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Análise: The Alliance Alive (3DS), o RPG em turnos que esperávamos

The Alliance Alive é, talvez, o último grande RPG para o Nintendo 3DS.




A década de 90 se destacou como uma era de ouro para os JRPGs com sistemas de batalha baseados em turnos. Grandes títulos se consagraram nesse período, são alguns exemplos: Chrono Trigger (SNES), Final Fantasy VI (SNES), Final Fantasy VII (PS1), Xenogears (PS1), Lufia (SNES), Suikoden (PS1), entre outros. Esses jogos sempre seguiram fórmulas similares, pois era uma receita que dava muito certo, todavia, os deixavam parecidos em alguns aspectos.


Desde então, as empresas buscaram inovar as mecânicas de alguns desses
games a fim de construir uma identidade própria em seus trabalhos, o que trouxe diversas ideias originais para os jogos atuais, com elementos que posteriormente foram utilizados em jogos ocidentais. Desse modo, os turn-based RPGs acabaram por dar espaço aos action RPGs. O ponto negativo disso é que os RPGistas old schools acabaram por ficar órfãos de grandes títulos com batalhas baseadas em turnos, com a chegada cada vez maior de jogos com sistemas mais dinâmicos e em tempo real.


Poucos são os exemplos de jogos desse gênero que fizeram sucesso em gerações mais recentes, mas podemos destacar Blue Dragon (X360) e Final Fantasy XIII (Multi).
Contudo, portáteis como o Nintendo DS e o Nintendo 3DS foram alguns dos poucos consoles atuais que ainda traziam consigo o espírito dessa era em muitos de seus games. Os RPGs baseados em turnos também se tornaram pérolas nesses consoles, a exemplo da franquia Pokémon e dos jogos Golden Sun: Dark Dawn (NDS), Final Fantasy III (NDS), Bravely Default (3DS), Etrian Odyssey Untold: The Millennium Girl (3DS), entre outros grandes títulos.


Todavia, com o encerramento da produção do New Nintendo 3DS no Japão em 2017, fica a dúvida sobre o futuro desse gênero. O fato é que o Nintendo Switch tem feito bastante sucesso, o que apagou alguns lançamentos atuais para o 3DS, que é o caso de The Alliance Alive (3DS), um grande RPG com batalhas baseadas em turnos à moda antiga, lançado no ocidente em 27 de março de 2018.

Uma equipe de peso

Como todo grande título de RPG, The Alliance Alive não fica para trás no que tange aos nomes por trás do projeto.O game é dirigido por Masataka Matsuura, que também foi diretor responsável pelo seu antecessor espiritual The Legend of Legacy (3DS). Kyoji Koizumi foi o designer responsável nesse título e também trabalhou em grandes nomes como Ever Oasis (3DS) e SaGa Frontier (PS1).

Encabeçando a arte o jogo conta com dois artistas: Ryo Hirao, presente em Final Fantasy XII (PS2) e Brave Fencer Musashi (PS1), e Masayo Asano que trabalhou em Final Fantasy X (PS2) e Legend of Mana (PS1). O escritor responsável pela série é nada mais, nada menos que Yoshitaka Murayama, criador da série Suikoden. E, por último, a trilha sonora é assinada por Masashi Hamauzu, também responsável pelas músicas de Final Fantasy XIII (Multi), SaGa Frontier 2 (PS1), entre outros.

Enredo simples, mas bastante atraente

Com um enredo simples, o game aposta na máxima do “menos é mais”. O mundo fantástico de Alliance Alive foi invadido por uma raça denominada Daemons, que tinha como objetivo evitar a expansão de uma energia terrena chamada Chaos. Após essa invasão, o mundo se viu dividido em quatro continentes através de barreiras chamadas Dark Current e também dominado por uma dinastia totalitária pelos Daemons.


A premissa do jogo está nas organizações rebeldes, as Night Ravens, na qual o jogador controla personagens pertencentes a elas. Um ponto extremamente original e inovador nesse game está presente na quantidade de protagonistas.

O jogo conta com dezenas de personagens jogáveis e nove protagonistas, com histórias e motivações próprias que levam o jogador a analisar o enredo do game de diversos focos diferentes. O jogador controla todos esses personagens em momentos distintos do jogo e suas histórias entram em coesão com fluxo principal do enredo de forma bem convincente.

Dinamismo no sistema de combate

O game conta com um sistema de batalha baseado em turnos, onde toda a pontuação e evolução de cada personagem se dá apenas pela consequência desses combates. Com um sistema bem dinâmico e posicionamentos certeiros de câmeras, os combates lembram bastante alguns títulos de Playstation 1.


O game não dispõe de uma trilha sonora padrão para combate. Por vezes, as músicas de determinados cenários permanecem contínuas durante as batalhas. O que é um ponto positivo, visto que esse sistema não deixa o game monótono, se utilizando de músicas diferenciadas em cada momento específico.

O sistema de habilidades e magias do game não está atrelado ao personagem como na maioria dos jogos do gênero, e sim nas armas equipadas. A cada nível de habilidade conquistado com uma arma específica, o personagem desenvolve habilidades ligadas àquela arma em questão. Quanto mais forte o golpe produzido pela habilidade, mais pontos especiais (SP) são consumidos. Esse sistema é um estímulo para o jogador utilizar armas diferentes para causar mais impacto sobre os inimigos. Cabe assinalar também, que diferente de outros RPGs, em Alliance Alive o jogador pode equipar até duas armas em cada personagem que podem ser trocadas a qualquer momento durante o combate.


Beleza nos gráficos

Muitos podem se questionar sobre os gráficos do game, pois são simples e pouco detalhados. Todavia, isso é algo proposital, pois eles seguem a linha de traços dos desenhos do artista Ryo Hirao, o mesmo responsável pelos traços de The Legend of Legacy (3DS). Apesar de simplórios, os gráficos trazem identidade ao game e carisma aos personagens, visto que essa simplicidade é acrescida de onomatopeias presentes nos mangás e expressões faciais engraçadas.

Trilha sonora de ponta

O trabalho excepcional de Masashi Hamauzu na composição das músicas é, em particular, aquilo que o game propõe: simplicidade, beleza e diversão. A trilha não é orquestrada como em muitos grandes títulos do gênero, mas habita nela uma qualidade pouco vista em jogos desse tipo para consoles portáteis. O game conta com músicas únicas para cada contexto, cenário e personagem. Um trabalho que casa perfeitamente com a proposta de The Alliance Alive.

Sobre a experiência sonora em si, não somente ligada à música, alguns jogadores podem sentir falta de dublagens aos personagens. Isso é absolutamente ausente no game. Para uns pode ser um ponto negativo, mas para outros, essa característica é tratada como um ponto positivo, trazendo à tona ainda mais nostalgia ao relembrar os jogos “mudos” de RPGs de duas décadas atrás.


Um RPG à moda antiga

As assinaturas da Cattle Call e do estúdio FuRyu, que estão presentes no desenvolvimento de The Legend of Legacy, também estão em The Alliance Alive, com elementos ousados para o atual mercado de games. A Atlus foi a responsável pela distribuição do game no Ocidente. Em um cenário onde a inovação mecânica e gráficos ultra realistas tem ganhado destaque, Alliance Alive segue exatamente o caminho oposto: resgatar o espírito dos RPGs da década de 1990. O game conta com diversos personagens carismáticos, sistema de batalha com certa complexidade, enredo simples e bem escrito, gráficos enxutos e bonitos, além de uma trilha sonora marcante. Tudo aquilo que o bom e velho RPGista procura em um game como esse. The Alliance Alive (3DS) oferece horas a fio de diversão e doses pesadas de nostalgia.

Prós

  • Gráficos belos;
  • Arte original;
  • Músicas bem trabalhadas;
  • Resgata o espírito dos RPGs da década de 90;
  • Vários personagens com histórias e motivações distintas;
  • Sistema de batalha intuitivo e dinâmico.

Contras

  • Não existem contras.
The Alliance Alive – 3DS – Nota: 9.5
Revisão: Diogo Mendes
Análise produzida com cópia digital cedida pela Atlus
Ramon Mulin escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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