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Análise: Code of Princess EX (Switch) retorna com sua aventura medieval e cheia de fantasias

Lançado originalmente para o 3DS em 2012, o jogo chega ao Switch e continua sendo um título interessante, mas sem a força suficiente para alcançar um alto patamar.


Com pouco mais de um ano de vida no mercado, o Switch vem recebendo alguns relançamentos de títulos lançados originalmente em hardwares anteriores da Nintendo, sobretudo no Wii U. Em meio a colossos AAA (como Donkey Kong Country: Tropical Freeze e Bayonetta 2), chega a vez de um jogo um pouco mais tímido, lançado originalmente no 3DS, tentar conquistar o seu espaço na biblioteca dos donos do Switch: Code of Princess. Mas será que em meio a tantos lançamentos, vale a pena revisitar um jogo que chegou em 2012 e sem muito alarde na época?

A princesa, a ladra, a necromante e o elfo

Code of Princess definiu muito da sua essência bebendo da mesma fonte do gênero beat’ em up que títulos clássicos usaram no passado (como Golden Axe e Final Fight), reforçando suas bases com alguns elementos de RPG. Essa combinação já foi bem explorada pelo jogo Guardian Heroes, lançado em 1996 para o SEGA Saturn, e que até conquistou o seu público.

Não é de se estranhar que Code of Princess siga por um caminho parecido, já que sua produção contou com ex-membros da equipe original de Guardian Heroes e é inevitável enxergar uma “herança” na produção mais recente. Os objetivos do jogo se resumem a passar por vários capítulos eliminando os montes de inimigos que estão à sua espera — um estilo de jogo simples, direto e que funciona bem.



Os desenvolvedores não se preocuparam em criar um enredo muito complexo e cheio de variáveis. Os maiores trunfos de Code of Princess estão em outros aspectos do jogo, sobretudo na simplicidade nos controles e no carisma dos protagonistas apresentados, cada um com um estilo próprio e bem cativante. O mundo criado para o jogo traz belos visuais com elementos medievais e de fantasia, e tudo isso resulta em uma combinação agradável e com boa impressão.



No modo História, somos apresentados à princesa Solange Blanchefleur de Lux, que testemunha a queda do reino de DeLuxia causado por uma rainha maligna, motivado pelo seu desejo de obter a espada sagrada DeLuxcalibur. Um dos aspectos que logo chamam atenção é que, apesar de ser uma princesa guerreira, Solange não veste quase nenhuma peça de roupa. Inclusive, em alguns diálogos os outros personagens até comentam sobre o quão estranha é a pouca indumentária de nossa princesa. Os diálogos do jogo são bem construídos, com bastante humor.



No caminho para restaurar o seu reino e impedir que o mundo seja dominado por monstros, Solange reúne novos aliados para seu grupo em que a regra é “quanto mais diversificado, melhor”. Desde a ladra Ali, passando pela necromante com peças de corpos roubadas Lady Zozo e o pequeno elfo com sua guitarra elétrica Allegro, todos os heróis tem seu próprio estilo de combate e uma personalidade marcante. Certamente, pelo menos um deles te conquistará e se tornará o seu preferido para jogar as missões principais.

Vamos salvar o reino de DeLuxia!

Em relação ao combate, a jogabilidade de Code of Princess é em progressão horizontal da esquerda para a direita, com hordas de inimigos e bosses que podem surgir a partir de qualquer lado. O jogador pode usar vários tipos de ataques que variam entre os personagens, sendo executados pela combinação de movimentos com o direcional e botões de ataque (botão B para ataques fracos e A para fortes). Alguns ataques usam somente força física, mas outros são mágicos reduzem parte do medidor de magia do personagem, que se enche novamente com o tempo.


Para obter alguma vantagem, uma boa alternativa é focar em um inimigo específico através do botão Y, que exibe a vida restante e aumenta os danos causados enquanto o foco for mantido. Já o botão X ativa o burst attack, um poderoso movimento que empurra todos os inimigos para trás e garante brevemente um aumento de força, mas só pode ser usado um número limitado de vezes. Os demais movimentos básicos incluem o bloqueio e o salto. É fácil de pegar o jeito com cada personagem, já que a execução dos golpes não é complexa.


A ação se distribui por três camadas de profundidade e é possível pular livremente de uma “linha de combate” para a outra — algo bem útil para respirar um pouco quando os inimigos começam a se aglomerar em volta. A dificuldade do jogo é justa, oferecendo desafios mais difíceis nas missões mais avançadas. Os inimigos são inteligentes o suficiente para tentar cercar o jogador pelos dois lados, mas às vezes eles mostram um comportamento burro, por exemplo, correndo sem parar em direção a algum obstáculo. Os chefes tendem a dar uma dor de cabeça bem maior, exigindo bastante habilidade do jogador para serem derrotados.

O jogo corre com uma performance fluida no Switch, tanto no modo portátil quando ligado na TV. É uma melhoria considerável em relação à versão original para 3DS, que não conseguia evitar os soluços quando muitos inimigos se juntavam na tela. Se você chegou a conhecer essa versão, acredite: as quedas absurdas de framerate desapareceram no Switch. Os gráficos são competentes e estão mais bonitos e definidos nesta versão, com animações bem feitas. O mesmo pode-se dizer da trilha sonora: funciona muito bem em conjunto com o estilo visual do jogo.


O único porém é que este jogo é um tanto cansativo para os dedos ao usar os Joy-Con acoplados no grip ou no próprio Switch. A melhor alternativa para uma jogatina mais demorada nesse jogo é usar um Pro Controller. Apesar disso, Code of Princess não é um jogo que exige um tempo de dedicação muito grande. Existem pouco mais de 30 missões no modo História, e cada uma pode ser terminada entre três e sete minutos, tornando o jogo uma experiência que você pode aproveitar somente por alguns minutos ou por horas seguidas.

A faceta RPG do jogo

A parte RPG do jogo se encontra na implementação do sistemas de níveis, equipamentos e diferentes atributos de cada personagem. No modo História, você terá um total de onze personagens disponíveis até a última missão e cada um terá seu próprio progresso de nível, que sobe de acordo com a experiência adquirida ao fim de cada missão. Os atributos individuais são distribuídos entre as categorias Vitalidade, Piedade, Ataque, Mente, Defesa e Velocidade.


Os atributos aumentam à medida em que os personagens sobem de nível, mas além disso, o jogo permite equipar itens nos personagens que potencializam alguns atributos em detrimento de outros. Se o seu personagem é lento (Solange, por exemplo, é uma personagem que começa extremamente lerda), vale a pena equipá-lo com itens que priorizam sua Velocidade. Ataque e Defesa estão ligados aos golpes físicos, enquanto os ataques mágicos estão relacionados com Piedade e Mente.

Nos níveis de dificuldades mais altos (acima de três estrelas), será fundamental usar um personagem em um nível alto e com itens que fortaleçam os atributos que dão vantagem para o combate contra os bosses. Alguns personagens podem ter um melhor desempenho em certas missões, o que obriga o jogador a revisitar antigas missões com outros membros da equipe da princesa Solange para fortalecê-los. Os acontecimentos da história serão exatamente os mesmos, não importa quem você escolha.



Infelizmente, a jogabilidade não escapa do fantasma da repetição, o que começa a ocorrer uma vez que o jogador domine os movimentos dos personagens. A partir deste ponto, não haverá muito mais o que aprender até o fim da campanha, pois o jogo não introduz mais novidades para variar o combate, como novas habilidades ou mecânicas diferentes. Sumariamente, o jogador continuará fazendo as mesmas coisas até o fim da campanha principal — e também nos modos extras.

Um jogo com pouco incentivo para replays

Code of Princess traz outros modos de jogo que tentam prender por mais tempo a atenção do jogador. No modo Free Play, é possível jogar novamente as missões do modo História, mas aqui o cast de personagens sobre para cerca de 50 — o que inclui os inimigos enfrentados na campanha principal, os bosses e alguns personagens de menor importância. Apesar do jogo tentar oferecer alguma variedade, em sua maior parte ela é desinteressante. Não existem incentivos maiores para jogar com todos os personagens além de subir de nível. Já o modo Bonus Quests traz missões diferentes e um pouco mais difíceis do que as encontradas na campanha principal. Os mesmos personagens do modo Free Play estão disponíveis neste modo.



Se você não quiser mais jogar sozinho em suas aventuras, também é possível jogar com amigos. O jogo traz modos multiplayer local e online para partidas cooperativas, com suporte para até quatro jogadores. Já o modo Versus coloca dois jogadores para se enfrentarem. O problema é que é quase impossível encontrar outros jogadores nos lobbys. Em várias tentativas, só consegui jogar com mais um jogador no modo cooperativo uma vez, mas apesar disso o desempenho da partida foi satisfatório e sem grandes latências.

Apesar de se esforçar, o jogo não consegue de fato incentivar o jogador a explorar todos esses modos extras, principalmente por conta da repetição. Esse aspecto se agrava levando-se em conta que estamos diante de um relançamento de um jogo um pouco antigo e que traz exatamente o mesmo conteúdo da sua primeira versão. Portanto, pode ser difícil para alguém que já jogou Code of Princess encontrar alguma razão para revisita-lo, exceto pelas melhorias de performance em relação ao 3DS. No fim das contas, pelo valor cobrado de 40 dólares, o jogo não traz um custo-benefício interessante para quem já o jogou antes


A princesa ainda está no mesmo castelo

Code of Princess continua sendo um título um tanto tímido no Switch, tanto quanto foi no 3DS em seu primeiro lançamento. O jogo tem seu charme, é cativante e encanta em seu progresso pela história. Apesar de trazer bons elementos como um enredo minimamente interessante, personagens carismáticos e mecânicas acessíveis, falta um pouco de variedade ao título, sobretudo a respeito do que é oferecido para jogar mais de uma vez. É um beat’ em up bem construído e aceitável, mas não consegue (mais uma vez) exceder o nível mediano como um todo.


Prós

  • Protagonistas cativantes;
  • Bons elementos visuais e trilha sonora;
  • Mecânicas acessíveis;
  • Alguns elementos de RPG interessantes.

Contras

  • Torna-se rapidamente repetitivo;
  • Pouco incentivo para replays;
  • Modo online sempre vazio;
  • Não traz novidades para quem já jogou a versão original.

Code of Princess EX — Switch — Nota: 6.5

Análise feita com cópia digital cedida pela Nicalis
 Revisão: Ana Krishna Peixoto
Marcelo Vieira escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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