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Análise: Shantae: Half-Genie Hero Ultimate Edition (Switch) mistura plataforma com exploração

Além de contar com todos os extras já lançados, a versão do Nintendo Switch ainda é a única que pode ser jogada em modo portátil e faz ótimo uso do HD Rumble.


Depois de três ótimos jogos para portáteis da Nintendo — sendo os dois últimos portados para consoles de mesa —, a WayForward Technologies criou uma bem-sucedida campanha no Kickstarter, que resultou no lançamento de Shantae: Half-Genie Hero para diversos consoles de mesa, num período em que o Switch ainda era conhecido como NX. Quase um ano depois, o jogo também chegou ao híbrido da Nintendo, e agora temos a Ultimate Edition, que conta com todos os extras já lançados para o título.

Este quarto jogo da série é na verdade um recomeço de uma nova trilogia, e mesmo quem não jogou qualquer outro dos títulos anteriores não se sentirá perdido em relação à história,  mas talvez não tenha o mesmo impacto quando antigos personagens apareçam na jornada, principalmente os vilões. De qualquer forma, o enredo é bem simples, a heroína meio-gênio deve ajudar o seu tio a conseguir as peças necessárias para criar uma máquina que irá ajudar a proteger Scuttle Town dos inimigos e também resolver muitos problemas durante a jornada. Muitos personagens são encontrados no caminho e os diálogos e situações são sempre muito bem-humorados, marca característica da franquia.


Menos metroidvania, mais plataforma

Em Half Genie Hero, a franquia abandona o tradicional gênero metroidvania pelo qual foi conhecido por uma abordagem mais linear. Podemos dizer que dessa vez trata-se de um jogo de plataforma 2D com vários momentos de backtracking e exploração, principalmente para quem quer fazer 100% do jogo, mas sem mapas complexos.

Tendo Scuttle Town como base, Shantae deve se aventurar em algumas ilhas que vão sendo desbloqueadas conforme a história avança. Elas são alcançadas por um mapa e não estão interligadas, o que facilita muito para se orientar nos momentos de backtracking. O problema é que o game conta com apenas seis estágios, divididos em duas ou três partes, tornando essa necessidade de voltar em determinadas áreas muito repetitiva, já que passamos pelo mesmo local inúmeras vezes ou não avançamos no jogo, já que não são opcionais.


Ótimas transformações e belo visual

Shantae volta com seus poderes de transformação em animais diferentes, desde os tradicionais macaco, que tem um pulo mais alto e escala paredes, e elefante, que consegue destruir paredes; até novos, como o rato, que entra em passagens minúsculas, e o morcego, que voa em linha reta e possui sonar que permite “ver no escuro”. Cada animal também conta com um poder novo a ser desbloqueado e, ao consegui-los, é possível chegar a novos locais antes inalcançáveis. Apesar de uma grande quantidade de transformações, apenas algumas são utilizadas com frequência, deixando as demais praticamente sem uso a maior parte do tempo.


O visual de Half Genie Hero é o mais bonito da franquia, que sempre teve esse como um dos seus pontos fortes, e parece até mesmo que estamos no controle de um desenho animado. Todos os personagens têm aquele exagero cômico, típico da série, que diverte logo à primeira vista, deixando a aventura ainda mais divertida.


Edição definitiva

A versão Ultimate Edition lançada para o Nintendo Switch conta com a campanha principal e todos os extras lançados até agora para o jogo — desde roupas diferentes até novos modos com campanhas completas. Pirate Queen’s Quest! permite que joguemos a campanha pela visão da Risky Boots, o que leva a uma nova linha temporal dos fatos; Friends to the End é bem diferente já que podemos jogar com três personagens — Sky, Bolo e Rottytops — alternadamente conforme a situação peça a habilidade de um deles, além de contar novas fases e um chefe especial. Ainda temos três novos modos, Ninja, Beach e Officer, em que o gameplay é bem modificado, conforme ela se aventura, respectivamente, como uma ninja, só de biquíni e à lá Patricia de Mighty Switch Force!


Ainda vale o destaque para a função HD Rumble, que ficou simplesmente sensacional, como raros jogos conseguiram até o momento no Switch. Segundo a WayForward, cerca de 150 eventos de HD Rumble foram incorporados para os controles e, realmente, é possível sentir cada situação do jogo com clareza através da vibração dos controles, desde bombas próximas à Shantae, passando pela sua dancinha da transformação até nadar na água como sereia. É um bom exemplo de como esse recurso pode ser bem aproveitado mesmo em jogos simples de plataforma.


Depois de um tempo do seu lançamento original,  Shantae: Half-Genie Hero chega ao Switch em sua versão Ultimate Edition, com todos os extras já lançados e a vantagem de ser a único console em que é possível jogar no modo portátil. Além disso, o HD Rumble foi muito bem utilizado, trazendo uma nova experiência para a jogatina. Este foi o primeiro jogo de uma nova trilogia e, apesar de problemas com backtracking repetitivo e transformações subutilizadas, é provavelmente o melhor jogo da franquia até o momento.

Prós

  • Diálogos bem-humorados;
  • Belo visual;
  • HD Rumble bem utilizado;
  • Diversos modos de jogo;
  • Personagens carismáticos.

Contras

  • Backtracking cansativo e repetitivo;
  • Transformações subutilizadas.
Shantae: Half-Genie Hero  — Switch — Nota: 9.0

Análise produzida com cópia digital cedida pela WayForward Technologies.
Alberto Canen é formado em Direito pela UFRN. Joga videogame desde os tempos do Atari e sempre acompanha as novidades na indústria de jogos. Está no Facebook e no Twitter.

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