partir daí, o balanceamento do poder das famílias Dragão foi mantido pelos White Dragons e a paz voltou a reinar, por enquanto...

Agora a tarefa de Ryu é salvar seu reino
Após um longo tempo, Zog, o líder dos Dark Dragons, ataca as cidades com o fim de que ninguém o impeça de libertar a deusa Thyr, para que ele possa realizar seus desejos e, assim, dominar o mundo. Agora cabe ao jogador, na pele de Ryu, descendente direto da White Dragon Clan, a missão de salvar o mundo, encontrando as seis chaves que aprisionaram a grande Deusa antes de seu inimigo e por um fim a toda ameaça existente no mundo. Ao desenrolar dos eventos, a história irá se construindo, com tramas que não deram certo e projeções dos vilões frente às mudanças feitas pelos heróis.

Entre andanças pelas cidades e variadas missões


Prontos para embarcar nessa viagem?
Durante sua rota, você encontrará tudo que um bom RPG precisa ter: vendedores de itens e armaduras, casas de repouso, moradores para conversar, e claro, muitos calabouços, florestas, e um mundo enorme para ser explorado em mais de 20 cidades, todas muito bem caracterizadas, entre desertos, ambientes tropicais, regadas a ouro e até debaixo do mar.

Bleak, a cidade dos ladrões



A utilização do tempo em favor das características locais traz grande influência ao jogo. As passagens do dia, tarde e noite propiciam estratégias diferentes, como ao planejar emboscadas em uma cidade durante a noite quando os guardas estiverem dormindo, ou mesmo visitar cemitérios que revelam surpresas nesta hora. Com o passar dos eventos, as cidades também mudam seus aspectos, algumas se recuperando do caos e até com comemorações festivas.
Nina transportando o grupo

Você terá muito o que fazer em Breath of Fire em mais de trinta horas de duração. Libertar pessoas, abrir rotas, manter o funcionamento das cidades, entre outros eventos, farão parte de sua jornada. Passagens por calabouços são recorrentes e muitos se assemelham a uma série famosa no mundo dos RPGs da Fantasia ao apresentar cenários rústicos e apocalípticos. Outros jogadores poderão notar qualidades “hyruleanas” ao abrir baús e resolver enigmas para passar pelos locais.

Elenco batalhador

Os personagens de Breath of Fire, além de contarem com uma história de vida muito interessante que se entrelaçam durante o enredo do game, possuem diversas habilidades relacionadas às suas características animais, e são elementos obrigatórios para percorrer o mundo ainda não explorado do jogo (semelhanças à série Metroid são lembradas). Conheça mais sobre cada um deles:

Ryu – O protagonista da aventura e descendente do clã dos White Dragon. Ryu possui diversas habilidades como se transformar em Dragões, além de poder pescar em determinados lugares.

Nina – A curadora da equipe é também a filha do Rei de Windia. Além de conter um alto poder de magia, Nina também consegue transportar toda a equipe ao transformar-se em um grande pássaro.

Bo – O valente arqueiro do grupo. Bo, pertencente ao clã da floresta, é capaz de atravessar as mais densas porções de grama pelo mapa e, com sua flecha, realizar caças.

Karn – O personagem mais obscuro de todos. Karn mora na cidade de Bleak, a terra dos ladrões. Suas habilidades de destrancar portas e cadeados são de grande utilidade no grupo.

Gobi – Pertencente à raça dos mercadores, Gobi é um adorador de dinheiro. Com sua habilidade de se transformar em um grande peixe, pode atravessar a imensidão dos mares do jogo.

Ox – Membro da Iron Ogre Clan, com sua força é capaz de quebrar paredes e pedras que estiverem no mapa, além de conseguir alguns itens ao balançar árvores. Sua esposa, com seis meses de gestação, espera seu bebê.

Bleu – Também conhecida por ‘Deis’ a partir da terceira versão do game. Com sua idade estratosférica, esta feiticeira foi uma das responsáveis por aprisionar a grande vilã Thyr em tempos passados.

Mogu – O pequenino ser pertencente à raça das toupeiras vive em um mundo construído muitos metros abaixo do solo e é apresentado ao estar em sono profundo. Mogu possui habilidades de cavar em determinados locais, o que pode lhe render valiosos itens.

Tradição com doses de frescor


Lindos cenários tropicais em Tunlan!
Breath of Fire é um RPG com doses de tradicionalidade, porém, com um roteiro e direção dignos de um bom romance. Seu mundo, raças, personagens e culturas trazem todas as características para transformar e criar unidade cultural ao jogo.

As batalhas seguem o tradicional esquema de combates por turnos, modo automático, com visão isométrica e também posicionamento de personagens frente à batalha. Há um limite de quatro guerreiros na frente armada, esta que também pode ser implementada com a realização de fusões entre personagens.


A distribuição de atributos pelas habilidades dos personagens acontece de maneira automática a cada nível completado, evidenciando as habilidades naturais de cada participante. Diferentes lojas e mercadores possibilitam a compra de armas e armaduras para um aumento manual das habilidades de cada guerreiro, através do inventário disponível.


Maravilhoso mundo épico

Breath of Fire conta com maravilhosos aparatos técnicos e um deles é a sua linda trilha sonora. Composta por alguns membros do time de compositores da Equipe Apha Lyla da Capcom, entre eles Yausaki Fujita, Minae Fuji e Yōko Shimomura, além de Mari Yamaguchi, a música consegue captar o clima dos ricos ambientes do game de maneira única, apresentando uma medievalidade muito bem representada, com toques instrumentais jamais vistos em outras séries de RPG.
Mystic Forest Theme

São músicas carregadas de arpejos e sons orquestrais digno de filmes, com instrumentos como o cravo e o pianoforte fazendo suas vezes na construção característica da obra. O interessante é que toda a trilha sonora é bem variada e muda de acordo com o passar dos eventos – há pelo menos duas músicas para batalhas normais, além de outras mais ao caminhar pelo mapa, sem falar nos temas de cada cidade, entre outros.

Ratos pelas beiradas da caverna
Outro destaque vai para o aspecto técnico sonoro do jogo, tanto pela sua adequação quanto pelos seus detalhes. O barulho de ossos sendo pisoteados e de gotas caindo no chão são apenas alguns exemplos do que o jogador poderá encontrar nas várias partes do jogo.

Já no que tange à parte gráfica, os cenários são belos e bem construídos, com detalhes como pequenos ratos andando pelas beiradas das cavernas, luzes acesas nas janelas e portas das cidades durante a noite, ambientes aumentados nos momentos das batalhas (muitas como pontes e nas proximidades de lagos, por exemplo), etc. Os personagens são apresentados pelos traços inconfundíveis de Kenji Inafune, artista reconhecido pelo seu trabalho com a série Mega Man e Street Fighter.

Versão portátil do jogo para GBA!

‘Port’átil

Breath of Fire também recebeu uma versão para o Game Boy Advance em 2001, seguindo a linha de muitos games clássicos que foram relançados para o console. Este lançamento portátil não trouxe grandes mudanças como extras, mas introduziu uma melhora gráfica, com algumas mudanças visuais de personagens e chefes, sistemas de animação, leve modificação na dificuldade do game, além da possibilidade de trocar itens através do cabo Game Link do GBA.

Para todos que já viveram esta aventura ou mesmo para o jogador que decidir conhecer melhor Breath of Fire, encontrará um RPG consistente, tipicamente épico e que proporcionará experiências únicas ao lado de personagens cativantes e enredos profundos. Uma boa pedida para amantes do universo dos bons RPGs do Super Nintendo!

Revisão: Luigi Santana

Jaime Ninice é cravista, formado pela UFRJ, e mestre em música na mesma instituição. Sua paixão por games, eventos e revistas o levou a escrever e revisar artigos desde 2010 no @Blast. Hoje é redator das publicações impressas sobre retrogames WarpZone.me


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