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Análise: Rocket Fist (Switch) entrega divertidas batalhas com socos-foguete

Controle um pequeno robô em uma arena e derrote seus adversários com socos-foguete em uma empolgante experiência multiplayer.


Rocket Fist foi lançado em 10 de outubro de 2017 no Nintendo Switch. Conhecido como o primeiro jogo brasileiro na plataforma, trata-se de uma criação de Daniel SND, fundador da Bitten Toast Games.


Eu adquiri o jogo no mês seguinte ao lançamento, muito por comprar a sua divertida proposta multiplayer e um pouco pelo desapontamento com o nível que estava Super Bomberman R (Switch), praticamente injogável em seus primeiros meses e que continuou não empolgando por algum tempo até que foram feitas diversas atualizações — eu considero a proposta dos dois um pouco parecida.

Rocket Fist é citado geralmente como um jogo de queimada entre robôs, mas apesar de entender e aceitar eu não gosto do termo. Considero-o um party game, numa pegada bem arcade, com um objetivo de vitória específico: destruir todos ao redor do nosso personagem com socos-foguete.

Nada como reunir a galera e aproveitar a jogatina

Seu modo de jogo mais marcante com certeza é o multiplayer, no qual até quatro jogadores se enfrentam em arenas fechadas, com visão superior e alguns obstáculos que servem como cobertura. O objetivo é pegar punhos-foguete que estão disponíveis no cenário e atirar nos inimigos, destruindo-os. Apesar da proposta inicial simples, as mecânicas do jogo apresentam novas camadas de jogabilidade, e assim vamos naturalmente percebendo maneiras mais efetivas de atacar ou se defender.

Além de ir em linha reta, os socos que atiramos podem ricochetear pelas paredes e coberturas, derrotando os adversários de maneiras que podem ou não ter sido previstas pelo jogador. Ao acertar punhos que estão sem dono no cenário, eles adquirem a cor do nosso e são movidos como em um jogo de sinuca, transformando o que era um em dois ou mais projéteis a nosso favor. Também é possível fazer um dash para desviar de tiros inimigos e, com alguma competência e muita sorte, agarrar ataques vindo em nossa direção.

Antes de entrar numa dessas partidas, podemos personalizar nosso robozinho com algumas fantasias e escolher sua cor. Caso faltem amigos disponíveis para jogar no momento, até três bots controlados pela CPU podem ser colocados em jogo. Existem duas condições de vitória a escolher: no Mata-mata, quem destruir um número pré-determinado de robôs adversários entre as várias rodadas vence, enquanto em Sobrevivência escolhemos um número de vidas, e o último jogador de pé é o vencedor.


Uma outra opção interessante que pode ser ativada são poderes. Estes itens modificam um pouco a jogabilidade, fazendo o tempo ficar mais lento, deixando quem o pegou mais rápido ou fornecendo um escudo que dura alguns segundos, entre outras opções. As novas possibilidades tendem a deixar o jogo um pouco mais caótico e divertido, mas também podem ser usadas de forma estratégica para obter a vitória na partida.

Por último, outro opcional que lembra bastante a série Bomberman é a possibilidade de se ativar fantasmas. Quando um jogador é derrotado, ele pode ficar nas bordas do mapa atirando raios, que quando acertam, paralisam os jogadores de dentro da arena, deixando-os por poucos segundos alvos fáceis para os adversários. Afinal, party games servem para divertir e também causar uma bela treta entre os amiguinhos.

Além das coberturas, alguns dos mapas do jogo possuem características únicas, como a possibilidade de entrar em um lado e sair do outro, esteiras que dificultam o andar em certas direções — e obviamente facilitam para a direção contrária — e até com água, onde a correnteza empurra para um lado do cenário. É possível reunir uma turma e jogar rapidamente várias partidas. A diversão é garantida mas o online não está inserido nessa receita.


Tem aventura também

O jogo também possui uma campanha single player, com 25 fases dispostas em cinco níveis. Após caracterizar nosso robô, a linha de montagem encontra um vírus, e o descarta. Assim, vamos descendo pelos diversos níveis e enfrentando outros robôs defeituosos, tendo sempre um chefe na quinta fase.

Existem poucos, mas diferentes inimigos que se misturam cada vez mais enquanto progredimos. Sua aparência e cor denotam seus padrões e características, que podem ser mais simples ou mais agressivas. Como exemplos temos o robô vermelho, que atira rapidamente quando pega um punho, e as aranhas, que se dividem em duas menores quando acertadas. As batalhas contra chefes exigirão diferentes cuidados e estratégias.

Existem três níveis de dificuldade, que funcionam de forma bem gradual e o desafio realmente muda bastante entre cada um. Além de deixar as coisas mais agitadas, o nível difícil faz com que o jogador volte mais fases ao perder todas as vidas que no normal, por exemplo. Não são necessárias muitas horas para se fechar a campanha em sua dificuldade padrão, mas a difícil pode render boas horas de replay de acordo com a habilidade do jogador. O game também conta o tempo necessário para completar cada nível e, portanto, é possível se desafiar a passar mais rapidamente.


Altos, baixos e expectativas

O game possui gráficos competentes, feitos com carinho e atenção aos detalhes. Percebe-se uma preocupação em destacar os elementos do jogo, principalmente os punhos e inimigos, para que sejam facilmente identificáveis durante as jogatinas mais agitadas. Os controles são precisos, e sua simplicidade funcional facilita que qualquer tipo de jogador, inclusive crianças, consigam aprender rapidamente e jogar de igual para igual com os mais experientes. A trilha sonora eletrônica composta por Thiago Adamo cai como uma luva, compondo a alma do jogo e dando tom às frenéticas partidas.

O único ponto que me incomodou foi a infeliz aparição de alguns bugs. Às vezes, ao derrotar todos os inimigos no modo single player, o alçapão para a próxima fase não se abre, e uma nova leva de inimigos não aparece, fazendo necessário o reinício do jogo. 

Outro ponto que senti falta foi de itens desbloqueáveis. Apesar de possuir um conteúdo condizente com seu valor de dez dólares, seria interessante que o jogo possuísse um sistema de moedas capaz de fornecer novas skins e cenários, como ocorre em Bomberman. Os próprios inimigos do jogo poderiam servir de fantasias extras para o multiplayer, mas é um fato que não deve acontecer no momento, já que o estúdio se encontra focado em outros projetos. Quem sabe no futuro?


O importante é se divertir

Para aqueles que não jogaram ainda e procuram um divertido party game arcade para se divertir com os amigos e a família no sofá, Rocket Fist pode ser uma ótima pedida. Apesar de sua sua proposta simples, eu sempre retorno a ele, e é incrível como mesmo após repetirmos várias vezes o mesmo modo, a experiência pode ser diferente, já que os acontecimentos dependem das ações do jogador. Muitos sorrisos e gargalhadas acompanham estes momentos.

Prós:

  • Controles simples e precisos;
  • Single player funcional e abrangente;
  • Multiplayer rápido e divertido;

Contras:

  • Problemas técnicos;
  • Não possui campanha cooperativa, nem multiplayer online.
Rocket Fist — PC/PS4/XBO/Switch — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Vitor Tibério
Análise produzida com cópia digital adquirida pelo redator
Lucian Helan é formado em Redes de Computadores, mas gosta mesmo é de pilotar uns Karts por aí, atirar plasma com seu mega buster, correr em loops a toda velocidade e derrotar crocodilos ladrões de bananas. Seus sonhos incluem, pilotar uma X-Wing, andar no recreio com o Peter Parker e conseguir um tempo para se dedicar ao seu Instagram.

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