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Análise: Mass Effect 3: Special Edition (Wii U)

em 31/01/2013

Se você não passou os últimos anos congelado em carbonita, provavelmente ouviu falar um bocado sobre a franquia Mass Effect . Criada em 20... (por Thomas Schulze em 31/01/2013, via Nintendo Blast)

Se você não passou os últimos anos congelado em carbonita, provavelmente ouviu falar um bocado sobre a franquia Mass Effect. Criada em 2007 no Xbox 360 e depois portada para os computadores e o PlayStation 3, a série de ficção científica da BioWare, uma das mais adoradas da geração, ficou por muito tempo longe do alcance dos nintendistas, mas finalmente deu as caras no Wii U, o mais novo console da Big N. Mas será que, mesmo lançado com um certo atraso, esse clássico moderno mantém o seu charme e relevância nessa nova plataforma?

Há muito tempo atrás, numa galáxia nada distante....

Como os dois primeiros capítulos da série não estão disponíveis no Wii U, o jogo se inicia com uma longa história em quadrinhos interativa que procura resumir os acontecimentos das aventuras anteriores, e dar ao jogador a possibilidade de tomar as mesmas decisões e escolhas morais que os donos de outras plataformas tomaram anos atrás. Por mais que esse recurso não chegue aos pés da experiência de curtir os jogos passados em sua plenitude, não deixa de ser uma boa sacada que permite aos novatos começar a conhecer um pouco mais sobre a rica e fascinante mitologia do universo de Mass Effect.

Depois de fazer suas escolhas e montar o perfil psicológico do seu comandante Shepard, a aventura começa, já de modo avassalador. Os Reapers, uma força cósmica responsável pela extinção de todas as formas de vida orgânicas no passado, está tomando a Terra de assalto. Pior, não apenas o nosso belo planetinha azul, como todos os outros parecem estar prestes a ser aniquilados por essas máquinas de guerra teoricamente indestrutíveis. Cabe a Shepard, então, a missão de rodar à galáxia em busca de aliados e de uma tecnologia capaz de combater e extinguir a ameaça Reaper.
Poucas vezes nos videogames a guerra contra
forças extraterrestres foi tão empolgante.

Ser ou não ser?

É possível escolher  até mesmo se
Shepard é um ou uma comandante.
Uma das características mais legais da franquia Mass Effect é ser possivelmente o RPG mais RPG já feito, no sentido de levar o role play, ou a interpretação de um papel, ao seu potencial máximo. Poucos são os jogos em que suas tomadas de decisão geram tamanha repercussão na trama e no desenvolvimento do seu personagem. E não pense que estou falando de decisões pequenas e simples como ajudar um Krogan a atravessar a rua, mas sim de complexos dilemas éticos. Um dos meus favoritos coloca o jogador para escolher entre exterminar toda uma raça e assim, numa jogada política, garantir mais defesas para a Terra contra a ameaça Reaper, ou deixar a raça procriar em paz e perseverar, mas arriscar assim a perda de valiosas alianças e recursos de defesa para a Terra.

As relações afetivas de Shepard
são outra marca registrada da série.
Mas nem todas as decisões de Mass Effect 3 tomam essa escala universal. As pequenas escolhas acabam sendo tão ou mais relevantes para o jogador. Por exemplo, ao longo da trama você pode permitir que Shepard se apaixone por alguém de sua nave. Vale tudo, desde membros do mesmo sexo até alienígenas de planetas exóticos! Afinal, como toda boa ficção científica que se preze, Mass Effect tem um bom argumento e defende a aceitação de todas as formas de amor e o fim do preconceito. No fim das contas, Mass Effect é uma série que mescla a ação eletrizante de Star Wars com as que as profundas questões existenciais de Star Trek.

Wii U, a fronteira final

Shepard lutando contra internautas
que odiaram o final do jogo.
Na maior parte do tempo, Mass Effect 3: Special Edition é um jogo idêntico ao Mass Effect 3 lançado no ano passado. A principal diferença, além da já mencionada história em quadrinhos interativa, é a inclusão no disco dos pacotes multiplayer Resurgence, Rebellion e Earth, que acrescentam novos mapas e classes de personagem ao multiplayer, do DLC From Ashes, que traz uma nova fase e um novo personagem à campanha single player, e do encerramento estendido lançado pela BioWare a fim de acalmar a patética manifestação de ódio dos internautas com o ótimo final original.

Jogar com o Gamepad realmente
aprimora a experiência original.
Mas o verdadeiro diferencial, como era de se esperar, reside no esquema de controles. Em poucos minutos fica evidente o quanto o Gamepad pode tornar a experiência de jogo mais ágil e agradável. Na maior parte do tempo o joystick é utilizado como um mapa. Não um mapa estático e sem vida, mas sim uma ferramenta muito útil que mostra a localização dos inimigos e os marcadores de objetivos da missão. Além disso é possível mandar os seus aliados se moverem para os pontos desejados do cenário com um simples toque na tela. Para completar, você pode designar novos poderes aos personagens sem precisar pausar o jogo. Todos esses recursos auxiliam muito na experiência de jogo e tornam a versão para Wii U o Mass Effect com melhores controles até hoje.

De outro mundo

Mass Effect 3 foi indicado ao Video Game Awards de 2012 como melhor jogo do ano, e não é para menos. Tudo nesse game é extremamente caprichado e mostra o quanto a equipe se empenhou para criar uma experiência digna de fechar a saga de Shepard com chave de ouro. O visual do game é fantástico e cada planeta possui uma identidade própria. É quase impossível caminhar pela Citadel e não ficar boquiaberto com a riqueza de detalhes dessa enorme metrópole espacial. E o que dizer da trilha sonora? Pungente e tocante na medida certa, as orquestrações alternam momentos minimalistas e épicos e fazem a alegria de qualquer fã de videogame music.


Outro grande destaque do pacote é o modo online, um show à parte que garante muitas horas de diversão depois que você terminar a campanha principal. Felizmente os servidores funcionam muito bem e durante todo meu extenso período de teste não experimentei um problema sequer. Uma bela quantidade de mapas, personagens, classes e armas diferentes garante longevidade ao jogo, de modo que é um prazer guerrear cooperativamente com seus amigos tentando acumular experiência para se destacar cada vez mais nas arenas de combate.
O trabalho de dublagem é fantástico e conta com grandes nomes como
Seth Green, que você deve conhecer do desenho Frango Robô.

Edição especial, mas nem tanto

Desta primeira leva de ports para o Wii U, Mass Effect 3 parece ser o jogo que melhor se adaptou ao hardware do console. Tecnicamente perfeito, não há engasgadas ou qualquer queda na taxa de quadros, o visual é tão bonito quanto nos sistemas concorrentes e o Gamepad foi bem utilizado e garante uma forma interessante e divertida de jogar. É uma pena, entretanto, que os DLCs pagos Omega e Leviathan, disponíveis há meses na concorrência, acabaram ficando de fora, o que torna difícil considerar essa Special Edition tão especial assim. Para piorar, fica complicado recomendar o game quando os outros sistemas receberam a Mass Effect Trilogy, uma coletânea com os três jogos da série, por um preço similar ao solitário Mass Effect 3 de Wii U.

Para. ser especial mesmo,
faltaram várias DLCs.
De todo modo, Mass Effect 3 é um dos melhores títulos da geração, e se você nunca teve a oportunidade de colocar as mãos em um jogo da série, faça um favor a você mesmo e jogue agora. Ainda que uma experiência incompleta, Mass Effect 3 consegue, sozinho e por seus próprios méritos, divertir por horas a fio e proporcionar uma experiência emocionante e inesquecível. Certamente um dos melhores jogos do Wii U, e obrigatório para qualquer nintendista.

Prós

  • História arrebatadora e visual impressionante de cair o queixo;
  • Linda trilha sonora e trabalho de dublagem exemplar;
  • Tomar decisões morais que alteram o rumo da narrativa é fascinante.

Contras

  • Dois DLCs extensos e relevantes não foram inclusos no disco nem no eShop;
  • História em quadrinhos interativa não substitui a experiência de jogar para valer;
  • Se você jogou em outra plataforma, não há incetivos suficientes para jogar de novo aqui.
Mass Effect 3 - Wii U - Nota 9.0
Revisão: Alex Sandro 

Escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.
Este texto não representa a opinião do Nintendo Blast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.