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Análise: Banner Saga 2 (Switch) — entre magos e centauros, a trama se complica

O segundo capítulo da saga traz novos aliados e novos inimigos em um mundo a beira do colapso.


Depois de enfrentar hordas de autômatos, fome e uma serpente capaz de destruir montanhas, um sacrifício é necessário para derrotar o mais forte dos dragadores: o imortal Trovejante. É assim que as coisas terminam em The Banner Saga e é a partir daí que a saga continua. O Trovejante foi derrotado, mas este é só o começo.

Dois contos de uma saga

Banner Saga 2 (Multi) continua com grandiosidade a aventura épica de seu antecessor, já preparando terreno para a conclusão da história em Banner Saga 3 (Multi). Aproveitando que toda a parte de introdução dos personagens e do próprio universo já foi trabalhada no primeiro título, o novo jogo foca muito mais em expandir a mitologia da saga, que é cada vez mais complexa, fantástica e intrigante.

Dito isso, apesar de o jogo se sustentar por si próprio, é extremamente recomendado que se jogue o primeiro game por completo antes de começar esse. Dependendo da sua escolha final no título anterior, Banner Saga 2 pode contar duas histórias ligeiramente diferentes: a jornada de ascensão de uma jovem líder ou a queda de um velho homem amargurado por suas perdas. Seja qual for a história, mais uma vez você precisa liderar sua velha caravana rumo a um lugar seguro.
O fim do mundo está sempre à espreita para a caravana de Iver

O Bem, O Mal e os Corvos

Paralelo ao grupo de heróis com seus rostos familiares, temos uma nova jornada paralela com o grupo de mercenários conhecidos como Corvos, liderados pelo varl Bolverk. O novo grupo é uma adição perfeita à história, introduzindo um novo elenco de personagens com uma moral mais caótica e seus próprios problemas.

Ainda enfrentamos os dragadores ao longo da jornada, mas aos poucos eles vão ficando mais de lado para abrir espaço à verdadeira ameaça que foi apenas mencionada no primeiro jogo. Essa mudança é refletida diretamente nos combates, que trazem uma variedade bem maior de inimigos, entre novos clãs humanos e até a intrigante raça dos centauros.
Acompanhar os Corvos te dá uma perspectiva mais cética desse mundo falido


Entre centauros e poetas

Junto a novas classes, como os bardos, os centauros mexem bastante na dinâmica do combate. Eles trazem habilidades novas, além de poderem cruzar o campo muito mais rapidamente. Um bardo bem posicionado também ajuda a determinação de toda sua equipe fluir melhor, resultando em batalhas com um uso bem maior de habilidades. Obstáculos também estão presentes, tornando posicionamento em combate um fator cada vez mais decisivo.

A escolha de importar o progresso dos personagens do jogo anterior impacta bastante o combate do novo título. Desde o começo do jogo os personagens já estão num nível mais alto e conforme vão evoluindo ainda mais, novas habilidades são liberadas, tornando cada unidade ainda mais flexível e indispensável.
Quando os inimigos são muitos, vira uma questão de sobreviver
Batalhas foram repensadas e tem objetivos mais diversos. Agora, limpar o campo de batalha nem sempre é o que te leva à vitória. Às vezes, tudo que precisa para prosseguir é derrotar o líder adversário ou resistir por uma certa quantidade de turnos. Reforços aparecem com uma frequência muito maior, garantindo que os jogadores precisem sempre estar adaptando suas estratégias.

"Os tempos de paz acabaram..."

A apresentação do jogo não ficou para trás. Mesmo seguindo o mesmo tom de seu antecessor, as melodias de Banner Saga 2 trazem arranjos mais elaborados com um uso mais marcante de um coro, dando um ar mais épico e majestoso para a aventura.

A arte também usa o mesmo estilo de animação do jogo anterior, mas os cenários são mais ousados. As montanhas eslavas nevadas dão lugar a ambientes mais mágicos e fantásticos. A mudança conversa bem com a transição de temas na própria história que troca inimigos mais palpáveis, como os dragadores, pela misteriosa escuridão que ameaça a todos.
Cavernas subterrâneas, ruínas fantásticas e pedras flutuantes tornam este mundo mais fantástico


Banner Saga 2 funciona exatamente como uma transição — é o momento de virada da trilogia. Carregando o mesmo ar cético que o jogo anterior, nos questionamos tudo que sabemos ao longo do caminho e nos preparamos para vivenciar a conclusão desse grande épico. Como alerta Juno, uma personagem chave nesse momento crítico, “Os tempos de paz acabaram e surgem agora os de sobrevivência”.

Prós

  • Combate evolui para algo mais dinâmico e profundo;
  • Enredo envolvente cheio de reviravoltas;
  • Personagens multifacetados com arcos bem definidos;
  • Ponto de vista da história muda bastante de acordo com as escolhas do jogo anterior.

Contras

  • Controles tradicionais continuam confusos;
  • Sensação "morna" de meio de trilogia.
Banner Saga 2 — Switch/PC/PS4/XBO/Mobile — Nota: 9.0
Revisão: Júlio César
Análise produzida com cópia digital cedida pela Versus Evil
Gabriel Mattos faz joguinhos na UFRJ, quando deveria estar estudando Computação. Estuda computação, quando deveria estar escrevendo. Escreve, quando deveria estar dormindo e não dorme, porque fica sempre no Twitter. Também pode ser encontrado noInstagram.

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