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Análise: State of Mind (Switch): um futuro caótico influenciado pela tecnologia

Um drama interativo que aborda o transumanismo e as consequências que o avanço tecnológico pode causar para a humanidade.


Em um mundo totalmente modificado pela tecnologia, onde os seres humanos convivem com robôs e realidade virtual, uma organização aplica todos os seus esforços para evoluir a humanidade. Mas essa evolução traz consequências devastadoras para o planeta, onde os recursos naturais são escassos e a desigualdade social aumenta gradativamente.



Esse é o contexto de State of Mind, um game de aventura point-a-click/drama interativo aos moldes dos jogos da Quantic Dreams. Produzido pela Daedalic Entertainment, foi lançado em 2018 para o híbrido da Nintendo e para outras plataformas, e acompanha  a busca de um homem pela sua família e o impacto da tecnologia na vida dos seres humanos.

Black Mirror

A Terra  de 2048 não é muito parecida com a atualidade, mas alguns aspectos não mudaram: as guerras intermináveis entre o Oriente e Ocidente do planeta, a escassez de alimentos, o desemprego e a pobreza.

Nesse futuro distópico, as pessoas contam com assistentes pessoais robotizados, implantes de realidade aumentada, telefonemas por meio de hologramas e outros artefatos tecnológicos que teoricamente facilitariam a vida dos seres humanos.


A maioria da população apoia o avanço da tecnologia, porém existe uma organização hacker denominada Breakpoint que luta contra o sistema. Eles acreditam que a ideia de progresso afeta diretamente as pessoas, já que elas estão adoecendo devido à poluição e perdendo seus empregos para os robôs humanoides.

Outro que não está nem um pouco satisfeito com essa realidade é Richard Nolan, um famoso jornalista mal-humorado que trabalha no The Voice, o principal veículo de comunicação de Berlim no ano de 2048. Nolan foca suas críticas no avanço tecnológico, e devido às suas denúncias o jornalista enfrentou processos e criou desavenças com empresários no ramo da tecnologia.


Richard Nolan vê sua vida mudar repentinamente após um acidente de carro onde ele perde sua memória. Quando retorna ao lar, se depara com o sumiço misterioso de sua esposa e de seu filho. Sem outra alternativa, o jornalista decide investigar por conta própria o desaparecimento de sua família e descobre uma conspiração muito além do que ele imaginava encontrar.

Em uma outra cidade chamada City 5, vive Adam Newman, um homem que coincidentemente se recupera de um acidente semelhante ao de Nolan. Ao contrário do jornalista, Adam vive com sua esposa e filho, é valorizado em seu emprego e mora em um local bem tranquilo, totalmente diferente da caótica Berlim de 2048. Para Adam tudo está completamente perfeito, até Richard Nolan entrar em sua vida.

Luz, câmera e ação!

State of mind tem como foco principal a narrativa. O jogador precisa coletar pistas para desvendar o mistério que envolve a família de Richard Nolan e entender o que está acontecendo ao seu redor, isso inclui realizar ligações para seus contatos, conversar com NPCs e explorar o cenário. Os pontos de interesse são demonstrados com pequenos triângulos de cabeça para baixo que identifica os locais que podem ser investigados pelos personagens.

Como os outros dramas interativos, não existe um game over: a jogabilidade é baseada em diálogos com outros personagens e decisões que Richard Nolan deve tomar durante sua jornada, e essas decisões não influenciam muito no decorrer do game, apenas em momentos específicos, demonstrando a linearidade de State of Mind.


Durante o gameplay, ocasionalmente surgem alguns minigames que complementam os acontecimentos. Infelizmente, eles aparecem com pouca frequência, talvez para não quebrar o ritmo da história.

O jogo é dividido em capítulos onde é possível encarnar diferentes personagens que ajudarão o protagonista relembrar acontecimentos do passado, como por exemplo quando Nolan conhece sua esposa e seu assistente pessoal humanoide chamado Simon.

Existem alguns momentos onde se torna possível alternar entre os personagens para resolver puzzles de um modo cooperativo, o que deixa o game mais interessante, já os protagonistas Nolan e Adam podem ser alternados sempre que necessário.


Apesar do Nintendo Switch não possuir um sistema de recompensas, State of Mind possui um sistema de conquistas que premia o jogador por realizar determinados feitos no jogo, o que proporciona um fator replay para aqueles que gostam de finalizar o jogo por completo; entretanto, isso não aumenta a sobrevida do game.

O futuro apresentado em low poly

Em State of Mind, todos os elementos são construídos em low poly, torna-se mais evidente em objetos mais próximos e nos personagens. Esse belo estilo de arte se encaixou muito bem em um jogo que retrata a modernidade, mesclando gráficos do final dos anos 90 com um universo de ficção científica futurista.


Os cenários são contemplativos, porém repetitivos, pois a maioria do tempo os protagonistas do game passam em suas casas, na praça principal e no trabalho, apesar de existirem outros locais para serem explorados com outros personagens ao longo do jogo.

A interação do personagem com o ambiente também é um fato a ser destacado. Preparar uma refeição, tocar piano, ouvir músicas são algumas atividades triviais que podem ser realizadas pelos protagonistas como em outros dramas interativos, mas com menos quantidade de opções de interação. Há uma trilha sonora melancólica que ajuda na construção da atmosfera do game.


Como o jogo é totalmente baseado na narrativa, State of Mind não tem dificuldade alguma, o jogador assume uma posição passiva no jogo ouvindo diálogos, assistindo cutscenes e escolhendo a resposta que julgar mais adequada para cada situação apresentada.


A movimentação dos personagens não é um ponto a ser exaltado, pois constantemente eles travam em cantos e quinas dos cenários. Em alguns momentos nota-se alguns bugs de renderização ocasionais, porém eles não atrapalham nem um pouco durante a jogatina.

Em um universo paralelo

State of Mind conta com uma boa história que explora diversos temas, como o desemprego, as guerras e principalmente a tecnologia. Apesar de todos eles serem demonstrados no jogo, esses temas não têm tanto destaque como o transumanismo que é enfatizado no game.

A ideia de um universo virtual utópico aos moldes de Matrix é bem explicitado e nos faz refletir a respeito sobre o futuro que a humanidade pode tomar.


Por não existir nenhuma ação durante o jogo, o game oferece um início lento, mas que aos poucos vai engrenando. Isso instiga o jogador a desvendar o mistério do desaparecimento da família de Richard Nolan e o porquê de Adam Newman ser tão semelhante a ele.

Vale ressaltar que o jogo está totalmente em português, tanto nos menus quanto nas legendas, o que facilita para um melhor entendimento da história. Um game visualmente bonito e com uma boa história que agradará os fãs de um gênero que não é tão popular no Nintendo Switch.

Prós:

  • Belos gráficos construídos em low poly;
  • Enredo interessante;
  • Jogo completamente em português;
  • Atmosfera futurística bem construída. 

Contras:

  • Cenários repetitivos;
  • Movimentação dos personagens prejudicada;
  • Dificuldade inexistente;
  • Poucos minigames.
State of Mind  Switch/PS4/XBO/PC – Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Diego Franco Gonçales
Análise produzida com cópia digital cedida pela Daedalic Entertainment
Pierre Oliveira é formado em letras e skatista nas horas vagas, fascinado por jogos eletrônicos desde que se conhece por gente. Acredita que o melhor videogame lançado até hoje foi o Super Nintendo, embora seja apaixonado pelo seu Playstation 3. Seus jogos prediletos são Donkey Kong Country 2 e Heavy Rain, pode dificilmente ser encontrado no Facebook.

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