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Análise: Minit (Switch) é tão rápido e superficial quanto um minuto pode ser

De minuto em minuto, solucione quebra-cabeças e avance nesta simples e charmosa aventura monocromática.

Minit chega ao Nintendo Switch com uma premissa muito interessante: cada partida dura exatamente um minuto. Quando o tempo termina o nosso carismático herói morre. Mas não se preocupe, não é permanente. Em seguida ele já está acordado novamente em sua casa — ou no último ponto de carregamento do jogo — para continuar tentando resolver tarefas e desbravando novos territórios em apenas 60 segundos. Como conceito, a premissa de Minit é bem bacana, mas na prática acaba sendo muito mais sobre repetir tarefas constantemente do que solucionar problemas com criatividade.

Um minuto para o fim do mundo

Há quase dez anos — mais precisamente em 2009, no Sony PSP — um título chamado Half-Minute Hero, da produtora japonesa Marvelous Entertainment, apresentou uma proposta muito original de gameplay baseado em tarefas rápidas e que deveriam ser solucionadas em apenas meio minuto. Minit pega emprestado essa ideia e cria em torno dela toda a sua mecânica. Porém, desta vez, acrescentando mais 30 segundos ao contador.


Entendeu a sacada com o nome “Minit”? Um minuto é tudo o que o jogador tem. Terminado este tempo, é "game over" e hora de voltar para o início. A cada novo start é possível acompanhar um cronômetro no topo da tela que conta os segundos de forma decrescente, e é neste curto período que temos que correr com o herói pelos cenários à procura de itens importantes e novos caminhos.

Pode parecer, mas não há qualquer semelhança com os famosos “roguelikes”, que tanto sucesso fazem hoje em dia. Em Minit o mapa é muito bem definido, e todos os itens coletados e puzzles solucionados permanecem após a morte do herói, o que de certa forma diminui o impacto do conceito, mas definitivamente contribui para uma jornada muito mais fluída e para que o jogador sinta que está, de fato, progredindo. Para ajudar no processo, alguns checkpoints estão espalhados pelo mundo, servindo de pontos de partida em cada novo recomeço e diminuindo as distâncias.


Por falar em mapa, este é dividido em blocos como em The Legend of Zelda. O que é perfeito para marcar a exploração limitada pelos 60 segundos: você começa e sabe que só conseguirá andar um determinado número de telas durante este tempo, ajudando a estrategizar seu progresso. À princípio pode parecer intimidante, devido ao limite de tempo, mas logo se nota que a estrutura é bastante simples e aos poucos novas passagens vão sendo desbloqueadas, liberando o compacto mapa em sua totalidade.

Simplicidade retrô e charme monocromático

A apresentação não poderia ser mais minimalista. A obra tem visual completamente monocromático, com sprites simples mas que esbanjam charme. Chega a lembrar a saudosa estética dos melhores títulos da era Game Boy — só que desta vez em alta definição e com uma tela com imagem infinitamente melhor no Switch. As animações fluidas e a jogabilidade precisa ajudam ainda mais a direção de arte a brilhar.


Para completar o pacote, os personagens encontrados durante a campanha são cheios de carisma e personalidade, dando um show à parte a cada novo balão de diálogo. Um desses personagens entregou uma das situações mais engraçadas do game: enquanto ele falava de forma lenta e pausada o local de um tesouro, eu via meu limitado tempo de vida escorrendo pelo cronômetro. Cheguei a rir de nervoso, mas adorei! São em momentos raros como este que é possível perceber o esmero dos designers em criar um jogo especial. Uma pena que sejam tão poucos durante a aventura.

Corridas constantes contra o relógio

Mas nem tudo são flores monocromáticas em Minit. Os quebra-cabeças espalhados pelo game são, em sua maioria, bem descomplicados. Pegar o item “A” e levar até o ponto “B” é o tipo de ação mais comum que você vai encontrar, sendo que o único desafio será descobrir como fazer isso dentro dos 60 segundos de partida. Este interessantíssimo sistema de “correr, morrer e repetir” é divertido e diferente à princípio, mas na parte final do título — quando os puzzles começam a ficar mais complexos —, estar prestes a solucionar um problema e morrer, tendo que lidar com as constantes voltas ao início, se torna irritante e enfadonho.

Isso tudo sem contar com a ansiedade gerada por aquele reloginho no topo da tela. Se você é como eu, vai sentir falta de ter mais tranquilidade para explorar os cenários e analisar as dicas visuais que o jogo oferece para as soluções dos quebra-cabeças. Tudo é muito rápido em Minit, quando estava começando a entender um puzzle, meu tempo já estava acabando. Por diversas vezes usei o botão share do Switch apenas para poder analisar uma imagem com mais calma depois.

Eu sei, estou sendo um pouco exagerado. Afinal, o limite de tempo e as mortes constantes são o que fazem de Minit um título diferente e original. Mas também é o que faz o fluxo rápido do jogo ser constantemente interrompido. Por sorte, o gameplay é quase perfeito, exigindo alguns poucos comandos simples e precisos para que o nosso herói bicudo possa dominar as ameaças no melhor estilo Link, da série Zelda.

Um Minit passa muito rápido

Minit é curto, bem curto. Com paciência e um bocado de repetição e tentativa e erro, é possível terminar a história principal em pouco mais de uma hora. Quando menos se espera já estamos na batalha final, sem aviso prévio. São pouquíssimos momentos de combate durante o game, mas o último chefe é um espetáculo à parte, que deixa um gostinho de quero mais. Com uma jogabilidade tão competente, é uma pena que o jogo não apresente mais chefes e inimigos mais variados (são pouquíssimos). Mesmo após o fim, o título permite que o jogador continue à procura dos itens secretos e easter eggs restantes espalhados pelo mapa. Se você gosta de completar 100%, é uma opção válida.

Como bônus, depois de terminada a jornada pela primeira vez, somos presenteados com o modo “New Game+”. É algo como o “Master Quest” dos jogos da série The Legend of Zelda, que não apenas redistribui vários elementos pelo cenário como também subtrai os corações e 20 segundos dos 60 originais em cada partida, deixando a missão de terminar a campanha muito mais desafiante. É uma tentativa de injetar um pouco mais de longevidade à experiência, mas, no final das contas, é apenas mais do mesmo.

Será que faltou tempo?

Em meio à enxurrada de jogos independentes que chegam semanalmente ao console híbrido da Nintendo, não há como negar que Minit se destaca com folga entre eles. O game é a cara do Nintendo Switch: charmoso, carismático, cheio de personalidade e gostoso de controlar. Por outro lado, fica a impressão de que poderia ter sido maior e melhor.

É um jogo que aposta todas as suas fichas em uma única mecânica (tempo), mas esquece todas as outras. A prova disso é a genial batalha final, que demonstra como o título tinha potencial para ser uma aventura de ação mais dinâmica e variada. De qualquer forma, se você procura uma experiência curta e diferente, Minit pode cair como uma luva. Mesmo que pareça durar apenas sessenta segundos.

Prós

  • Premissa interessante;
  • Personagens super carismáticos;
  • Mapa recheado de segredos e easter eggs;
  • Última batalha é surpreendente e épica.

Contras

  • Muita tentativa e erro, e o limite de tempo pode ser frustrante de vez em quando;
  • O chefe final é a única batalha realmente interessante de toda a jornada;
  • A aventura passa tão rápido que parece durar apenas um minuto.
Minit — Switch/PS4/Xbox One/PC — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Vinícius Fernandes
Análise produzida com cópia digital cedida pela Devolver Digital
Carlos Eduardo Cirne escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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