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Prévia: Monster Hunter Generations Ultimate (Switch) tem a difícil missão de conquistar o Ocidente

Após anos de espera, expansão definitiva do aclamado título de 3DS finalmente chegará ao Switch.



Depois de quase dois anos sem nenhum indício de um lançamento ocidental, Monster Hunter Generations Ultimate finalmente está prestes a sair do Japão para tentar conquistar o mundo. O título, tal como o nome indica, é a versão expandida do excêntrico Monster Hunter Generations (3DS) e será o primeiro jogo da série lançado para o Switch.


A expansão promete preparar uma verdadeira festa em homenagem aos 14 anos da franquia e contará com toneladas de conteúdo extra, novos modos de jogabilidade e desafios ainda mais árduos, mas será que apenas isso será o bastante para conquistar as pessoas que já jogaram o Generations há dois anos atrás? Para te ajudar a descobrir a resposta, vamos dissecar tudo o que sabemos sobre o jogo até agora.

Experimentação e polarização

Primeiramente, é importante deixar claro que Generations Ultimate é um jogo “experimental”. Apesar de ter sido concebida originalmente para homenagear todos os jogos da franquia, a série de jogos “Generations” foi produzida pela equipe de desenvolvimento secundária da Capcom com o objetivo de ser uma espécie de “laboratório de ideias”, enquanto a equipe principal estava encarregada do que viria a ser o aclamado Monster Hunter World (Multi).

Existem tantas mecânicas novas que definitivamente não é um exagero considerar a série Generations como um grande spin-off de Monster Hunter. É incrível como a implementação das Hunter Styles e do Prowler Mode, em que se controla um gatinho ao invés de um caçador, consegue refrescar e inovar em cima da jogabilidade clássica. Porém, mesmo assim, alguns aspectos de índole questionável acabaram transformando Monster Hunter Generations, e consequentemente esta expansão, em um título polêmico entre os fãs da franquia.

Essa polarização de opiniões se deve, na verdade, pelo péssimo balanceamento de algumas Hunter Styles e a quantidade desanimadora das monótonas quests de colheita de materiais. Outras críticas feitas na época também diziam que o título perdeu a “essência” da série, mas Gen Ultimate ainda irá funcionar, em suma, como um típico Monster Hunter, no qual o objetivo principal é caçar monstros para forjar equipamentos melhores e assim poder enfrentar monstros mais perigosos.

Diversidade para dar e vender

Ostentando um número astronômico de 94 monstros grandes, 35 pequenos e mais umas dezenas de variações disponíveis para caçar, Gen Ultimate promete ser o jogo com o maior conteúdo da história da franquia. Todos os monstrengos mais icônicos e importantes estarão no título para proporcionar um verdadeiro festival de diversidade.

Realmente não é exagero dizer que Gen Ultimate aposta na diversidade como sua característica principal, já que se espera que as inúmeras possibilidades de combinações distintas entre as 12 classes de armas e os 6 tipos de Hunter Styles possam oferecer uma gama de movesets tão variada quanto o número absurdo de monstros.

Assim como no primeiro Generations, dominar as Hunter Styles e suas variações é essencial para quem quer se dar bem nas caçadas. Em resumo, cada uma delas altera significativamente os ataques de todas as armas e a forma pela qual o jogador pode carregar a sua barra de Hunter Arts que, quando completa, permite a utilização de ataques e movimentos especiais.
Por falar em Hunter Styles, dois estilos novos serão adicionados no arsenal de opções, além de uma nova maneira de se jogar com os gatinhos no Prowler Mode. As árduas missões da dificuldade “G-Rank” também foram confirmadas na expansão, junto com diversas melhorias feitas para tornar o jogo e sua gameplay mais acessível como um todo.

Mas, afinal, o que tem de novo?

Enfim, acho que já deu pra entender que Gen Ultimate promete muito conteúdo inédito, mas para facilitar ainda mais a sua vida, decidimos listar e explicar detalhadamente todas as principais novidades que foram prometidas.
  • Valor Style: Em troca de movimentos limitados, permite que o jogador segure o botão Y para entrar em uma postura que nulifica qualquer knockback e reduz o dano das pancadas recebidas naquele instante. Também é possível realizar uma boa variedade de contra-ataques a partir da postura. Suportar e contra-atacar os ataques dos monstros podem aumentar rapidamente a sua barra de “Valor”, que quando está completa, te dá movimentos bem mais rápidos e fortes por um tempo limitado. Para dominar o estilo, é extremamente essencial ser ofensivo a todo momento e não perder tempo porque a barra de “Valor” cai rapidamente quando o monstro não está sendo atacado.
  • Alchemist Style: Este estilo funciona mais como uma classe de suporte. Também tem uma movimentação limitada, mas em compensação permite a utilização de 3 Hunter Arts diferentes ao mesmo tempo. A barra de alquimia, que enche constantemente, pode ser usada para criar itens especiais, que vão desde barris explosivos até a criação de poções únicas capazes de dar buffs em área para os aliados.
  • Beast Prowler: É uma nova classe de Felynes, os gatinhos do jogo, que agora podem entrar em “Beast mode” para desferir ataques e movimentos especiais quando controlados no modo Prowler.
  • Novo conteúdo: Dezenas de quests novas proporcionadas pela adição da categoria de dificuldade “G-Rank” e a presença de novos eventos especiais, que inclusive prometem oferecer materiais exclusivos para criar uma armadura baseada no Link de The Legend of Zelda: Breath of The Wild.
  • Novos monstros antigos que retornam: Basarios, Diablos, Gravios, Fatalis, Crimson Fatalis, White Fatalis, Lao-Shan Lung, Congalala, Giadrome, Great Thunderbug, Barioth, Barroth, Nerscylla, Chaotic Gore Magala e Raging Brachydios.
  • Monstros totalmente inéditos: Valstrax, o estiloso dragão ancião que aparece na capa do jogo, e o misterioso chefão Atlal Ka.
  • Novos mapas antigos que retornam: Jungle, Desert, Castle Schrade, Fortress.
  • Mapas totalmente inéditos: Ruined Pinnacle e Old Fortress Ruins.
  • Deviants (variantes dos monstros existentes): Boltreaver Astalos, Elderfrost Gammoth, Soulseer Mizutsune, Bloodbath Diablos, Nightcloak Malfestio e Rustrazor Ceanataur.
  • Outras mudanças menores: Gráficos e texturas em HD no modo TV do Switch, rebalanceamento na eficiência de certos equipamentos e Hunter Styles, mudanças estéticas nos menus, reajustes no combate do modo Prowler e pequenas melhorias na acessibilidade geral do jogo.
Comparação gráfica entre as versões do Switch (acima) e do 3DS (abaixo).

Limitações ocidentais

Durante muito tempo Monster Hunter foi uma franquia abandonada no mercado Ocidental. Diversos títulos da série nem sequer chegaram a receber uma localização oficial traduzida em inglês, e quando recebiam, só eram lançados anos depois do lançamento original no Japão. Felizmente, Gen Ultimate parece ser o último título a sofrer com essa conturbada política de localização da Capcom.

Apesar de ter tido um intervalo de quase 2 anos entre o lançamento japonês e Ocidental, nem tudo ocorreu como o desejado na localização de Gen Ultimate. No Japão, o jogo também foi lançado para o 3DS para promover o crossplay e o compartilhamento de saves entre as duas plataformas. Já no Ocidente, a versão de 3DS não será lançada e, consequentemente, as possibilidades de interação com o título serão bem mais limitadas.

Pelo menos ainda será possível transferir o save do Monster Hunter Generations original por meio de um aplicativo que em breve estará disponível na eShop do 3DS. Os jogadores ocidentais também não poderão jogar online com os donos da versão japonesa.

Se seguirmos a lógica, parece bem óbvio que essa localização apressada se deve ao gigantesco sucesso de Monster Hunter World (Multi) no Ocidente. No entanto, embarcar no sucesso do “irmão popular” para promover Gen Ultimate não parece ser uma boa ideia da parte da Capcom, já que as diferenças mecânicas e gráficas entre os dois jogos são tão colossais que ambos parecem ser o exato oposto um do outro.




Esperando a hora da caça

Mesmo cientes de tudo, a maioria dos fãs da franquia ainda acreditam que Gen Ultimate pode compensar a ausência de Monster Hunter World no Switch ao oferecer uma experiência diferente e única, mas ao mesmo tempo nostálgica, para os velhos e novos fãs da série. Chega até a ser engraçado se pensarmos que coincidentemente essa é a mesma proposta do console híbrido da Nintendo, não é?

Polêmicas à parte, Gen Ultimate deixa bem claro desde o início que ainda é, em teoria, o mesmo jogo lançado originalmente para o 3DS, só que contando com o diferencial de ter quase o dobro de conteúdo e a implementação de novidades bem interessantes na jogabilidade. Ou seja, se você não gostou de Generations, não espere que esta expansão vá mudar a sua opinião sobre o jogo. Agora por outro lado, quem curtiu a versão original ou se interessou pela proposta apresentada com certeza terá muitos motivos para ficar animado.

Caso haja interesse da sua parte em saber mais sobre Monster Hunter Generations Ultimate, já adianto que vale muito a pena dar uma checada na demonstração grátis disponível no eShop para tirar suas próprias conclusões a respeito. O título completo será lançado nas Américas no dia 28 de agosto e, apesar de aparentar ter vários problemas, ainda promete ser um dos melhores exclusivos do Switch neste ano.

Monster Hunter Generations Ultimate — Switch
Desenvolvedora: Capcom
Gênero: Hack n’ slash/RPG
Lançamento: 28 de agosto de 2018
Expectativa: 4/5
Revisão: Ana Krishna Peixoto
Rhuan Bastos Rodrigues é um estudante de jornalismo que sonha em poder noticiar o anúncio de Half-Life 3. Apaixonado por jogos e pela Nintendo desde criança, também ama esportes e pretende escrever um livro sobre o assunto no futuro. É capaz de colocar todos os episódios de Neon Genesis Evangelion em um abrigo anti-nuclear apenas para nunca correr o risco de esquecer eles. Pode ser encontrado endeusando a Capcom no Facebook, Steam e Twitter.

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