Os erros e acertos da Nintendo na E3 2018

Vamos analisar a participação da Big N na edição 2018 da maior feira de videogames do mundo.

Como de costume, o mês de junho para os fãs de videogames é um período especial, pois é normalmente nessa época do ano em que ocorre a maior feira do mundo voltada para a indústria dos games, a Electronic Entertainment Expo, popularmente conhecida como E3. A maioria dos jogadores cria uma expectativa gigante sobre a E3, quem não sonha em ver o ressurgimento de uma franquia amada, há muito esquecida (não é mesmo Golden Sun?), ou por exemplo, ver um pequeno vídeo de algo que já foi anunciado e que todos esperam ansiosamente (não é mesmo Metroid Prime 4?). O problema é que nem sempre a expectativa que é gerada é atendida, as vezes a empresa que nós amamos não apresenta novidades que nos deixam ansiosos e emocionados. Quando isso ocorre, antes de ficarmos decepcionados, é importante analisar se nós criamos uma expectativa muito alta, ou a empresa de fato ficou devendo. O contrário também pode acontecer: nossas expectativas serem superadas e o nosso carinho pela empresa aumentar.

Então, agora que o calor da emoção já passou, e faz exatamente uma semana que nós assistimos ao Nintendo Direct E3 2018, vamos analisar friamente o que nos foi apresentado e entender se a Big N ficou devendo, se ela superou as nossas expectativas, ou se teve uma participação equilibrada. É claro que esse tipo de opinião é muito pessoal, muitas pessoas vão discordar dessa conclusão e, nesse caso, eu convido vocês a deixarem suas observações na seção de comentários para que possamos discutir e entender os diversos pontos de vista.

Antes de mais nada… Robôs gigantes

O Direct teve uma abertura bem inesperada, robôs gigantes lutando contra robôs ainda maiores ao som de uma guitarra pesada. A primeira coisa em que eu pensei quando vi o vídeo de anúncio de Daemon X Machina foi no celebrado filme de Guillermo del Toro, Pacific Rim. O filme tem até uma música tema pesada, com participação de Tom Morello na guitarra, não sei se é possível que o filme tenha influenciado o game, mas a semelhança existe.

O jogo é exclusivo para o Nintendo Switch e será lançado em algum momento de 2019. Por mais empolgante que seja ver robôs gigantes lutando com espadas e metralhadoras, esse tipo de conteúdo é para um público bem específico, e talvez seja por isso que ele não tenha deixado muitas pessoas empolgadas, eu particularmente gostei e pretendo acompanhar as próximas novidades sobre o game com muito carinho. E caso você só tenha visto esse título durante o Direct, saiba que na Nintendo Treehouse foi possível acompanhar 30 minutos de gameplay de Daemon X Machina.

As palavras de Reggie Fils-Aimé

Após o anúncio de Deamon X Machina, nós vemos um vídeo focado na DLC de Xenoblade Chronicles 2, intitulada Torna - The Golden Country. Esse vídeo nos apresenta alguns detalhes da história, e a expansão será lançada em setembro deste ano, o que deixou os fãs da franquia felizes. Só que mais uma vez o conteúdo apresentado tinha um público específico, que são os fãs da franquia: quem nunca jogou Xenoblade Chronicles 2 não se empolgou com a DLC apresentada.

Em seguida, finalmente temos uma pausa, em que Reggie aparece para fazer o seu monólogo. Ele fala sobre as premissas do Nintendo Switch, e de como o jogador possui diversas formas de jogar, um discurso que já foi batido diversas vezes pela Big N, mostrando em seguida algo que nós já havíamos visto.

Pokémon Let's Go

Reggie explica mais uma vez os conceitos do novo jogo da franquia Pokémon, que será lançado em novembro deste ano, exclusivamente para o Nintendo Switch. A única novidade aqui revelada foi o fato de que o Pokémon Mew estará dentro do acessório Poké Ball Plus, ou seja, poderemos realmente capturar todos os monstrinhos. Embora muitas pessoas tenham se empolgado, algumas ficaram chateadas. É legal termos a possibilidade de possuir um Mew, mas seria muito mais interessante se o mesmo estivesse disponível dentro do jogo, com uma side quest, ou quem sabe através de algum evento que só ocorreria quando capturássemos os 150 Pokémon de Kanto, restando apenas ele para completarmos o Pokédex.

O fato é que estaremos pagando para obter o Mew, uma vez que ele será exclusivo para quem comprar o acessório e, por mais que esse acessório seja divertido e você já fosse comprá-lo de qualquer forma, não é legal pagar por exclusividade em nenhum aspecto, em nenhum jogo. E nós definitivamente não podemos deixar que isso se torne uma cultura dentro da indústria.

Quando a festa começa e as amizades acabam…

Esse é momento da apresentação que muitos consideram ser o ponto alto da Nintendo. O anúncio de Super Mario Party pegou a todos de surpresa e o que foi revelado conseguiu agradar a maioria. Primeiro nós podemos ver um grupo de amigos jogando com dois Switch's, sendo usados em conjunto, ambos fora da Dock. Depois outras pessoas jogando, mais uma vez com dois Switch's, porém separados. Então finalmente o jogo aparece em uma televisão, com as pessoas jogando no modo Dock. Entre essas transições nós estávamos sendo bombardeados de momentos do gameplay, onde podemos ver diversos mini-games. Também foi possível perceber que jogo voltou para a forma clássica, em que cada jogador caminha por sua conta, e não todos dentro de um veículo. Eu gostaria de ressaltar que em nenhum momento apareceu uma criança no vídeo, todos eram jovens adultos, a Nintendo está realmente tentando mostrar que seus jogos não são feitos exclusivamente para as crianças.

Esse jogo, além de inesperado, promete explorar todos os recursos do Nintendo Switch em seus mini-games. Além, é claro, de ter uma data de lançamento próxima: 5 de outubro de 2018. Todos esses fatores juntos talvez tenham colaborado para que muitos o considerem o grande momento da Nintendo na E3 2018. Talvez se eu não gostasse muito de um certo jogo de luta, que foi mostrado no final do Direct, eu compartilhasse de tal opinião.

Fire Emblem: Three Houses

Com visuais belíssimos a Nintendo apresentou o próximo título da franquia Fire Emblem. A franquia toda vem ganhando muito destaque nos últimos tempos e no ano passado recebeu um Direct dedicado. Nesse Direct foi revelado que um título novo estava planejado para ser lançado em 2018, para o Switch, e era de se esperar que cedo ou tarde nós teríamos mais informações. No vídeo nós podemos perceber que teremos mecânicas de gerenciamento de tropas, o que promete deixar os combates mais envolventes, com um verdadeiro aspecto de batalhas em uma guerra. O vídeo empolga, mas o jogo foi adiado, e a promessa agora é de que teremos esse game na primavera do próximo ano.

Quando um game é adiado sempre é frustrante para os jogadores que o aguardavam, mas é melhor esperar por uma experiência mais completa do que se frustrar com o jogo em si. Quantas vezes a Nintendo adiou o lançamento de The Legend of Zelda: Breath of the Wild? Mas quando o jogo foi lançado ninguém reclamou, ninguém sequer se lembra mais desses detalhes. Vale ressaltar que esse não foi o único jogo adiado: o game do Yoshi também foi, e esse sequer deu as caras na E3. O importante é que Fire Emblem Three Houses chamou a atenção dos jogadores que nunca jogaram Fire Emblem, como certamente agradou aos fãs mais antigos. E esse foi outro ponto alto da apresentação da Big N.

A casa dos indies

Logo após o vídeo de Fire Emblem nós tivemos o anúncio de Fortnite para o Nintendo Switch. O jogo foi consagrado pelo estilo Battle Royale e, para quem nunca teve a chance de jogá-lo em outra plataforma, é realmente empolgante ver o game sendo lançado naquele mesmo dia na eShop, porém muitas pessoas já se saturaram do título e não se empolgaram tanto. Reggie em seguida fala da importância dos jogos indies, agradecendo em nome da Nintendo para todos os desenvolvedores independentes, uma atitude muito bonita. Aproveitando o assunto, ele já foi mostrando mais três títulos; Overcooked! 2, Killer Queen Black e Hollow Knight, todos serão lançados em 2018.

Os três games foram bem recebidos, e muitas pessoas ficaram felizes pelo menos com um desses jogos. O Nintendo Switch é uma ótima plataforma para os jogos indies, onde eles sempre vendem bem, independente se já saíram para outras plataformas no passado, e é legal ver que a Nintendo deu valor para esse fato.

Quem piscou, perdeu…

Após revelar que nós teríamos mais uma demo do tão aguardado jogo de RPG exclusivo, Octopath Traveler, nós tivemos uma sequência que mostrava mais de vinte e cinco títulos que seriam lançados nos próximos meses, todos para o Nintendo Switch. Se você piscou nesse momento, certamente perdeu algo. Os jogos variaram dentre os que nós já sabíamos que iriam sair, como Dark Souls: Remastered, até aos que foram uma completa surpresa, como por exemplo, Dragon Ball FighterZ. A biblioteca do Switch está recheada de coisa boa até o final de 2019, mas a forma como essas coisas foram mostradas talvez fez com que algumas pessoas não dessem tanta atenção assim para os títulos, uma vez que nem mesmo a própria Nintendo o fez.

Alguns desses jogos deveriam ter sido mais valorizados, tendo um pouco mais de tempo no Direct, e o fato deles terem passado como um relâmpago já deixou todo mundo em alerta, afinal de contas, a Nintendo teria que ter coisas muito grandiosas para mostrar ainda, uma vez que só haviam se passado 15 minutos do Direct. Talvez esse pensamento tenha ajudado na frustração que muitos sentiram ao final da apresentação.

O suspiro antes do mergulho

Shinya Takahashi, diretor executivo da Nintendo, aparece falando da satisfação que ele sente ao ver as pessoas aproveitando o pouco tempo que possuem durante a rotina do dia-a-dia para jogar o Nintendo Switch, e isso só é possível graças a sua portabilidade. Então Takahashi passa a palavra para alguém muito conhecido, Masahiro Sakurai. Sakurai é o criador da franquia Super Smash Bros., e certamente era esperado nesse Direct, uma vez que o novo título da franquia seria revelado. Ele faz uma piada, explicando o conceito básico do jogo, da forma mais resumida possível, e diz que "por hoje é tudo, pessoal". Mas então ele continua falando do jogo, dizendo que sabe que todos ficam ansiosos para conhecer os personagens que vão aparecer no game sempre que um Smash novo é anunciado. Por esse motivo, eles fizeram um vídeo mostrando alguns desses lutadores, e ele ainda explica que ao lado esquerdo dos nomes dos lutadores, há um número que indica a ordem da aparição desse personagem na franquia. E então, meus amigos, o vídeo começa e algo pelo qual ninguém esperava acontece.

Everyone is here!

O vídeo começa mostrando Mario, Samus, Kirby, Bowser, Link (agora com o visual do Breath of the Wild), Donkey Kong, Fox, Marth, Zelda (agora com o visual de A Link Between Worlds), Sheik, Villager, Mewtwo, Meta Knight, Sonic, Peach e Pikachu. Todos esses personagens tinham a sua participação quase que confirmada, e mesmo sendo legal recebermos essa confirmação, não era bem uma surpresa. O visual do jogo também agrada, mas não é muito diferente daquilo que vemos no Wii U. Então a primeira surpresa acontece, o retorno dos Ice Climbers que haviam ficado de fora do último Smash por conta das limitações do 3DS e porque a equipe de desenvolvimento não queria que a versão do Wii U tivesse um personagem exclusivo. Inkling Girl e Boy dão as caras, o que também não era nenhuma novidade pra quem viu o primeiro teaser do jogo.

O vídeo continua com rostos bem conhecidos; Captain Falcon, Samus Zero Suit, Wii Fit Trainer, o retorno do treinador Pokémon (em que na verdade você controla Squirtle, Ivysaur e Charizard), Ness, Lucas, Ryu, Ike e Cloud. Depois de Ryu e Cloud nós já começamos a desconfiar que todos os personagens de outras empresas, utilizados no Smash 4 estariam de volta. Mas o que ninguém imaginava era que um personagem que havia ficado de fora do último título, sem ser por causa de limitações técnicas, também voltaria. Snake, personagem de Metal Gear, aclamada franquia criada por Hideo Kojima, estaria de volta depois de dez anos. Esse foi o momento mais feliz da apresentação inteira, o personagem que eu mais gostava de utilizar no Brawl estava de volta na imensa lista de lutadores. Nesse momento todos os fãs da franquia Super Smash Bros. já estavam vibrando, se até mesmo o Snake havia voltado, tudo poderia acontecer. Mas eles já quiseram deixar claro, Everyone is here!
Todos os outros lutadores que já tiveram uma participação em algum título da franquia estariam de volta, nem mesmo os Mii foram esquecidos. E o título do game foi revelado: Super Smash Bros. Ultimate, o maior crossover da história dos videogames. A partir desse ponto, eu acredito que a Nintendo perdeu um pouco o foco, pois Sakurai começou a apresentar diversas mecânicas e conceitos do jogo, as diferenças entre os anteriores e os assistentes, fases etc. Foram quase vinte minutos falando sobre o game, e todo mundo queria saber essas informações, mas não durante o Direct da E3. Isso deixou a apresentação maçante fazendo com que algumas pessoas que amariam o jogo ficassem até mesmo um pouco irritadas com o título. Nem mesmo a possibilidade de jogar com o aclamado controle de Game Cube deixou esses próximos vinte minutos menos entediantes.
No final ainda tivemos um teaser lindo, revelando que Ridley seria um personagem jogável. E embora Sakurai tenha dito para nós não esperarmos novos lutadores, eu não descartaria algumas surpresas até o lançamento do título (Waluigi, nós estamos com você!), lançamento esse que vai ocorrer no dia 07 de dezembro ainda desse ano.

Pouco é muito e muito é demais…

A Nintendo resolveu focar o seu Direct E3 2018 no Super Smash Bros. Ultimate, o que não seria problema nenhum se nós não tivéssemos tido mais de vinte minutos de informações que não precisavam ser reveladas naquele exato momento. Ela deixou de dar destaque para outros títulos, que muitas pessoas sentiram vontade de ter mais informações. Ou seja, faltou um pouco de equilíbrio: foi tanta coisa sobre Smash que as pessoas até esqueceram o que havia sido mostrado antes.

Mas, parando para analisar friamente, ela teve sim ótimos anúncios, tanto de exclusivos quanto de jogos das third parties, e a biblioteca do Switch está recheada de ótimos títulos até o final de 2019. Também ficou claro que ela decidiu focar em jogos que tem o seu lançamento próximo, e games esperados como Metroid Prime 4 ficaram de fora da apresentação. Mas nós também sabemos que há muito tempo a Nintendo utiliza seus Directs para revelar os seus jogos, e isso ocorre com uma determinada frequência. Embora o Direct da E3 seja especial, ele ainda é apenas um Direct. Nós temos como exemplo o Pokémon Let's Go: Pikachu & Eevee, que foram apresentados semanas antes da E3, e provavelmente teriam um peso maior para a feira caso tivessem sido revelados só agora.
Também é importante citar que a maioria desses títulos estavam a disposição para os jogadores na feira, em um ambiente aberto, diferente do que foi feito nos últimos anos, em que tínhamos um ambiente fechado e focado em um único jogo. É claro que também tivemos as Nintendo ThreeHouse, em que foi possível acompanhar diversos detalhes e gameplay desses títulos, assim como campeonatos de Splatoon 2, e Super Smash Bros. Ultimate

No final a Nintendo pode ter se perdido um pouco na forma de apresentar seus jogos e ter feito escolhas questionáveis, como deixar de fora aqueles games que ela diz que não estão prontos para serem revelados. Um vídeo de Metroid Prime 4, e o simples título da oitava geração Pokémon já seriam suficientes para deixar o público animado; aliás, essas duas coisas poderiam facilmente substituir os vinte minutos exaustivos das explicações de Sakurai. Tudo isso deixou muitos fãs frustrados, pois todos nós sempre esperamos uma apresentação de peso e que deixe todo mundo em euforia ao seu final. Porém, uma apresentação ruim de forma alguma tira o brilho do seu híbrido, os próximos meses para os donos do Switch são sim promissores, e o quadro que se pinta para 2019 também é animador. Só vamos torcer para a Nintendo ter aprendido a lição, e que na E3 de 2019 ela não resolva explicar todas as novas funcionalidades da armadura de Samus no novo Metroid, ou quem sabe detalhar o moveset da oitava geração Pokémon inteira.

Revisão: Vinícius Rutes
Pedro Henrique escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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