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Mesmo não sendo uma otome, tive de me aventurar em Hakuoki: Memories of the Shinsengumi (3DS)

Minha experiência com a franquia Hakuoki foi breve e divertida, ainda no PSP. Meses atrás, soube que os revoltados samurais estavam chegan... (por Unknown em 12/12/2013, via Nintendo Blast)

Minha experiência com a franquia Hakuoki foi breve e divertida, ainda no PSP. Meses atrás, soube que os revoltados samurais estavam chegando ao 3DS, e cerca de um mês depois do lançamento, consegui adquirir minha Limited Edition, mesmo que devido a Pokémon eu tenha removido o jogo da caixa apenas alguns dias atrás. O que já posso adiantar é que Hakuoki não é um jogo para qualquer pessoa. Não falo sobre ser fácil ou difícil, mas começa pelo ponto do jogo estar classificado como Mature no 3DS, o que não é tão comum. Vistam seus kimonos e venham comigo entender do que estou falando.


Amor em meio a lutas, sangue e demônios

Visual Novel é um gênero bem popular no oriente. É basicamente um livro que você tem a oportunidade de fazer algumas escolhas que regem o seu caminho pela aventura. Mas no videogame, claro. Apesar de ser um gênero já bem popular e antigo no oriente, essa realidade não se aplica ao ocidente. Nossos valores culturais e sociais são muito diferentes dos que existem do outro lado do globo, e devido a isso, temos um aspecto que pode ser uma qualidade ou problema, dependendo de quem estiver jogando. O jogo é baseado em texto, você lê a narrativa, faz sua escolha e a história avança. Algumas referências culturais estão envolvidas nisso. Então é possível que os menos familiarizados com a cultura oriental não entendam. Quem assiste animes e já teve alguma experiência com o entretenimento nipônico, pode ter mais facilidade e até rir de algumas piadas que passam despercebidas por outros.

Apesar da história de Hakuoki: Memories of the Shinsengumi se passar nos últimos dias dos samurais, vocês não podem levar isso como uma referência histórica. Há um pouco de fantasia envolvida, como vampiros, demônios, e semelhantes. O jogo chega a ter alguns combates, mas se você está procurando um Hack 'n Slash, é melhor tentar o jogo anterior, lançado no começo do ano, Warriors of the Shinsengumi. Aliás, você não precisa ter jogado os jogos anteriores para entender a história desse, não ficará perdido, caro leitor. E devo dizer: se você conseguiu ler até aqui sobre um jogo que ainda não conhece, você já tem um excelente potencial para se divertir um pouco com o jogo.

Falando dos jogos anteriores, recordo-me do modo Memorial, cujo você poderia seguir a história principal, Chronicles para uma história que poderia ter várias conclusões, e Skirmish, que eleva o nível dos personagens. Um personagem que eu gostava bastante era Toshizo Hijikata por seu jeito "badass". Em dado momento do jogo, os heróis estão encurralados por um oponente sagaz e bom estrategista. Um deles fala algo como "nosso inimigo é realmente ousado, fomos pegos, qual é o plano agora?" e Toshizo responde "encontrar o comandante e ver o quão ousado ele é com minha lamina em suas tripas". Sim, parece, e é, uma frase bem padrão de anime, aquelas frases de impacto, mas ei, eu gosto disso.

Shinsengumi

Temos aqui uma resistência militar (se é que podemos chamar assim), regida por alguns generais. Em geral, samurais habilidosos e reconhecidos por seus resultados em campo de batalha. Toshizo Hijikata, que falei há pouco, é conhecido como "The Demon" (O Demônio) e ele... faz jus a sua alcunha. Mas como já devem imaginar, ele tem um bom coração e isso será revelado apenas mais adiante na história. Souji Okita é capitão da primeira divisão e reconhecido por seu talento com sua arma. Ele é bem humorado, sempre fazendo piadas bobas, "mas na hora da luta, ele se torna sério e protege todos" - é, é bem esse tipo de clichê. Hajime Saito é capitão a terceira divisão. Leal, solitário e reservado, ele é bem descrito por sua própria aparência, com o cabelo no rosto. E ele é canhoto (se isso for relevante de alguma forma). Heisuke Toudou é líder da oitava divisão e é o mais jovem dos generais. Ele é amigável e... eu pensei que ele era uma garota a primeira vez que vi (homens com traços femininos são bem comuns no entretenimento nipônico, tenham cuidado). Sanosuke Harada, em minha opinião, é o personagem mais simples a princípio, pois ele não tem nenhuma qualidade que se destaque dos outros, além de ser habilidoso com sua lança e capitão da décima divisão. Há também Kazama, que é um demônio. Apesar dele ter uma história interessante com a protagonista, na adaptação animada ele é melhor explorado.

Você, protagonista, é Chizuru Yukimura. Não que você não possa mudar o nome do personagem, mas é importante estar ciente de que você é uma garota de aproximadamente 15 anos, e é com base nisso que algumas escolhas aparecem. Diante de um problema, se você for um cara barbado de 25 anos como eu, poderia pensar "eu vou resolver esse problema na espada", mas na pele de uma garotinha de 15 anos isso não é algo que você possa fazer. E não mesmo. Escolhas no jogo não apenas guiam sua história como também aumentam o nível de romance com os heróis ou, no pior dos casos, você morre. Calma, o game tem uma mecânica de quick save muito prática (usando L e R), mas não pode ser usada caso você já tenha feito uma escolha que te levará à morte. Então, mesmo assim, cuidado. Em todo caso, Chizuru vai para Kyoto tentar descobrir qualquer informação sobre seu desaparecido pai, Koudou Yukimura. E é aí que ela se envolve com nossos heróis, pois eles também estão procurando por Koudou. Você precisa escolher um dos seis caminhos para seguir, um dos seis heróis.

Melhor livro do seu 3DS

Você não pode entrar em Hakuoki: Memories of the Shinsengumi esperando um game. Ao menos, não aos moldes da maioria, ou até mesmo a ação de outro título da franquia. Hakuoki é um jogo, e dos melhores dentro de seu gênero, mas seu forte é a narrativa. E isso ele faz melhor que muitos RPGs. Eu, ao menos, não tive o que reclamar de minhas escolhas e suas consequências. Mas há quem é mais fã da franquia e reclame que uma ou outra escolha não tiveram o peso que deveriam ter, pois naquele universo isso ou aquilo. Se você não é uma garota, assim como eu, talvez não se preocupe tanto com esses detalhes. E quando digo sobre ser garota, não é por machismo: o jogo tem uma garota como protagonista, é focado em narrativa, e certamente desenvolverá um romance entre a protagonista e os generais. Como heterossexual, acredito que eu não tive a experiência completa que o jogo poderia passar, como deve passar para uma garota ou para um homossexual. E vejam bem: isso não tira o valor do jogo. Pois ainda assim me diverti bastante e reconheci o valor da joia que estava em minhas mãos. Se você, assim como eu, já teve experiência com outras Visual Novels, a chance de gostar desse "livro virtual" é maior ainda. Se você tem vasta experiência em Dating Simulators, deve testar esse jogo.
É difícil falar tanto sobre Hakuoki sem passar spoilers. A história é seu ponto mais forte, e essa experiência pode ser única para cada pessoa de acordo com suas escolhas. Logo, o jogo tem um fator replay absurdamente elevado, pois você precisará jogar ele pelo menos seis vezes para ter uma visão mais ampla da história e entender o ponto de vista de outros personagens, encaixando situações. Nada de puzzles complexos, nada que exija sua habilidade técnica, nada competitivo. Um jogo simples para você sentar e relaxar por algumas horas. Recomendo com vigor.

Prós


  •  A localização da AkSys foi precisa e bem feita.
  •  História bem construída
  •  Maior diferença de um jogo eletrônico para um livro, em minha opinião, é como ele passa essa emoção da narrativa. E sobre passar emoções, Hakuoki faz com maestria.

Contras


  •  É um remake do título pro PSP, mas não utiliza bem o 3D.
  •  Em alguns poucos momentos as histórias parecem meio perdidas do foco, mas logo se encontram. 
  •  Não me senti atraído pelas novas features do portátil da Nintendo, como tirar fotos e enfeitar com imagens dos personagens (pra quê?).
Hakuoki: Memories of the Shinsengumi - Nintendo 3DS - Nota: 8.0


Revisão: Leonardo Nazareth
Capa: Daniel Silva

Escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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