Blast from the Past

Fractured Soul (3DS): É um game de plataforma hardcore e revolucionário

Revisitar Fractured Soul é entrar em um mundo de colapsos entre referências old school e novas mecânicas que alocam um simples game de plataforma em outro patamar.



Nada mais gracioso que ver os games side scrolling sempre presentes na história dos jogos eletrônicos. Um gênero extremamente popular na era dos consoles clássicos de 8 e 16 bits que ainda está presente nas novas gerações de games, mostrando que uma boa ideia, quando bem aplicada, ainda vale mais que gráficos realistas, câmeras dinâmicas e frenéticas. Muitas empresas independentes atualmemente produzem jogos de plataforma que, a princípio, parecem simples, mas unidos a novos conceitos inseridos em suas jogabilidades e enredos, eles se mostram games complexos e viciantes. Esse é o caso de Fractured Soul (3DS).

Há um só corpo, mas dois espíritos

Lançado em 2012, Fractured Soul era uma ideia originalmente concebida para o Nintendo DS, todavia, o game foi movido para o 3DS e vendido apenas pela loja digital, eShop. Seu conceito utiliza muito bem de uma peculiaridade do hardware do Nintendo 3DS: suas duas telas. Trata-se de um side scrolling onde o jogo ocorre, simultaneamente, nas duas telas do console onde o jogador deve movimentar o personagem de uma tela para outra para conseguir passar pelos obstáculos e derrotar seus inimigos. Quando o protagonista é movido de uma tela para outra, apenas uma aura azul semitransparente permanece no ecrã de onde ele foi movido. Daí o nome do game: “Alma Fragmentada”, em tradução livre do autor.



Onde os fracos não têm vez


O game possui dificuldade elevada que atrai o público mais hardcore e exige absoluta concentração do jogador para superar seus desafios. Tudo é pensado para não dispersar a concentração e manter o jogador imerso durante os desafios. Sua trilha sonora é composta por músicas eletrônicas e sons robóticos sem frenesi, mas se mantém bastante presente em todo decorrer do jogo. Seus gráficos em 3D, apesar de simples, são limpos e bem contrastados, para que não haja poluição visual e confusão entre objetos. Apesar de difícil, ele se mostra justo, o que colabora para o alto replay, mesmo após diversas tentativas.



Fractured Soul tem seu início confuso, por se tratar de uma experiência absolutamente diferente de tudo que já presenciamos em side scrollings, mas o seu primeiro nível é um excelente tutorial que dá o tempo necessário para o cérebro do jogador se adaptar às constantes trocas de telas. Gradativamente se torna mais difícil e complexo de acordo com a progressão do jogador, levando a uma curva de aprendizagem ideal para que a alta dificuldade do jogo torne a experiência prazerosa ao invés de frustrante.

Estilo antigo, mas não antiquado


Outro ponto positivo é encontrado no level design. Cada estágio se mostra único, com diferentes obstáculos e características, que vão desde cenários aquáticos a diferenças gravitacionais entre as telas. Além disso, há momentos em que se torna um shoot’em up, onde o jogador controla uma nave com a câmera na horizontal, remetendo aos antigos games 8 bits do estilo, como Macross (NES). Tudo isso colabora para uma jogabilidade dinâmica que o afasta de experiências monótonas.



O game possui 25 estágios normais: 20 níveis side scrollings, 3 lutas contra chefes e 2 estágios de shoot’em ups, além de 6 estágios extras que podem ser desbloqueados quando o jogador atinge o ranking máximo de 5 estrelas em cada nível normal. Para conseguir o ranking máximo, o jogador deve coletar todos os cristais espalhados pelo estágio e bater o tempo mínimo do nível sem sofrer dano. Um prato cheio para os gamers hardcore que gostam de desafios.


Inovador, atual e digno de replay

Fractured Soul tem um grande potencial no que diz respeito ao fator replay e deve ser revisitado por aqueles que já tiveram contato. Sua estrutura, seu level design, sua trilha sonora, sua dificuldade e sua singularidade são apenas alguns fatores que fazem do game uma experiência única em um portátil, onde o conceito de "game casual" cai no momento em que o jogador percebe que já está há horas se desafiando.

Reúne mecânicas inovadoras e traz consigo uma jogabilidade no mínimo interessante para o 3DS, além de elevar a experiência de jogos de plataforma à patamares antes só atingidos por clássicos absolutos. Trata-se de um daqueles jogos, que apesar de simples, são únicos e se recusam a envelhecer.
Para aqueles que nunca jogaram, vale a experiência de um conceito que ainda se mostra inovador no mercado de games. O jogo ocupa 2981 blocos (cerca de 372MB) no armazenamento do Nintendo 3DS.
Ramon Mulin escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook