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Análise: Wulverblade (Switch) é um desafiante retorno aos clássicos da pancadaria

Nostalgia e novidade se misturam nesse belo e desafiante Beat ’em up


Nos anos 90, um dos gêneros mais populares era o beat ‘em up, que consistia em encher os inimigos de sopapos e avançar pelas fases. Com os anos, esse gênero foi ficando de lado. Clássicos como Final Fight, Streets of Rage e Capitain Commando deixaram de ganhar sequências e aos poucos foram substituídos por outros jogos e gêneros, como o tiro e o hack ’n slash
De tempos em tempos surge algum game que tenta trazer de volta toda a nostalgia daquela era, alguns sem muito sucesso. Mas existem os que acertam em cheio no coração nostálgico de quem viveu a época, além de trazer novidades para os jovens jogadores. Nesta categoria se encontra Wulverblade, produzido pela Fully Illustrated e lançado pela Darkwind Media.

Socos e pontapés nos Romanos

Passando durante a ocupação Romana à Bretanha em 120 a.C., Wulverblade coloca o jogador na pele de um trio de Bretões Nortistas que resistem ao domínio de Roma. Cada um dos personagens possui suas forças, fraquezas e habilidades que são exploradas no game. Enquanto Caradoc mostra um excelente equilíbrio para iniciantes, Brennus derrota seus inimigos mais rapidamente com sua força, mas não tem muita agilidade. Guinevere, desvia dos golpes com facilidade, mas leva dano maior a cada pancada que recebe.

Não só de bater em Romanos vive o trio de Wulverblade, mas também de Bretões que se uniram à causa rival. Em gameplay, isso resulta em uma variedade maior de inimigos.Seguindo a regra dos clássicos da era de ouro, se o jogador é colocado diante de um desafio diferente, ele é devidamente apresentado sozinho, para que logo em seguida ataque junto com um bando, exigindo um pouco mais da habilidade e destreza do jogador, forçando-o a utilizar novos comandos para eliminá-los. Tradicionalmente, existem os golpes fracos, fortes e poderes especiais, porém, aqui é possível defender e desviar dos ataques. Ao executar combos, uma barra especial é preenchida e, ao completá-la, o jogador pode invocar a ajuda de lobos para eliminar todos os inimigos da tela. Existe também uma outra barra que é preenchida a cada golpe acertado e que desperta um poder de fúria avassalador. É importante dosar bem o uso destas habilidades, pois são cruciais para enfrentar o alto desafio do game.


Vai uma dose de dificuldade aí?

Os personagens pesados fazem com que caminhar e bater precisem ser calculados com precisão. Um segundo de descuido pode ser a diferença entre a conclusão ou não do estágio. Completar as fases em modo tradicional, que seria o mais fácil, é o suficiente para testar as habilidades e paciência de qualquer jogador, porém, o game oferece mais. Modos Arcade ou sem continues exigem destreza e conhecimento máximo dos personagens. A ajuda de um amigo é fundamental nesse momento.

Sem modo online, o game peca por não trazer um fator replay elevado. Dificilmente alguém que terminou o jogo, que leva aproximadamente 5 horas, terá vontade de voltar e tentar os modos mais difíceis, porém, o cooperativo local está firme e forte, e é sem dúvidas, a melhor maneira de curtir Wulverblade. Ao lado de um parceiro o game se transforma. Definir posicionamento e qual ordem os inimigos devem ser atacados é essencial e deixa tudo mais divertido. O desafio persiste, porém as chances de eliminar os inimigos mais rapidamente é maior.


De saltar aos olhos...

A arte visual de Wulverblade é um show à parte. O cuidado com os traços de todos os personagens é impressionante. Até o mais simples dos inimigos recebeu um tratamento cuidadoso. Os cenários contam a história dos lugares que passamos, e a já tradicional fase de silhueta em sombra nos jogos 2D atuais ganha um novo significado por fazer parte de um momento importante na narrativa, além de ser belíssima e trazer novidades ao gameplay. Sangue, morte e pedaços de inimigos voam pelo cenário, (inclusive podem ser usados como arma), trazendo efeitos de partículas e luzes desenhadas à mão. Deslumbrante.

As belíssimas animações, fluidas e cheias de frames por segundo, transmitem o peso dos golpes e o carisma dos personagens ao mesmo tempo e realçam ainda mais todo o carinho e cuidado que os desenvolvedores tiveram com o jogo. A ambientação é acompanhada de um trabalho de pesquisa minucioso. Entre os colecionáveis, estão textos e cartas que contam a história dos lugares. Ao mostrar algo novo, informações sobre os lugares, ou até mesmo objetos e o que aquilo representa na realidade ficam disponíveis. Uma verdadeira aula de história correndo pelos fundos do jogo que retratam a época de forma respeitosa e interessante. Vale muito a pena conferir todos os textos em detalhes.


... e aos ouvidos 

A mixagem de som é algo importante em qualquer produto de mídia, principalmente em jogos. Wulverblade conta com uma trilha sonora rica, inspirada nos Celtas, que nos deixa ainda mais imersos na aventura. Socos e pancadas transferem para os ouvidos o impacto causado. Algo esperado, já que o peso dos personagens não seria bem representado se o áudio não estivesse de acordo. Os efeitos sonoros colaboram para deixar a experiência mais agradável e um fone de ouvido de qualidade é mais que recomendado.


Os desenvolvedores da Fully Illustrated foram a fundo para entender o que fazia os clássicos beat ‘em up games tão especiais. A combinação de gráficos excelentes, arte excepcional e desafio transforma o mais simples gameplay em um jogo divertido e bem difícil. Cooperar com um amigo deixa as coisas mais agradáveis, mas se prepare para conter aquele impulso de jogar os controles na parede, que só aqueles grandes clássicos do gênero são capazes de causar.

Prós

  • Dificuldade na medida certa; 
  • Gráficos excepcionais com animações fluidas; 
  • Excelente direção de arte; 
  • Modo cooperativo divertido. 

Contras

  • Falta de modo online; 
  • Pouca variedade de golpes;
  • Sem muitos motivos para jogar mais de uma vez.
Wulverblade — PC/PS4/XBO/Switch — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Ana Krishna Peixoto
Análise produzida com cópia digital adquirida pelo redator



Flavio Maciel escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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