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Análise: Splatoon 2: Octo Expansion (Switch) — conheça os Octolings e desafie os seus limites

Ao som de muito hip hop, a primeira expansão paga da história de Splatoon exala estilo e conquista os fãs com muito desafio e conteúdo de qualidade.


Splatoon 2: Octo Expansion (Switch) é apenas mais uma prova de que, apesar de ter começado bem mais tarde que a competição, a Nintendo sabe exatamente como fazer uma excelente DLC. A primeira expansão paga do jogo traz muita música, personalidade e desafio. Todas as fases vão testar os seus limites e te recompensar com um novo jeito de olhar o mundo de Splatoon. Além de introduzir uma nova raça no multiplayer — os exilados Octolings — Octo Expansion consegue revolucionar como Splatoon lida com o seu single-player, injetando uma necessária profundidade em uma franquia que aos poucos se consolida no imaginário dos nintendistas.

Não aguenta? Bebe leite!

O modo história de Splatoon 2 (Switch) fez um ótimo trabalho em diversificar o que foi feito no primeiro jogo, explorando todas as armas presentes no multiplayer de maneira criativa em 32 fases bastante longas. Mesmo com as novidades, o modo era extremamente similar ao visto em Splatoon para Wii U e é essencialmente uma experiência pensada para consoles de mesa.

Octo Expansion traz uma nova abordagem às missões, mais adequado à natureza híbrida do Nintendo Switch. Temos muito mais fases, mas todas são bem mais curtas. A dificuldade é brutal, mas o jogo não te prende por não conseguir acompanhar. Sempre é possível pular fases que você tenha falhado muitas vezes e, acredite em mim, você irá falhar.
Se alguma fase for demais para você, não é vergonha nenhuma pedir ajuda da Marina para pular


Ao invés de explorar todo potencial de cada arma como no jogo base, dessa vez somos convidados a explorar os caminhos que Splatoon é capaz de seguir. Uma fase focada no stealth? Por que não? Será que Splatoon funciona com Picross? Quem sabe? Cada fase traz um objetivo diferente e elaborado, desafiando as capacidades do próprio jogo. O resultado é uma campanha que não enjoa nem os mais exigentes dos jogadores e que se reinventa a cada novo caminho.

Estética e nostalgia

A história é bastante eficiente em expandir a mitologia da série ao mesmo tempo que explora melhor velhos personagens e amarra algumas pontas soltas. Desta vez a protagonista é Agente 8, uma Octoling que perdeu a memória numa batalha contra a Agente 3 — protagonista de Splatoon (Wii U) — e acordou em uma misteriosa estação de metrô. Para retornar à superfície, Oito conta com a ajuda do Captain Cuttlefish, mentor do primeiro game, e das princesinhas do hip hop: Marina e Pearl.

Todos os personagens antigos tiveram uma repaginada no visual para combinar com o tema da DLC, que resolveu homenagear a cultura de rua dos anos 90. A estética noventista está em todos os lugares, desde os menus, tela de vitória, créditos do jogo e, é claro, no estilo dos personagens. Inclusive, Marina e Pearl tem roupas inspiradas nos rappers 2Pac e The Notorious B.I.G. respectivamente.
Os jovens chamam isso de  a e s t h e t i c s


Não é só no visual que vemos um novo lado dos personagens. Antes de uma reviravolta perto do final da expansão, toda história do jogo é entregue por meio de um chat entre os ajudantes da Agente 8 e por meio desse chat descobrimos muita coisa legal sobre cada personagem. A interação entre os três é divertida, sincera e inusitada, levantando alguns temas inusitados como racismo, gap geracional e algumas fotos do passado das personagens. Temos um pequeno vislumbre da Grande Turf War sempre referenciada nos jogos e até descobrimos como Pearl e Marina se conheceram. Ah, tem também a Pearl ensinando o Cuttlefish a mexer no celular, o que é hilário. Realmente vale a pena conferir.
Fadinhas do hip hop ao resgate!

Na batida dos Octolings

A música é um espetáculo à parte. Se no primeiro jogo o tema era pop rock, Octo Expansion aproveita os octolings para mergulhar de cabeça na cultura negra. As novas trilhas são um hip hop bastante energético que ressoa bem com a experiência impactante presente por toda expansão. Nasty Majesty, a música tema da expansão, representa bem os octolings com sua batida forte que exala poder.

Temos também o retorno de músicas populares do primeiro jogo, como Splattack! (Octo), cuidadosamente remixadas para se encaixarem melhor no jogo. Os remixes se encaixam muito bem e ajudam a fazer uma ponte entre as origens do Splatoon e os novos rumos da franquia.

Os octolings transpiram arte urbana e na música do jogo não seria diferente





A campanha que Splatoon 2 merecia

A Octo Expansion vai fundo na essência de Splatoon e consegue resgatar um potencial surpreendente para contar boas histórias. Nunca tivemos tantas cutscenes e elas ajudam a tornar seus personagens mais críveis e amáveis. O enredo em si tem várias reviravoltas e traz conceitos interessantes antes só explorados nos scrolls colecionáveis nas campanhas dos primeiros jogos.

Tudo na expansão é interligado de um modo tão orgânico com ela mesma e com os demais jogos de Splatoon que até parece que a história de Splatoon 2 serviu apenas como um prelúdio e que Octo Expansion  é o prato principal. A imensa quantidade de conteúdo vai te entreter por umas boas horas e no final vai ficar aquela sensação boa de quero mais. Enquanto a Nintendo não faz Splatoon 3, o jeito é aguardar e voltar pro multiplayer, agora com os estilosos Octolings.
O futuro de Splatoon depois da Octo Expansion parece ainda mais promissor

Prós


  • Dificuldade desafia até os mais experientes, sem impedir a progressão dos mais casuais;
  • Estilo noventista dita o design de diversos aspectos trazendo unidade visual;
  • Trilha sonora misturam novas músicas viciantes com remixes que detalham a cultura Octoling;
  • Velhos personagens voltam mais divertidos que nunca;
  • História intrigante aprofunda mitologia e apresenta interessantes reviravoltas.

Contra

  • Preço pouco convidativo; 

Splatoon 2: Octo Expansion - Switch - Nota: 9.5

Revisão: Diego Franco Gonçales




Gabriel Mattos escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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