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Análise: Hollow (Switch) é um port mal-feito de um título fraco

O “Dead Space” da Forever Entertainment deixa muito a desejar.

O título de terror, ficção científica e tiro em primeira pessoa da Forever Entertainment pode até parecer interessante e ser comparado a séries consagradas como Dead Space ou Resident Evil, mas basta você jogar Hollow por 15 minutos que a comparação logo vai por água abaixo. O início do jogo é sim bastante tenso. Você controla um piloto espacial que, em um monólogo surpreendentemente profundo, explica que perdeu a memória e que se sente “vazio” (hollow). Nesse clima de mistério, sem opções e sem nenhuma informação sobre a sua situação atual, o piloto aterrissa em uma base espacial abandonada (e muito mal iluminada) com o objetivo de descobrir, afinal, o que raios está acontecendo.Uma premissa boa, no entanto, e infelizmente, essa sequência inicial é de longe o ponto mais alto de toda a confusa e (extremamente) entediante experiência que é jogar Hollow.

Uma aventura decepcionante

Hollow é um port para o Switch do jogo de PC lançado no ano passado, e a preguiça em realizar esse port é o primeiro grande problema do título. No computador é tudo uma maravilha: os gráficos são até bastante impressionantes e os frame rates são lisos. No Switch, porém os problemas são constantes. Quanto à qualidade gráfica, embora seja pior do que na versão original para PC, até rola certa ambientação competente dado o potencial do pequeno híbrido da Nintendo, mas a parte do desempenho é sofrível. Frame rate baixíssimo em vários pontos, slow downs constantes e até, pasmem, travamentos constantes. Em certas áreas, o jogo demora tanto para carregar o conteúdo que ele simplesmente trava, e isso acontece muito mais vezes do que poderia ser um mínimo aceitável.



Após alguns minutos de exploração tensa ao longo de uma base especial onde todos os objetos são parecidíssimos, a trama que envolve religião e alienígenas começa a se desenrolar, e o jogo espera que você, de tempos em tempos, destrua algumas criaturas assassinas que correm em sua direção. A regra é simples: headshot ou gg. Se você for obrigado a gastar mais de um tiro por criatura, às vezes é melhor resetar o jogo e começar de novo. Se você for obrigado a engajar em combate corporal com a criatura, desculpe, mas nada vai acontecer — você não conseguirá nem ao menos perceber que a criatura está levando dano, ainda mais de fato causar algum dano. Se você não encontrar a única pistola disponível e a arma de combate melee, também pode esquecer o progresso. “Ah, mas o jogo é difícil”, infelizmente Hollow é um pouco mais do que só isso.

Hollow simplesmente não é divertido, pelo contrário, pode ser comparado a uma leve tortura. Graças a Deus a experiência não é muito longa, você pode zerar o jogo em umas duas horas se souber o que fazer, no entanto, acredite, você não vai saber o que fazer. Os ambientes são todos iguais, as balas são ridiculamente escassas, a movimentação é lenta, a mira é ruim e o mapa talvez seja a pior parte de todas. Não existe mini-mapa ou pelo menos um mapinha acessível que seja intuitivo, a Forever Entertainment decidiu que a melhor escolha era implementar um mapa 3D em tempo real que ocupa a tela inteira. O mapa é praticamente um modo alternativo de jogo, porque você pode explorar toda a confusa base espacial exclusivamente pelo mapa (que consiste em polígonos azuis e uma bolinha que representa o jogador). O mapa até tem a decência de mostrar em quais locais você pode interagir para pegar itens, o que é terrivelmente complicado de se perceber nos difíceis momentos em que você decide não ativar o mapa e realmente olhar para o jogo.



Hollow é quase como se fosse um Metroid, só que você nunca quer jogá-lo. A história é fraca e irrelevante, mesmo que construída em cima de um mistério, o gameplay é tão desagradável que o jogador rapidamente esquece que existe uma história. Descobrir o que fazer, caminhar pela base e o backtrack em geral é excruciante: lento, repetitivo e totalmente entregue ao risco de travamentos constantes. A edição de som é até interessante: barulhos e vozes bem construídos floreiam a experiência da lenta caminhada do jogador a todo o momento, só que o voice acting é horrível e possui zero emoção, então nem a parte sonora de Hollow como um todo consegue se salvar, na minha humilde opinião.

Nem ao menos o “terror” é eficaz. O jogo não é assustador e nem parece tentar ser. Depois dos primeiros minutos, qualquer tipo de tensão é jogada pela janela e o jogo se torna um FPS ruim e com pouca luz, basicamente. Eu não consigo pensar em algum motivo para alguém comprar e jogar Hollow. Nada ali pode ser realmente aproveitado, principalmente existindo tantos jogos melhores em tantos aspectos. Talvez, quando acontecer aquela promoção especial da eShop, Hollow de repente custe 10 reais e você poderá até ficar tentado, mas resista e faça qualquer outra coisa. Não tem erro.



Prós

  • Edição de som boa às vezes;
  • Premissa interessante.

Contras

  • Dificuldade ridícula;
  • Movimentação lenta;
  • Cenários repetitivos;
  • Combate frustrante;
  • História esquecível.
Hollow - Nintendo Switch - Nota: 3.0
Revisão: Luigi Santana
Análise produzida com cópia digital adquirida pelo redator 
Raoni Pinheiro escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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