Blast from the Past

Batman (NES): ação e desafio em Gotham City

Baseado no clássico filme de Tim Burton, o jogo é um pacotão para gamers e fãs de quadrinhos.


Ao contrário da maioria dos personagens de quadrinhos, Batman costuma ter um tratamento muito melhor quando suas obras são adaptadas aos games. Provavelmente dono de uma das franquias de games baseados em quadrinhos de maior sucesso, com a série Arkham, o cruzado de capa teve seus altos e baixos na época dos 8-bits, mas, a japonesa Sunsoft, conseguiu entregar uma obra divertida até os dias de hoje.


Provavelmente a primeira coisa que qualquer jogador nota, é o estilo gráfico do jogo. Ele não faz cerimônia nenhuma em anunciar suas escolhas gráficas: a Sunsoft manteve os tons escuros presentes no filme, com uma ambientação perfeita para o personagem e o universo caótico em que se encaixa — Gotham é escura, fria, repleta de bandidagem.

O capricho gráfico não está apenas na escolha da paleta de cores, mas também na modelagem de absolutamente tudo, desde o cenário até suas incríveis cutscenes, que são fielmente tiradas do longa de Tim Burton.
A clássica frase do Palhaço do Crime aparece algumas vezes durante o jogo
 Fora as cutscenes, no entanto, o game não parece apresentar um padrão muito lógico em relação ao filme. As fases e cenários não lembram nenhuma cena em particular e, na maior parte do tempo, você enfrenta inimigos que mais parecem sair dos quadrinhos do que do filme. Isso não é, de maneira alguma, um problema, já que o jogo apresenta um conteúdo original bem satisfatório.

Batman vs Ninja Gaiden

O maior ponto positivo da experiência é justamente seu gameplay viciante, rápido e extremamente desafiador. Existem muitos fãs que costumam compará-lo com Ninja Gaiden (NES), por causa de uma característica muito peculiar que ambos os títulos compartilham: os saltos contra paredes. É uma técnica bastante comum hoje em dia, mas, na época, qualquer jogo que tivesse uma série de pulos realizados contra paredes, usando-as como apoio para pular para a próxima, era instantaneamente comparado com Ninja Gaiden.

O fato de Batman e Ninja Gaiden serem ambos jogos de plataforma, desafiadores e frenéticos, também são fatores muito fortes para sustentar a comparação. Existem similaridades em algumas das armas que os personagens usam, mas a sequência de plataformas é um foco muito maior no título da Tecmo.
Vagalume, clássico vilão dos quadrinhos, faz uma aparição como um dos chefes

A atmosfera de Gotham City

O jogo é repleto de sonoridade também, compilando uma seleção muito forte de músicas próprias. A ausência da excelente trilha sonora do filme, escrita por Danny Elfman, é uma infelicidade, mas o jogo compensa com faixas musicais originais excelentes, que condizem com todo o aspecto sombrio da experiência. Uma música que chama bastante a atenção nesse quesito, por exemplo, é a faixa tema do game, com suas notas pausadas, criando uma certa atmosfera de mistério.

Durante as fases, o jogo apresenta uma variação bem incrível de estilos em sua trilha sonora, todas elas muito bem escritas, fáceis de serem reconhecidas. Não há absolutamente nada de genérico em sua composição, o que é fantástico, já que o jogador consegue lembrar de qual fase cada trilha trata. Existem trilhas mais rápidas, que deixam o jogador naquela expectativa de enfrentar os inimigos. Trilhas mais lentas, até mesmo misteriosas, com um ar intrigante.

Os cenários também fazem parte dessa ambientação poderosa. Os fundos são bem desenhados e detalhados, representando perfeitamente o que devem ser, embora não remetam à nenhuma parte específica do filme, como já citado. O único pedaço do jogo que é uma exceção, seria a última fase, já que o ambiente é de uma torre de relógio, com todas as suas engrenagens e pêndulos, baseado no cenário que é palco do confronto final entre Batman e Coringa.


O jogo é bastante curto, contando com apenas quatro fases divididas em várias sessões. Como era o começo de uma era, seu tamanho é algo que pode ser relevado, ainda mais se considerarmos o quanto o game pode ser viciante e satisfatório de se encerrar. O desafio vem na medida certa, sendo um daqueles jogos em que a habilidade do próprio jogador é que vai definir o quão longe ele vai na aventura.

Batman, então, consegue empacotar vários fatores positivos em uma aventura curta e desafiadora, distraindo e entretendo do jeito que propõe, sempre forçando-o a ir além de seus limites. Com todas essas referências aos quadrinhos, não só com seu viciante gameplay, pode ser um jogo que agrada tanto fãs dos personagens da DC, quanto fãs de videogame no geral.

Revisão: Pedro Franco
Yorran Rosa Bergamaschi escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook