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Análise: Bomber Crew (Switch) é um simulador de guerra inteligente e desafiador

Pilotar, atirar, rastrear e cumprir missões ao mesmo tempo é para poucos.

Está cansado de jogos sobre a Segunda Guerra Mundial focados em soldados como em Call of Duty: WWII? Talvez seja a hora de experimentar atacar pelo ar e Bomber Crew irá te oferecer essa possibilidade. Lançado inicialmente para PC, o simulador de batalhas aéreas chega aos consoles atuais a fim de proporcionar uma experiência customizável e interessante – porém com falhas pontuais.

Visto de cima é mais bonito

Como de se esperar de qualquer simulador, Bomber Crew te dá a responsabilidade de administrar um veículo gerido por sete personagens, cada um com sua missão específica dentro do avião de guerra. O que torna o jogo extremamente frenético é a impossibilidade de pausa-lo para gerenciar as diversas ordens, ou seja, tudo deve ser mandado apenas com a câmera lenta disponível ao pressionar o botão ZL.

Ainda, o foco do simulador é cumprir as missões oferecidas no quartel e, de modo geral, são situações em que o jogador deve, por exemplo, destruir veículos inimigos, bombardear áreas ou submarinos e proteger navios aliados. Tudo isso é recompensado com dois tipos de “moedas” do jogo, cada uma destinada a funções específicas a upgrades do seu avião ou de seu time – mas é basicamente isso.

Ao começar uma nova campanha, o jogo precisa te ensinar a jogar – justamente pela complexidade de ações. Os controles a princípio são bem confusos, principalmente para conduzir sete personagens ao mesmo tempo e entender tudo o que está acontecendo ao seu redor. Para tanto, o tutorial te ensina o básico e te larga em um contexto complicado de se acompanhar, principalmente por não ensinar como curar soldados feridos ou direcionar uma quantia menor de bombas para o ataque.


Talvez o que pode ter prejudicado essa migração da versão de PC para os consoles seja a ausência de um cursor eficiente e que te ajude a realizar decisões velozes. O problema poderia ser amenizado se, no modo portátil do Switch, houvesse compatibilidade com a função touch screen, por exemplo. Seria bem simples guiar os personagens e atrairia mais pessoas para jogarem on the go com essa opção.

Outra função que ficou de fora do port foi o giroscópio, essencial em alguns jogos do Switch, como Splatoon 2. Algo que é fundamental em Bomber Crew é a mira para destinar o sentido do trajeto e registrar aviões inimigos para que sejam atacados, e a ausência de motion controls neste jogo só torna o cursor lento e, por consequência, o maior vilão dessa versão.

Customizações por toda parte

É impossível não comparar algumas características de Bomber Crew com XCOM. Em primeiro lugar, o recrutamento de personagens é muito similar, principalmente pela possibilidade de edição quase total do personagem, desde o tom de pele até o nome. Além disso, caso um soldado morra durante uma missão, será impossível recuperá-lo e o jogador terá que recrutar outro para o substituir.

Porém, algumas características de XCOM ausentes em Bomber Crew me incomodaram. A falta de um investimento maior na história do jogo – já que é justamente sobre um fato histórico – desenvolveu uma certa aversão, principalmente por contribuir com a sensação de repetição. Por mais que ele incentive o jogador a melhorar e a buscar upgrades a cada missão, muitas vezes tive a sensação de ser algo monótono e desinteressante.

A cada missão novas roupas são liberadas.
É gratificante receber novas peças para o avião e variações de vestimentas no final de cada missão. Também é possível destravar um pombo para adicioná-lo à sua equipe. Assim, o mais recompensador é visualizar a melhora de atributos dos membros do grupo, principalmente por exigir um investimento financeiro em cada melhoria – mesmo que, às vezes, não é possível notar grandes mudanças na prática.

Outro ponto interessante é a riqueza de materiais customizáveis do avião. Só é possível entender a grandeza dessa diversidade em pontos mais avançados do jogo, mas logo de início já é notável por qualquer jogador. É interessante perceber também que, desde o início da campanha, é possível adicionar a imagem de perfil do Switch – em alguns casos, a figura de seu Mii – no avião de diversas formas.

Prontos para a batalha

A maior qualidade de Bomber Crew é de não subestimar o jogador. Digo isso porque as missões mais difíceis são extremamente complexas e exigem muito cuidado, uma vez que um erro mínimo é o suficiente para falhar totalmente. Por exemplo, se seu avião decolar em altitudes muito altas, a temperatura baixa ou a falta de oxigênio podem prejudicar sua tripulação e, com isso, levar tudo a perder.

De forma quase exponencial, a dificuldade e o desafio desse jogo aumentam e propiciam uma ótima experiência para os jogadores que anseiam tais contratempos. É nítida a mudança drástica de inimigos lentos com motores primários para foguetes velozes e difíceis de acertar. Para tanto, alguns segundos de desatenção podem levar tudo a perder, já que quando o caos é instalado dentro da aeronave, é difícil retomar o controle.


Cada membro da tripulação tem uma especialidade, mas se a situação é crítica, todos podem realizar funções diversas – como um atirador ser orientado a dirigir o avião após o desmaio do piloto. Isso é bom porque abre as portas para alternativas viáveis que, se executadas com agilidade, podem evitar o fracasso da missão.

Além disso, o cuidado em elaborar tarefas detalhadas enriquece o título. Por exemplo, caso o jogador precise ejetar bombas em uma área marcada, ele primeiro deverá selecionar um membro da tripulação até o compartimento de bombas, abrir o portão de arremesso, selecionar a quantidade de bombas e, quando o radar estiver atravessando o alvo, liberá-las. Isso torna o processo mais orgânico e exige uma maior participação do jogador – fato que não ocorre em alguns simuladores atuais.

No começo é bem gratificante essa riqueza de detalhes, mas posteriormente pode ser frustrante. Caso o jogador esteja em uma missão que gaste cerca de meia hora, por exemplo, um erro ou descuido com essas minúcias que o jogo propõe pode conduzir à derrota. Principalmente por conta do cursor lento, já mencionado anteriormente, a realização das atividades não tem a mesma eficiência como na versão de PC, o que pode decepcionar o jogador acostumado com a outra interface.

Em síntese, Bomber Crew consegue entregar a proposta principal com êxito: um simulador com uma dificuldade memorável e que realmente desafia o jogador ao tentar manter toda a sua tripulação viva durante a Segunda Guerra Mundial. Entretanto, mesmo com tais aspectos positivos, a sua experiência pode ser perturbada pelo cursor lento e pela falta de adaptações compatíveis ao Switch, como os controles de movimento. No mais, o jogo tem todo o potencial para ser uma experiência admirável por muitos apreciadores do gênero.

Prós

  • Grande riqueza de detalhes para um simulador;
  • Consegue ser bem desafiador;
  • Customização variada e bem-vinda;
  • Progressão do jogo recompensadora.

Contras

  • Controles inicialmente confusos e complexos;
  • Cursor lento atrapalha a experiência nos consoles;
  • Ausência de suporte touch screen no modo portátil;
  • Pode se tornar monótono para alguns jogadores.

Bomber Crew - PC / PS4 / XBO / Switch - Nota: 7.5
Versão utilizada para testes: Switch
Análise produzida com cópia digital cedida por: Runner Duck Games.
Revisor: Vinícius Rutes 

Paulo Vinícius escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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