As apresentações em formato de Nintendo Direct na E3: prós e contras

Qual é o melhor formato de apresentação para eventos como a E3?

A E3 2018 está chegando e, como já virou costume, a Nintendo fará sua conferência por meio do Nintendo Direct, uma transmissão ao vivo direto de seu canal para apresentar as novidades ao público.


O formato está em atividade desde outubro de 2011 e, na E3, desde 2013, quando a Nintendo implementou o serviço digital e se retirou das atividades de palco. De acordo com o presidente da Nintendo na época, Satoru Iwata, a mudança aconteceu porque o formato já estava estabelecido entre o público da marca, e que eles poderiam transmitir sua mensagem dessa forma para alcançar públicos diferentes de maneira mais apropriada e efetiva.

Enquanto isso, alguns jornalistas consideram que a mudança se dá pelo fato de que as últimas apresentações ao vivo da Nintendo não foram positivas, além de momentos em que os jogos demonstrados apresentaram erros. Embora o público já esteja acostumado com o Nintendo Direct, o formato não tem nem uma década de existência e ainda gera discussões no segmento de jogos eletrônicos quanto ao valor da apresentação. Veja abaixo alguns pontos que podem ser bons e ruins sobre a apresentação digital.

Custo da apresentação





Empresas de capital aberto, como a Nintendo, precisam demonstrar bons lucros para seus acionistas ou podem passar por uma troca de presidentes. Enquanto algumas empresas usam microtransações, conteúdo extra e pré-venda, outras tentam reduzir gastos.

Nesse sentido, produzir um vídeo com conteúdo controlado de 30 a 40 minutos e colocá-lo na internet é mais econômico do que alugar um palco e fazer uma apresentação ao público e convidados.

Sem falar que as demonstrações de jogos para jornalistas e público também custam um valor de aluguel. O preço elevado já afeta a apresentação de outras empresas na E3 2018, como a Square Enix e a Devolver Digital, que anunciaram uma apresentação em vídeo.

No entanto, outras empresas como a Microsoft e a Electronic Arts (EA) alugaram um palco próximo ao evento principal. A empresa do Xbox, inclusive, fará a apresentação em seu próprio teatro, o Microsoft Theatre. Portanto, economizar um trocado mudando o formato de apresentação pode ser bom para as finanças da empresa, porém as produções as digitais podem ser ruim para o público, o que leva para o próximo tópico.

Resposta do público



Para quem não vai à E3 2018, o Nintendo Direct pode parecer que não seja tão ruim. Mas a vibração do público pode ser um poderoso feedback para a empresa. No ano passado, por exemplo, a Bethesda fez a apresentação toda em vídeo transmitido no palco da E3.

Além dos lucros, a empresa precisa cativar seu público, e a E3 é o melhor momento para conseguir isso. A apresentação de The Legend of Zelda: Twilight Princess em 2004, por exemplo, é lembrada até hoje. Situações como essa podem cativar até o público que assiste de longe, como uma torcida vibrando pelo seu time. Essa energia positiva pode ser transmitida para o jornalista que irá passar para seu público os anúncios.

Mas a Nintendo percebeu a falta do calor humano dessa apresentação ainda em 2014, quando criou a Nintendo Treehouse para mostrar seus produtos junto aos desenvolvedores. No ano seguinte, a marca volta ao palco com o Nintendo World Championship, uma série de campeonatos que inclui jogos novos e antigos.

Para a audiência mais remota, a Nintendo abre um espaço em sua loja para transmitir os anúncios, que também ficam disponíveis no Twitch e YouTube —  abrindo espaço para criadores de conteúdo fazerem vídeos de reação e, assim, influenciar o entusiasmo do público.

Transmitir a mensagem

Um dos motivos que fizeram a Nintendo mudar o formato era para ter o controle da informação. A produção de um vídeo para apresentação digital tem essa vantagem. A empresa edita todo o conteúdo necessário e passa a notícia da forma que quiser. Já a  apresentação em palco pode ter imprevistos. Em 2010, sinais infravermelhos vindos da platéia causaram interferência no Wii Remote durante a apresentação de The Legend of Zelda: Skyward Sword. Isso abriu espaço para dúvidas quanto à qualidade do jogo.






Além de transmitir suas ideias de forma sólida, o anúncio também precisa de impacto. A apresentação de palco tem mais espaço para se fazer um show, como na E3 2011, quando a Nintendo levou uma orquestra para comemorar os 25 anos de The Legend of Zelda. Ações de palco como essa ficam na memória dos gamers. Mas isso não quer dizer que o Nintendo Direct não pode surpreender. A apresentação de Super Smash Bros para o Switch, por exemplo, teve bastante impacto e gerou comoção nas redes sociais.


Desde que optou por conferência em vídeo na E3, a Nintendo evoluiu muito o formato para alcançar públicos com gostos diferentes. Adicionaram ao evento o Nintendo Treehouse e o Nintendo World Championship. Mas essa estratégia ainda é vista  como secundária pelo público. Independentemente de como se apresenta, cabe à Nintendo ter mais solidez e  surpresas para deixar uma boa impressão com todas as opções possíveis.

Revisão: Gabriel Bonafé 

João Victor escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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