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Análise: Slam Land (Switch) erra a enterrada sem nenhuma marcação

Título indie inspirado em Smash Bros. é bem charmoso, mas peca em quesitos básicos.

Se existe um tipo de jogo que vem revivendo seus tempos mais áureos no mercado de jogos atual, com certeza ele faz parte do saudoso subgênero de jogos de luta conhecido como “Platform Fighter”. Desde seu auge nos anos 2000, esse estilo criado por Super Smash Bros. 64 nunca havia sido tão bem representado com jogos de alto nível quanto ultimamente. Títulos bem-sucedidos como Rivals of Aether, Slap City, Brawhalla e o hype gigantesco em cima de Super Smash Bros.: Ultimate para o Switch apenas reforçam ainda mais essa ideia.


É fato que se destacar no meio desses gigantes é realmente uma tarefa difícil, porém, não há nada que impeça um novo jogo indie de tentar agarrar um pedaço dessa fatia oferecendo uma proposta diferente. De olho nisso, a desenvolvedora Bread Machine Games resolveu apostar em Slam Land (Switch), um party game competitivo em que o principal objetivo é enterrar os adversários em portais para alcançar a vitória. Mas será que essa premissa diferente é o bastante para bater de frente com os rivais do gênero?

Enterrando tudo que existir

A princípio, Slam Land funciona exatamente como um Platform Fighter normal, no qual quem ganha é o jogador que restar vivo no final ou realizar mais pontos no tempo limite, dependendo do modo escolhido. O que difere o jogo dos demais, porém, é o enorme foco da jogabilidade em torno da mecânica de agarrar e enterrar os adversários nas “Blast Zones”. É claro que ainda é possível socar, mas o ataque é bem limitado e só serve para facilitar os agarrões.

Um dos quesitos mais diferentes do título é o estilo visual que parece ter certa inspiração no humor non-sense típico dos desenhos atuais da Cartoon Network. Todos os cenários e personagens selecionáveis são tão malucos que se torna corriqueiro presenciar cenas bizarras, como uma aranha quadrúpede arremessando uma caveira azul em uma estátua gigante no espaço.



No total, Slam Land oferece 3 modalidades diferentes da usual disputa por tempo ou stocks. Em “Trash”, vence quem enterrar mais sacos de lixo; no modo “Peanut”, algo semelhante acontece, só que o objeto dessa vez aumenta o seu valor em pontos de acordo com o número de vezes que interage com um jogador; já em “Horse”, cada cabeça de cavalo representa uma letra e o objetivo é ser o primeiro jogador a conseguir enterrar cavalos suficientes para completar a palavra "HORSE". A chamativa "Slam Tour" é apenas um mini-torneio disputado em todas as modalidades. 

Tendo em vista que apenas dois dos cinco modos disponíveis requerem obrigatoriamente agarrar ou socar seu oponente para conquistar a vitória, é notável que se divertir casualmente vem em primeiro lugar para Slam Land. No entanto, isso não necessariamente quer dizer que o título é bem-sucedido nessa missão.

Batendo de cara na tabela

Os primeiros segundos de jogatina representam muito bem o que te espera em Slam Land: muita confusão. Toda vez que se inicia o jogo, um breve tutorial nos ensina os dois comandos para agarrar e enterrar. Até aí tudo bem, o problema é que essa é a única coisa explicada no jogo inteiro! Movimentos importantíssimos como a esquiva e o soco não são ensinados em momento algum para o jogador e nenhum modo de jogo deixa explícito as suas regras. Por esses e outros fatores, é normal demorar 4 partidas apenas para aprender como pontuar no modo “Horse”, por exemplo.

Essa falta de explicações acaba complicando demais algo que deveria ser apenas casual e divertido. Diferentemente de qualquer Smash Bros. da vida, não é tão fácil assim simplesmente chamar a turma inteira para jogar e esperar que todo mundo se vire bem, pois enterrar os oponentes não é uma mecânica simples o bastante. Controlar cuidadosamente a direção da enterrada no meio da confusão e se livrar dos agarrões inimigos são tarefas um tanto complicadas e irritantes, principalmente para algo tão trivial dentro da partida.




A ausência de um simples modo de treinamento para aprimorar os movimentos com calma é o cúmulo de toda essa desinformação dentro do jogo. Ausência, esta, que também se dá na variedade de gameplay dos personagens. Nenhum deles tem sequer uma peculiaridade diferente, todos controlam e funcionam da exata mesma maneira. Essa falta de diversidade é bem prejudicial para um jogo desse estilo e torna a jogabilidade bem enjoativa com o tempo.

Às vezes, parece que Slam Land não sabe se quer ser casual ou hardcore. Ao mesmo tempo que existe muita burocracia para ser um jogo casual, a jogabilidade também é rasa demais para ser competitiva. Essa indecisão acaba apenas piorando a situação e, como resultado, faz com que o título não agrade nenhum dos dois lados.

Escassez de diversão

Se você acha que só existe isso de problemático em Slam Land, saiba que o buraco é bem mais embaixo. Começando com o conteúdo praticamente inexistente. Esqueça os modos história, arcade, treinamento, galeria, customização de roupas, minigames, desafios extras ou qualquer coisa que sirva para manter o jogador entretido. Tudo que existe para fazer no título são as 5 modalidades de competição que quase não se diferem uma da outra. Até mesmo as configurações de opções gerais são extremamente escassas.

É claro que estamos falando de um jogo que não tem o foco na experiência single player, mas Slam Land também não se ajuda. Acontecem tantas falhas na programação da inteligência artificial dos bots que tentar jogar sozinho só causa dor de cabeça. Eles são injustos e preveem todos os seus movimentos nas dificuldades mais altas, mas só quando não estão se matando e ficando travados no mesmo lugar toda hora. Esses problemas acontecem tão frequentemente que chega a ser engraçado.



Nem mesmo o multiplayer que era para ser o principal aspecto do jogo consegue salvar Slam Land. Os duelos de 1 contra 1 são tão maçantes que obrigam o jogador a preencher as vagas com os bots irritantes. Como eles estragam completamente a experiência, só é possível se divertir se pelo menos 2 pessoas estiverem te acompanhando. Se você só tem um amigo para jogar, é melhor desistir, porque a possibilidade de jogar online está longe de existir no título.

Se tudo isso não bastasse, jogar com 4 lutadores na arena ainda é extremamente decepcionante e enjoativo. Uma partida de Slam Land tem tanta poluição visual na tela que é quase impossível não perder o seu personagem de vista 3 vezes por minuto. Por mais que existam diversos personagens e algumas roupas alternativas, a maioria ainda é bem parecida quando vista de longe. Essa confusão generalizada acaba constantemente transformando as partidas em um concurso de quem é melhor em achar o Wally de “Onde Está Wally?”.

Muito estilo e poucos pontos

Felizmente, alguns aspectos do título ainda se salvam no meio de toda essa confusão. As músicas e falas do narrador, por exemplo, são viciantes e geram um clima bem único, mas como tudo nesse jogo, ainda são escassas em quantidade. Também é importante citar que é totalmente possível se divertir e arrancar boas risadas jogando com os amigos, principalmente nas primeiras partidas quando o jogo ainda não se tornou enjoativo.

Qualidades à parte, Slam Land ainda continua sendo uma bagunça em forma de videogame. Pecando em quesitos básicos, o jogo parece que está incompleto em todos os lugares. Com futuras atualizações, ainda é possível extrair leite dessa pedra, mas por enquanto, é um título que deve ser evitado, especialmente se você não tem amigos para jogar.

Prós

  •  Jogar com amigos até pode ser divertido por um tempo;
  •  O estilo artístico e as músicas são bem charmosas.

Contras

  • Inteligência artificial dos bots peca muito;
  • Pouquíssimo conteúdo e modos de jogo;
  • Necessita de pelo menos mais 2 amigos para se tornar no mínimo divertido;
  • Mesmo jogando com amigos, o jogo enjoa bem rapidamente;
  • É muito difícil encontrar os personagens no meio da confusão;
  • Sem funções online em um jogo focado em multiplayer.
Slam Land — Switch/PC/PS4 — Nota: 5.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Ana Krishna Peixoto
Análise produzida com cópia digital cedida pela Bread Machine Games
Rhuan Bastos Rodrigues escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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