Blast from the Past

Relembre os dias de glória dos poderes mutantes com X-Men: Mutant Apocalypse (SNES)

Se você foi dono de um SNES e nunca jogou nenhum título beat ‘em up pare, levante e vá recuperar sua infância. Brincadeiras à parte, ou ... (por Rayner Lacerda em 13/04/2013, via Nintendo Blast)


Se você foi dono de um SNES e nunca jogou nenhum título beat ‘em up pare, levante e vá recuperar sua infância. Brincadeiras à parte, ou não, o fato é que esse estilo fez escola no console da Nintendo. Pensando nisso, a Capcom desenvolveu X-Men: Mutant Apocalypse, pegando carona no sucesso da série animada e das HQs. Com aquele clássico sistema de fases, o jogo logo caiu nas graças dos fãs, principalmente pela chance de controlar os mutantes na pancadaria desenfreada. Se você, assim como eu, também teve bons momentos ao lado de Wolverine e Cia. não deixe de conferir nossa matéria.

Não sei vocês, mas eu sempre fui fã de X-Men. Os tempos eram outros, a grana era curta e as revistas, muito caras, então eu não pude acompanhar os anos de ouro dos mutantes nas HQs. O meu primeiro contato com a franquia foi com X-Men: Animated Series que estreou por aqui em meados dos anos 1990. Ainda que muitos assuntos retratados no desenho fossem complexos demais para um garoto de nove anos, fiquei absolutamente fascinado pela história e pelos personagens.


Eis que, um belo dia, estava eu passeando pela locadora no fim de semana, e me deparo com aquele cartucho ali no cantinho da prateleira, como se alguém houvesse escondido na esperança de ninguém o encontrar. Reconheci logo de imediato o Wolverine (que na época já era meu personagem favorito) na companhia de outros mutantes que também não me eram estranhos. Pronto! Foi como se todos os outros cartuchos não existissem naquele momento.

Isso foi a mais ou menos 14 anos atrás, época em que passei dois finais de semana com o cartucho de X-Men: Mutant Apocalype em meu poder. Muita coisa se passou desde então. Na semana passada, me deparei com a imagem do jogo em um site e todos aqueles sentimentos vieram à tona novamente. Por isso decidi compartilhá-los com vocês.

Mutantes em perigo

Nada de histórias complexas ou grandes eventos, o enredo de X-Men: Mutant Apocalypse girava em torno de um resgate. Tudo começa quando alguns mutantes são levados para Genosha: uma ilha onde eles são aprisionados e forçados a trabalharem, tudo sob a vigilância dos temidos Sentinelas. Para resgatá-los, o professor Xavier reúne uma equipe com Wolverine, Ciclope, Gambit, Fera e Psylocke.


Aposto que muitos que também acompanhavam o desenho ficaram felizes quando viram a oportunidade de jogar com um desses personagens. Eu fiquei muito empolgado, já que três dos meus favoritos estavam entre eles. Cada um estava disponível desde o início, sendo responsável por executar alguma parte do plano que correspondia às suas habilidades.

Correndo um grande risco, Wolverine devia destruir a fábrica de Sentinelas. Ciclope era o responsável por interceptar o transporte que levaria suprimentos para a ilha. Psylocke, por chamar a atenção dos soldados, enquanto Gambit se aproveitava da distração e atacava a base principal. Por fim, em meio a todo o caos, Fera tinha que invadir a base dos computadores e descobrir a localização dos mutantes capturados.

Como vocês podem ver, o enredo era bem simples. Mas isso não impedia o jogador de ter gratas surpresas ao longo da aventura. Lembro quando terminei de derrotar o Apocalypse e já estava me preparando para o final do jogo quando, sem mais nem menos, surge Magneto! Com toda aquela pompa de intolerância, o vilão queria mandar um míssil para Genosha, destruindo todos os humanos que por lá estavam, um ato em represália contra o ataque aos mutantes. Novamente, você tinha que se virar para impedir as consequências disso.

Apesar de não ser complexa, a história cumpria a sua função de lhe inserir no universo dos X-Men. Para aqueles que acompanhavam o desenho, era um prato cheio. A atmosfera do jogo dava aquela sensação de fazer parte da aventura vista na TV, o que era muito divertido, deixando o jogador sempre no clima. Não sei ao certo se eu passava mais tempo jogando ou imaginando a história se desenvolvendo.

Poderes mutantes em todos os sabores

Uma das características mais legais do título era a sua versatilidade quanto aos personagens. Todos eles eram bem diferentes uns dos outros, seja na história pessoal ou principalmente na jogabilidade. Apesar de no início ser obrigado a jogar uma fase com cada um, o jogador era livre para escolher qualquer um dos mutantes para cumprir as demais missões, o que sempre dependia do seu gosto pessoal.

Apesar de uma fase inicial ridícula de tão fácil, Wolverine era um dos mais versáteis. Seus combos causavam um bom dano, eram executados de forma fácil e ele ainda dispunha de um recurso muito útil em alguns momentos: a habilidade de subir nas paredes usando suas garras (quem se lembra da fase da lava sabe o quanto essa habilidade era útil). Assim como na série, o baixinho tinha aquele mesmo estilo durão e de poucos amigos, sempre pronto para estraçalhar os inimigos.

Ciclope era o extremo oposto (ao menos para mim). Com uma jogabilidade travada e combos desnecessários, ele era um dos personagens mais difíceis, para não dizer inúteis, do jogo. A única vantagem de se jogar com ele era a rajada óptica, que derrotava a maioria dos inimigos com apenas um golpe. Sua fase inicial era bem difícil, principalmente no final. Ao contrário do líder forte e decidido visto na TV, o Ciclope do jogo era bem fanfarrão. Os fãs devem ter ficado decepcionados com o mutante. Eu não, já que nunca gostei dele.

Gambit, por sua vez, era uma grata surpresa. Seus golpes eram efetivos, e os combos com o bastão, destruidores. De brinde, ele ainda tinha o poder das cartas, que sempre ajudavam nos momentos em que você ficava cercado. O estilo despojado e galante do personagem no desenho, também podia ser percebido no jogo, o que o deixava entre os queridinhos.

Já o Fera, apesar do design meio estranho, também cumpria bem o seu papel. Sua fase bem estilo plataforma era muito chatinha, mas nada que atrapalhasse a diversão. Com combos simples e a habilidade de pular na cabeça dos inimigos, ele era a salvação em muitos chefes.


Por fim, tínhamos Psylocke, a única mulher do time. Sem sombra de dúvidas, ela era a melhor escolha na hora da pancadaria desenfreada. Seus combos variados eram fáceis de executar e muito efetivos, além de ser praticamente a única que podia emendar os golpes com os ataques especiais. Se você também sofria com aqueles inimigos de faca, ela era sua escolha.

Como todo bom beat ‘em up, o jogo não tinha aquele enredo característico de outros gêneros. O grande barato aqui era escolher o seu mutante preferido, avançar nas fases e partir para a briga. Como todo garoto de nove anos, eu não estava preocupado com profundidade narrativa, eu só queria matar todo mundo com o Wolverine.

Não deixem o gene X morrer

Ao menos para mim, os X-Men não possuem um jogo decente há pelo menos seis ou oito anos, alguns iriam além e diriam que o último jogo bom foi lançado para o tijolão cinza da Sony. Já que um novo título de peso parece ser algo minimamente utópico, eu me conformaria com um remake do título para o 3DS. Sonhar não custa nada.


O fato é que as grandes produtoras parecem ter perdido o interesse nos mutantes, o que é realmente uma pena, já que a série possui personagens fantásticos e um enredo que se mantém atual até os dias de hoje. Nesse nosso mundo globalizado, repleto de diferenças culturais, sociais e econômicas, um jogo dos X-Men com aquele clássico teor de “devemos respeitar as diferenças” viria bem a calhar.

No fim das contas, X-Men: Mutant Apocalypse é um dos melhores jogos que os mutantes já receberam, além de um clássico que vai ficar para sempre em nossos corações. Aquele menino de nove anos do início da matéria mudou de vida quando achou um cartucho escondido na prateleira. E você, leitor, também se lembra com carinho desse título? Divida suas histórias com a gente.

Capa: Daniel Machado
Revisão: Catarine Aurora
Rayner Lacerda é historiador, formado pela UFV. Eterno estudante e professor do mundo, se interessa por praticamente tudo, mas são os games a sua grande paixão. Tal fascínio o levou ao Blast, onde escreve atualmente. Encontre-o no Facebook

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