Crônica

Meus sete dias de aventuras com um Nintendo 64

Pouco mais de 10 anos depois de seu lançamento, finalmente pude jogar um dos consoles dos sonhos da minha infância. Será que ele ainda é divertido?



Você já se perguntou como seria jogar um Nintendo 64 em pleno 2018? Esta questão pode ser meio boba para muitos nintendistas, que possivelmente já o tiveram ou ainda possuem o console instalado em suas estantes. Mas para mim, foi uma experiência completamente nova.


Tudo começou quando convidei um amigo da produtora em que trabalho para me ajudar num projeto pessoal que estava planejando: um jogo que utilizaria as mecânicas de games de nave, em 3D. Porém, colocando o jogador para controlar um mini-submarino em um cenário subaquático.

A ideia não era muito original. Era só um mini-jogo para portfólio. Mas, para minha surpresa, o rapaz ficou super empolgado com o convite e tudo que falei sobre o projeto remetia a um de seus títulos preferidos: Star Fox 64.
O game possui níveis variados, inclusive batalhas em baixo d' água

Até aquele momento, conhecia Star Fox  apenas por revistas e sites, mas nunca havia efetivamente jogado. O próprio Nintendo 64 era um console que tive pouquíssimo contato. Minhas lembranças sobre a plataforma se resumiam a partidas de Pokémon Stadium, nos consoles que ficavam à mostra nos supermercados, e de algumas horas de Mario 64, nas locadoras. 

Sendo assim, resolvi baixar um emulador para experimentar o tal Star Fox. Na hora do almoço, conectei meu controle de PS2 adaptado no notebook, abri o emulador e... o rapaz, que era um retrogamer nintendista, começou a ter uns 10 tipos de ataques diferentes (com razão) e (num ato de extrema bondade) disse que me emprestaria seu console para que eu pudesse experimentar o jogo.

"Pô Bruno! Assopra a Fita!" 

Você não sabe a alegria que tive em segurar este cartucho! 

Alguns dias depois, com o console em mãos e algumas fitas (sim! Esse cara vai para o céu!), estava pronto para começar a me aventurar em um dos videogames dos meus sonhos de infância. Conectei o console na tomada, os cabos de vídeo em seus devidos lugares, encaixei o cartucho de Mario Kart, liguei o aparelho e... nada aconteceu.

Testei Star Fox, Super Smash Bros, Mario Tennis e nada.

Para "ajudar" o console não tem nenhum sistema operacional que ofereça um feedback. Poderia ser qualquer coisa, como um logo do N64 para dizer "Tudo certo Bruno, deve ser a fita", mas não. Só mostrava uma tela preta. 

Por um instante duvidei da minha inteligência e mandei uma foto dos cabos conectados na TV para o meu colega, para que visse se tudo estava conectado de maneira correta. A resposta foi rápida:

"Pô Bruno! Assopra a fita!" 

Eu não acreditei em mim mesmo. Como eu, que passei boa parte da infância jogando Dynavision, Super Nintendo e Game Boy, pude deixar um detalhe tão básico escapar? Desconheço qualquer explicação científica para isso, mas o sopro deu certo. 

Tenho que dizer que ouvir o "plin" da Nintendo quando liguei o console com o Mario Tennis foi um momento mágico que quis experimentar várias vezes durante esta semana.

O controle bizarro 

Mario Tennis se tornou meu jogo favorito
No primeiro dia me apeguei ao Mario Tennis. Na verdade estava receoso de tirá-lo do console e não conseguir rodar mais nada. Então, o aproveitei bastante. 

Os gráficos, mesmo em uma TV-monitor LCD, eram bonitos ao seu modo. O jogo era divertido o suficiente para tirar de minha mente qualquer debate sobre TV tubo x TV moderna. Mas uma coisa não consegui ignorar por nenhum segundo: o controle.

Acredito que até os fãs irão concordar comigo que o controle do N64 é meio bizarro. Com três apoios para as mãos, um analógico no centro (embaixo do Start), um conjunto de setas direcionais para cada lado... é como se fossem dois controles em um. E de fato é.

Nos quatro jogos que joguei, segurei o controle pelo apoio do meio e o do lado direito, nunca utilizando (ou quase nunca) a área esquerda. Os jogos se adaptaram bem ao controle, mas com certeza poderiam ser bem mais prazerosos.

Mario Kart, Mario Tennis e Smash Bros 

Sem muitos personagens, sem escolha de Karts, sem motos... mas ainda assim, viciante

Deixando de lado o problema do controle, estava fascinado com o console. Fiz uma maratona de Mario Kart 64, passando por todas as corridas e modalidades. Claro, tive de me acostumar com a ideia de que desta vez só tinha oito personagens, não havia customização de karts (nem opção de escolha) e os modelos eram todos pré-renderizados. Mas bastou passar o primeiro campeonato em 50cc para abstrair tudo isso e entrar no clima.

Apesar de ter me divertido ao extremo, meu preferido com certeza foi Mario Tennis. Já havia jogado muito a versão de Game Boy Color, e confesso que, não importa a versão, sempre sinto falta daquele clima RPG da versão portátil. Mesmo assim, me diverti muito com o exclusivo do N64.

Para finalizar a semana com o console, passei algumas horas jogando Super Smash Bros. Apesar de ter jogado muito a versão de Wii U, experimentar este game foi bastante nostálgico. Me senti como o Bruno de 11 anos, doente por Pokémon, soltando gritos de euforia com cada monstrinho que saía das Poké Balls.

... e esqueci de você, Fox! 

Slippy ficou chocado.

Sete dias se passaram e, no meio da fascinação pelo console clássico, seu controle bizarro, e versões diferentes de jogos que amo, acabei esquecendo de meu objetivo principal: jogar Star Fox 64 para conhecer suas mecânicas, o que funciona e o que poderia ser mudado... Estas coisas de desenvolvedor. 

O contato que tive com o jogo foi de mais ou menos 15 minutos. Não existem chances de marcar esta missão como concluída. Mas, como um bom rapaz que irá para o céu, o dono do console me deixou passar mais um tempo com ele. Sem despedidas tristes, por enquanto.

Retrogame no coração

Apesar da missão ter falhado por ora, jogar um Nintendo 64 foi uma experiência rica em aprendizado. Eu pulei esta geração da Nintendo, rumando do SNES para o PlayStation (o que não me arrependo). Então, mesmo tendo jogado clássicos como Ocarina of Time e Majora's Mask no 3DS, jogar este console foi uma certa novidade para mim.

Soprar fitas, utilizar o controle original, ligar o videogame na expectativa de que o jogo não irá travar, fazer aquela bagunça de cabos na sala e tentar esconder da sua namorada antes que ela tenha um treco, foram experiências marcantes que tive e que emuladores e videogames modernos dificilmente trariam. Tenho que dizer que meu colega estava certo em ter seus 10 tipos diferentes de trecos. Agora irei cumprir minha missão com Star Fox 64. Até a próxima!

Revisão: Vinícius Veloso
Bruno Bonatto escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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