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Análise: Viva a era de ouro da pirataria no incrível Assassin's Creed IV: Black Flag (Wii U)

A franquia Assassin’s Creed adentrou o mundo nintendista aos trancos e barrancos. Por intermédio de um port realizado às pressas, a ver... (por Unknown em 23/11/2013, via Nintendo Blast)


A franquia Assassin’s Creed adentrou o mundo nintendista aos trancos e barrancos. Por intermédio de um port realizado às pressas, a versão de Assassin’s Creed III, lançada para o Wii U, apresentou uma série de imperfeições se comparada às lançadas para os consoles concorrentes. Um ano se passou e o console da Nintendo ainda não encontrou o seu lugar ao sol, apesar de já começar a mostrar uma evolução em relação ao início de sua vida. A Ubisoft, sempre fiel parceira da Big N, nem cogita deixar o console de lado e para provar suas boas intenções trouxe não só um port de Assassin’s Creed IV: Black Flag, mas uma das melhores versões do título!


Vida de pirata

Assassin’s Creed IV conta a história de Edward Kenway, avô de Connor, protagonista do título anterior da franquia. Ao contrário do que estamos acostumados, o jogo deixa de se passar predominantemente em cidades com belíssimas construções em favor de uma fantástica jornada pelos mares e suas ilhas inexploradas. Outra novidade é que Kenway, inicialmente, não tem grandes motivações que o levam à Ordem dos Assassinos. Na verdade, o rapaz é um pirata oportunista capaz de qualquer coisa para conseguir um bom tesouro que possa ser gasto em bebida e outras luxúrias. Tal dinâmica dá um ar de novidade à série, já que estamos acostumados a histórias dramáticas, que levam ao inevitável conflito milenar entre templários e assassinos. Só o fato de controlarmos um pirata sem escrúpulos já torna tudo mais interessante e deveras divertido.

Kenway logo após roubar a embarcação de algum coitado

E a Abstergo?

Do outro lado da moeda, temos os momentos do jogo que se passam nos dias de hoje. Com o surpreendente final do capítulo anterior da aventura e a impossibilidade de controlarmos Desmond, a Ubisoft decidiu transformar a gigante e mal intencionada Abstergo em uma empresa de entretenimento que busca divertir a população fazendo-a reviver momentos épicos da história da humanidade. Neste contexto, controlamos um novo funcionário da companhia, que deve pesquisar memórias interessantes para que elas possam ser comercializadas. É claro que nada do que aprendemos nos cinco jogos anteriores ficou para trás. Não é coincidência nenhuma estarmos pesquisando justamente as memórias de um antepassado de Desmond, e as intenções da megacorporação podem ser reveladas caso os jogadores decidam investir seu tempo explorando a sede da empresa.

A dinâmica da aventura nos dias de hoje mudou completamente
Apesar da clara mudança de foco da Ubisoft, que ocorreu graças ao desinteresse de muitos jogadores em acompanhar toda a mitologia que permeia a série, a empresa não se esqueceu dos que se importam com toda a teoria da conspiração que sempre serviu como plano de fundo da franquia e tratou de encher o título de referências incríveis sobre os jogos passados, que podem, por que não, criar novos arcos para as futuras e certas sequências que serão lançadas nos próximos anos. Na verdade, a única diferença é que desta vez, ao invés de obrigatórias, as seções podem ser jogadas apenas pelos que realmente desejarem descobrir mais sobre a Abstergo e todas as conspirações que a cercam.

O mais ágil assassino

Apesar das boas intenções da Ubisoft com todas as novidades apresentadas em Assassin’s Creed III, é inegável que a jogabilidade do título ficou devendo em muitos aspectos. Com diversos bugs e movimentos travados, os controles do jogo acabaram deixando muito a desejar. Contudo, a desenvolvedora parece finalmente ter aprendido a utilizar sua nova engine e nos entregou nada menos que a melhor experiência de Assassin’s Creed já vista. Edward se move com uma fluidez invejável e seus movimentos, mesmo os mais complexos, podem ser executados com muita facilidade, até por jogadores menos habilidosos, o que torna tudo muito mais divertido.

Nunca foi tão divertido matar templários como em Black Flag!
Por ser segmentado em pequenas ilhas e pouquíssimas cidades maiores, os colecionáveis são mais divertidos de serem coletados, já que o jogador é estimulado o tempo todo a buscar localidades novas e a descobrir os segredos que aquele novo lugar pode esconder. Com os excelentes controles de Edward, a atividade se torna ainda melhor, e este é um dos únicos jogos da franquia em que explorar o universo do jogo realmente vale a pena.

O jogo conta com diversas missões paralelas
Para melhorar ainda mais a experiência, o GamePad apresenta um mapa extremamente detalhado que ajuda demais durante as passagens de exploração. Para se jogar o título da forma mais agradável, recomendo a combinação Pro Controller e GamePad, já que o controle mais tradicional é melhor para controlar Edward enquanto que o GamePad pode servir perfeitamente como um guia para a aventura.

Explorando os oceanos

Os combates navais também foram aprimorados, até porque boa parte da aventura se passa em alto mar. Mais leve e simples, o controle das grandes embarcações melhorou muito em relação a Assassin’s Creed III, jogo que debutou as interessantes passagens marítimas, mas com sérios problemas de ritmo e jogabilidade. Em Black Flag, navegar é um verdadeiro deleite. Com diversas ilhas, segredos e tesouros espalhados pelo gigantesco mapa da aventura, é impossível sentir-se entediado com a quantidade de coisas para fazer. Certos elementos que estamos acostumados a encarar apenas em terra firme foram transportados com maestria aos mares, tal como as áreas restritas e dominadas por templários, em que o jogador deve se locomover com cautela para não ser detectado e para evitar conflitos, só que dessa vez saem os soldados e entram as imponentes embarcações.

Boa parte da aventura se passa em alto mar
Em alto mar ainda é possível salvar sobreviventes de naufrágios para que eles se tornem membros de sua tripulação, caçar baleias, destruir fortalezas de inimigos e até mesmo saquear embarcações de mercadores, tudo embalado por excelentes e divertidas músicas cantadas por sua tripulação, que pode ter seu repertório enriquecido caso Edward encontre novas canções espalhadas pelo mundo do jogo.

O poder do Wii U

Black Flag é certamente o primeiro multiplataforma lançado para o Wii U que leva em consideração as capacidades do robusto hardware do console. Com gráficos superiores aos apresentados no Xbox 360 e PlayStation 3, o jogo dá um verdadeiro show de beleza no console da Nintendo. Com texturas bem definidas, efeitos de luz magníficos e com a água mais bela que já vi em um jogo de videogame, Black Flag não cansa de surpreender os jogadores com seus cenários incrivelmente detalhados e bem construídos. Se todas as desenvolvedoras criassem jogos para o Wii U desta forma, o console seria muito mais respeitado e considerado por jogadores ainda relutantes em adquiri-lo. 

Acredite, o jogo é bonito assim mesmo!
Infelizmente, não podemos dizer o mesmo sobre o trabalho realizado pela Ubisoft quanto à dublagem dos personagens. O jogo é completamente localizado em português brasileiro, mas as interpretações são péssimas e sequer combinam com a aparência e personalidade dos personagens. Certamente, é um dos piores trabalhos de dublagem já vistos em jogos de videogame. Em inglês a coisa melhora um pouco, mas não a ponto de se tornar um trabalho de qualidade.

Experiência inesquecível

Black Flag é, sem dúvida, um dos melhores títulos de toda a franquia. Com um enredo envolvente, diversas mudanças positivas e gráficos de cair o queixo, o título leva a franquia a um novo patamar, refinando cada conceito criado pela Ubisoft nos cinco jogos anteriores. Infelizmente, o péssimo trabalho de dublagem tira um pouco da imersão que o jogo pode trazer, mas ainda assim não o torna menos que excelente. Infelizmente, a versão de Wii U não contará com os DLCs que serão lançados nas plataformas concorrentes, o que pode ser extremamente decepcionante para muitos. Mesmo assim, para os que desejam uma aventura extensa, divertida e épica, Assassin’s Creed IV é título obrigatório.


Prós

  • Novas premissas dão ar de novidade à franquia;
  • Jogabilidade refinada;
  • Gráficos de cair o queixo;
  • Piratas!

Contras

  • Péssimo trabalho de dublagem, principalmente o feito em português do Brasil;
  • Versão de Wii U ficou sem os DLCs.


Assassin’s Creed IV: Black Flag – Wii U – Nota: 9.0
Revisão: Samuel Coelho
Capa: Vitor Nascimento 

Escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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