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Análise: WarioWare Gold (3DS) é ouro puro convertido em diversão e desafio

WarioWare Gold traz o anti-herói mais carismático em sua totalidade. Ambicioso e astuto, Wario cria seu próprio campeonato de e-sports neste game.


Com quase uma década de seu lançamento, muitos estavam sentido falta de um certo anti-herói nos portáteis da Nintendo. Um sujeito que é antítese do Super Mario em pessoa.


WarioWare Gold é a adição obrigatória do 3DS que, sem dúvida, demorou para aparecer. Mas sabíamos que a sua chegada era inevitável e aconteceria mais cedo ou mais tarde. A série surgiu e floresceu nos portáteis da Big N. E como seu nome diz, o game promete ser ouro puro.


O nome remete àquelas versões definitivas de games, que prometem trazer todas as novidades, DLCs e adições possíveis já feitas. De certo modo isso acontece aqui, mas não se engane! É um título novo, sem perder a essência de seus antepassados – senão, não seria Nintendo.

E além dessa relação mercadológica, Gold [ouro] tem tudo a ver com o Wario, que tem uma queda forte por quase tudo de valor e que brilhe, principalmente o mineral. E para ele não há limites para se alcançar o que almeja, tanto que pudemos vê-lo em diversas encrencas pelos vários jogos em que apareceu.

E Gold, por fim, tem muito a ver com a quantidade absurda de conteúdo presente no game. A equipe de desenvolvedores fez um game que desperta a ganância do jogador, por microgames, pontuação, desbloqueáveis e desafios.

Ouro para o melhor plano de enriquecimento

Esse é o primeiro game da série a ter cenas totalmente animadas e dubladas para os seus desafios. Cada personagem apresenta uma pequena história que guia o jogador até os momentos finais do modo principal. Essa adição é realmente significativa, pois não só quebra os padrões estabelecidos ao longo da série, mas também cria outros para os futuros títulos.

Wario, desta vez, rouba um vaso dourado (olha “Gold” aí novamente) em um templo longe de sua cidade e, ao voltar para casa e notar que está na pindaíba, decide se valer de um mercado que não apenas dá muito dinheiro, mas que é, aparentemente, muito fácil de se fazê-lo o mercado de games (muitos pensaram nos bitcoins, eu sei). Para isso, Wario convoca sua turma para levantar um enorme game, afim de criar um grande campeonato que irá tornar o ganhador rico, enquanto o nosso anti-herói aumenta sua fortuna nos bastidores.

A história em si não surpreende, mas acompanhá-la ao som da incrível interpretação de Wario por Charles Martinet (também dublador do Mario) é uma experiência para lá de divertida e prazerosa. O elenco de dubladores faz um trabalho competente ao trazer os diversos personagens à vida neste título. São mais de dez historinhas divertidas para apreciar e, além de contextualizar, mostrar qual é a pegada de cada indivíduo e, consequentemente, de seus microgames. O game tem suporte para até cinco idiomas. Infelizmente o português não é uma delas.


Ouro para os minigames que, de tão pequenos, são microgames

Microgames pois de tão curtos são até menores que os minigames. Falando neles, são mais de 300 no total, um valor realmente substancial para a série e até para a maioria dos games do gênero.Como comparação: o título da franquia com a maior coletânea até então era WarioWare: Twisted! (GBA), com 223 microgames no total. Temos em Gold, uma adição de peso, que mistura os desafios lançados em títulos anteriores da série, agora reformulados, com novos exclusivos de WarioWare Gold.

Exceto os desafios finais de cada personagem e os especiais, que focam em pontuação, os microgames têm, em média, até cinco segundos para serem concluídos, abrangendo algumas das funcionalidades do console.

Eles são divididos em quatro categorias de mecânicas, isso pois o game busca cobrir a maioria das funcionalidades que o 3DS pode oferecer, combinando-os para trazer dinamismo à jogatina. 
  • Touch [Toque] – usa da tela sensível ao toque do console;
  • Twisted [Torção] – usa o giroscópio do 3DS;
  • Blow [Soprar] – desafios que usam o microfone;
  • Mash [Amassar] – microgames em que os botões (A, B e os direcionais) são necessários.
Poucos microgames misturam essas mecânicas. Isso é justificado no modo história, que os divide em ligas, nas quais o jogador usa apenas uma funcionalidade para completar a história de cada personagem. Mais ao final da aventura eles são postos em modo aleatório e o jogador apenas fica sabendo qual mecânica que deve usar para vencer o desafio pouco antes dele começar. 

Até então a série buscava aproveitar ao máximo alguma das novidades que um console específico trazia, por exemplo WarioWare Touch It! (NDS), que apenas usava a tela de toque, ou o WarioWare Snapped (NDSi) que usava a câmera do DSi. Essas escolhas limitavam a produção a não ir além dos limites de cada console. Com Gold esse tipo de limitação foi esquecida, já que a família 3DS traz diversas funcionalidades, limitando ao mínimo a diversão.

Infelizmente o game não usa o efeito 3D do console. Algo, no mínimo, interessante. Comentei mais acima que este jogo demorou para chegar, mesmo com toda a popularidade da série e do console. Também comentei que essa série, até então, valia-se das principais funcionalidades de cada plataforma.

Mas justamente agora ela não o fez. Talvez para evitar perder um público mais jovem, consumidor do 2DS, já que a jogabilidade ficaria severamente comprometida sem a principal função do console. Mesmo assim, a saída encontrada foi feliz e trouxe um título divertido. Mas que é uma pena não usar o 3D, isso é.

Ouro para o bom-humor

Uma coisa que não se pode desassociar a WarioWare é o bom humor, característica chave que rege toda a série. Assim como Wario, o humor vai na contramão do que se espera num game de comédia da Nintendo, pois se pensarmos em Mario, imaginaríamos um título engraçado, porém algo fofo e imaculado.

Quem conhece WarioWare provavelmente está rindo de uma explicação tão suave, já que a franquia é de um humor nonsense com um leve ar escatológico, nada nojento de fato. Mas saiba que há um gênero de microgames chamado That’s Life [É a vida] que o seu símbolo é uma privada... então, já é possível imaginar o que está por vir.

Mas nem só no banheiro vive o homem, como bem sabemos. Os outros microgames também têm relação com esportes, muitas vezes com desafios que envolvem basquete, baseball, vôlei e até artes marciais. Há também microgames do gênero fantasia, que levam os jogadores a mundos mágicos para realizar desafios que vão do simples ao épico. 


E, sem dúvida, a temática que deixa qualquer fã contente: a Nintendo. Pois sim, há um gênero que visa única e exclusivamente homenagear e brincar com o universo nintendista. O jogador poderá retirar a Master Sword de seu pedestal, ou acertar os Joy-Con de um Switch pelado. Nessa temática seremos apresentados à família Volt, o núcleo familiar gamer que todos nós gostaríamos de fazer parte. 

O jogador vai se encontrar rindo em vários microgames, mesmo se perder, pois muitos retratam situações corriqueiras de forma bem-humorada, como lutar para entrar um banheiro público lotado, ou conseguir enfiar direito os dedos no nariz. O recurso da surpresa também é recorrente para nos fazer pensar, enquanto jogamos: “por que eu estou rindo disso?”

Ouro para os desafios

Claro que essa graça toda é mais no início do game, ou em modos mais simples, pois ao passo em que o jogador avança em modos mais desafiadores, a graça é trocada por adrenalina. A trilha sonora do game dita o ritmo da jogatina, que vai se tornando cada segundo mais frenética e o jogador se verá com os reflexos treinados para completar os desafios de forma instantânea, pois segundos, ou milésimos, começam a fazer toda a diferença.

A dificuldade deste game está na medida. Sem dúvida não é mais fácil da franquia, mas a experiência de jogá-lo é desafiante e nos modos competitivos a coisa fica séria. O game só tem três dificuldades gradativas, mas como já foi citado, o tempo deixa de ser um aliado e combinado à dificuldade máxima, torna-se um verdadeiro inimigo. 


Quando o jogador começar a beirar pela pontuação 40, o console estará com marcas de suor nas áreas onde é segurado, com o jogador olhando as duas telas com muita atenção.

Os microgames, apesar do número absurdo, são bem distribuídos por cada fase no modo história, então não haverá a sensação de fases mais longas ou mais curtas. Aqui o jogador não sente que há tantos assim, já que cada fase o faz ter um contato relativamente intenso com uma pequena porção de cada um. O que é bom, pois prepara para os modos alternativos que misturam todos eles em um balaio randômico.

Ouro para os vários modos de jogo

O fator replay de WarioWare é bem explorado, principalmente com a quantidade grande de modos e conteúdos extras. A equipe de desenvolvimento pôs um esforço homérico para criar tantos modos de jogo. Todos têm um nível de dificuldade elevada, nenhum chega a ser fácil de verdade. Refazer as fases do modo história é o recomendável para os jogadores menos ousados.

Mesmo desafiadores, os modos extras são muito bem pensados, trazendo os minigames em um contexto realmente divertido e dinâmico. Dando uma nova roupagem e propósito para eles. 


All Mixed Up [Tudo Misturado]: é o mais fácil, por assim dizer. É o modo em que todos os minigames desbloqueados aparecem de forma randômica. O jogador começa com quatro vidas. A velocidade e a dificuldade são aumentadas de forma gradativa.

Thrill Ride [Volta da Adrenalina]: aqui é onde as coisas começam a esquentar. O modo mistura todos os microgames, mas o jogador só tem uma tentativa.

Super Hard [Super Díficil]: modo com a velocidade no máximo. O jogador pode escolher usar uma das mecânicas ou todas misturadas.

WarioWatch [Relógio do Wario]: neste modo não há vida. O game acaba quando o marcador do relógio chegar a zero. Para que isso não ocorra, o jogador deve ganhar os microgames com o maior tempo de sobra possível para que os segundos restantes sejam adicionados ao contador, do contrário haverá menos tempo a cada rodada.

Sneaky Gamer [Jogador Sorrateiro]: 9-Volt, o caçula da família nintendista, quer jogar seu 3DS no horário de dormir. Ele deve se esconder da 5-Volt, porém não muito, senão ele cai no sono. E claro, não pode perder nos microgames.

Wario Interrrupts [Wario Interrompe]: esse modo recria a última fase do modo história, com um porém: Wario, com seus novos “poderes”, atrapalha o jogador. Em alguns casos o jogo fica de cabeça para baixo, ou com uma taça de vinho em frente à tela principal. E o jogador deve se livrar das distrações de Wario, usando as funcionalidades do 3DS.

Cruise Controls [Controle da Viagem]: o jogador está no controle do táxi de Dribble e Spitz, os dois cães motoristas. A velocidade do táxi dita o quão rápido os microgames vão acontecer.

Split Screen [Tela Dividida]: as ninjas Kat e Ana se dividem em jogar os microgames, cada desafio acontece em uma das telas do 3DS. Não há transição entre um desafio e outro, então o jogador tem menos tempo para se preparar.

Battle Time [Hora da Luta]: o jogo imita uma batalha de ninjas, tem foco em multiplayer e o derrotado será aquele que perder todas as vidas primeiro.


De todos o mais divertido é Sneaky Gamer. O modo é bem complexo, e o jogador deve jogar WarioWare Gold normalmente, enquanto deve estar atento para o que acontece na tela de cima. Pois 5-Volt fica rondando o quarto e pode aparecer de qualquer lugar, literalmente. Os modos são diversos e o jogador vai se cativar com pelo menos um deles.

O game também traz uma lista quase infinita de desafios, muito similar à que encontramos em Smash Bros. Eles são diversos e se dividem em modos. O jogador vai desbloqueando ao atingir determinadas exigências impostas. Cumpri-las não é mandatório, mas ajuda na missão de conseguir moedas.

Ouro para tanto conteúdo extra

E como se não bastasse a quantidade absurda de microgames e modos, o game também traz uma avalanche de souvenirs [lembrancinhas] para serem desbloqueados. Isso já é conhecido de toda a série. Desta vez o jogador deve juntar dinheiro e lançar a sorte naquelas máquinas de brinquedos com bolinhas de plástico. 


Pode-se conseguir desde consoles da Nintendo que servem para contar toda a história da empresa até minigames infinitos. Também é aqui aonde o jogador poderá encontrar uma adição no mínimo interessante aos olhos dos fãs: a possibilidade de dublar as cenas do game.

É uma adição puramente cosmética, mas é bem divertido poder dublar as cenas do modo história e ver como ficou a sua performance. Infelizmente as atuações dos jogadores não podem ser vistas durante a gameplay, apenas no próprio modo de dublagem. E uma falta é não poder editar ou pausar o processo de dublagem, por mais que seja apenas um modo extra para agradar os fãs. Poderia ter sido melhor trabalhado.

Ouro para as considerações finais

Antes de ir para as considerações finais, gostaria de partilhar alguns pensamentos que surgiram durante a jogatina. A Nintendo vem tentando desbravar o mercado online, com jogos free-to-play como Crossing Camp (mobile) e alguns títulos de peso bem trabalhados como Super Mario Run (mobile) e o futuro Mario Kart para celulares.

WarioWare é uma série feita para portáteis, sempre foi simples e dinâmica. Hoje um smartphone possui praticamente todas as funcionalidades de um 3DS. Não seria uma má ideia trazer a franquia para os celulares, pois o formato já é perfeito para ser jogado tanto na rua como em casa, seja em partidas longas ou curtas. 

O game está praticamente pronto para desbravar os celulares. #FicaadicaNintendo

Por fim, WarioWare Gold traz o que promete. Um game ambicioso, ouro puro convertido em diversão e risadas incrustadas com adrenalina. O tempo de espera para a chegada deste título foi mais do que recompensada. Gold é uma adição de peso à biblioteca do 3DS e um jogo obrigatório para aqueles que curtem uma boa coletânea de minigames.

Prós

  • Modo história inteiramente dublado e animado;
  • Vasta quantidade de conteúdo disponível no jogo, incluindo desbloqueáveis;
  • Minigames divertidos e desafiadores;
  • Muitos modos de jogo;
  • Fator replay elevado à máxima potência;

Contra

  • Incompatível com o modo 3D do console.
WarioWare Gold – Nintendo 3DS – Nota: 8.0
Revisão: André Carvalho
Análise produzida com cópia digital cedida pela Nintendo
Victor Carozzi escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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