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Análise: PLANET ALPHA (Switch) traz uma bela jornada, mas uma triste lição

Será que as suas ações podem mesmo mudar o que já foi escrito?


“Ao abrir os olhos me deparo com uma planície devastada, vejo escombros de antigas construções que um dia traziam beleza para aquele cenário. Animais, animais de variadas espécies, todos mortos, suas carcaças jogadas ao vento, esquecidos pelos Deuses que um dia os criaram. Mesmo com meus ferimentos decido me levantar; devo seguir adiante e entender o que está acontecendo”. E assim começamos a nossa jornada pelas paisagens belas, porém ameaçadoras de PLANET ALPHA.


Desenvolvido pela Planet Alpha ApS e distribuído pela Team17 Digital — responsável por lançar os prestigiados jogos Overcooked, The Escapists e Worms —, PLANET ALPHA ganhou diversos prêmios no evento Indie Prize Ásia, de 2015. Ele também foi indicado para outras categorias e homenageado como melhor desenvolvimento na Unreal Engine 4 pela Epic Games.

PLANET ALPHA é um game de aventura que nos coloca no papel de um misterioso astronauta que acaba de acordar em um planeta alienígena repleto de mistérios. O seu objetivo é simples: avançar por entre os belos cenários desse mundo e descobrir como fugir dali. O título combina elementos de gêneros de plataforma — onde o jogador precisa correr e pular por diversos obstáculos —, puzzles, stealth e a habilidade de controlar o dia e noite.


Bem-vindo ao PLANET ALPHA

Como mencionado, o jogo usa a Unreal Engine 4 — a mesma utilizada em Fortnite, Darksiders 3, Days Gone e entre outros —, logo, é de se esperar que os gráficos sejam para lá de lindos. E realmente são. PLANET ALPHA nos entrega cenários deslumbrantes e ambientações lotadas de detalhes atraentes. Temos também animais fantásticos e encantadores que vagam por este mundo, a maior parte deles dóceis, porém colossais.

Os perigos se dão por conta de robôs assassinos e certas criaturas hostis. A arte destes inimigos são bem refinadas e de certa forma peculiares, o que os torna elementos principais na ambientação do jogo. A iluminação também tem o seu valor, deixando os territórios mais vívidos e autônomos, principalmente em lugares com pouca luminosidade.



Lembrando que nós controlamos um personagem em segunda pessoa, visto isso, o cenário sempre estará presente no fundo do protagonista, o que é proposital, pois enquanto avançamos podemos observar os acontecimentos no ambiente, estes que vão influenciar diretamente na nossa jornada.

Infelizmente não é só de flores que se compõem um campo. A versão do Nintendo Switch possui algumas falhas que devem ser mencionadas. A primeira é a já esperada queda de FPS. Mas esse inconveniente não chega a atrapalhar diretamente na jogabilidade. Ele apenas causa certo desconforto para o jogador.



Outro incômodo vai por conta da limitação do console. Se jogarmos o jogo em modo portátil, a resolução ficará um pouco baixa, atrapalhando o reconhecimento de certos detalhes que às vezes dificultam a nossa sobrevivência. No entanto, a solução para este problema é optarmos por usar o modo dock do console, que nos permite uma resolução maior na televisão.

Trilha sonora: uma obra musical mal aproveitada

O game possui a trilha sonora pensada para momentos calmos, catastróficos, situações misteriosas e por aí vai. Apesar de a maioria das músicas funcionarem muito bem, existem aquelas que deixam a desejar pela falta de compatibilidade com as situações, ou seja, existem dessincronias nas melodias de certos ambientes.



Não só isso, também temos cortes bruscos das músicas. Vou dar um exemplo: estava escalando uma árvore enquanto tocava uma música florestal com efeitos sonoros do ambiente. Após chegar ao topo do tronco, decidi pular para uma plataforma que me levaria para dentro de uma caverna. Ao adentrar à caverna, a música e os efeitos florestais cortaram bruscamente. Depois de alguns segundos em silêncio, iniciaram-se então novas canções.

Esta situação gerou perda total de clima para mim, ou seja, se um jogador estiver imerso no game, essa prática acaba sendo um pouco frustrante.

O que diabos está acontecendo neste lugar, e qual o meu papel nisso tudo?

Após acordar ferido, nosso personagem decide se levantar e seguir adiante por um cenário distópico. Depois de algumas horas de caminhada, ele desmaia, e é então encontrado por alguém, ou algo, que o ajuda na sua recuperação. Algum tempo se passa e o protagonista acorda. Ele levanta renovado e decide prosseguir sua jornada. Ao sair do local onde foi acomodado, o astronauta se depara com um mundo belo e vívido, onde misteriosas criaturas vivem em perfeita harmonia em um ambiente onde a flora se destaca por expor sua elegância.



Conforme exploramos o mundo, eventos vão acontecendo ao fundo do cenário, estes que fazem parte de um dos sistemas do jogo: contar a narrativa de PLANET ALPHA. Estes relatos vão acabar influenciando na jornada do personagem e ainda por cima contar a história daquele planeta — que além da existência de vida, existem indícios de antigas civilizações. Todo este ambiente pode aparentar ser amigável e calmo, mas vamos acabar nos deparando com desastres naturais e morte, muita morte. No começo também somos apresentados a uma raça de robôs que estão destruindo tudo e a todos. Além das máquinas, temos também animais hostis que vão surgindo com o tempo.

É legal ver que as ações de nosso personagem influenciam na história e o cenário, atrapalhando os objetivos dos inimigos e ajudando a salvar as vidas dos animais indefesos. E não ache que as feras hostis são desprotegidas, elas costumam batalhar furiosamente contra as máquinas, mostrando-nos que a natureza sabe cuidar dela mesma.


PLANET ALPHA cria um contexto que nos faz sentir empatia com o mundo e as criaturas que nele vivem. Mas é melhor prestarmos atenção, pois a desenvolvedora Planet Alpha ApS elaborou todo este cenário para fazer com que o jogador fique com dúvidas sobre o que está vivenciando.

Run for your life

Vamos para a parte mais importante de um videojogo, a jogabilidade. Já vou adiantar que a mesma tem alguns pontos negativos, mas ainda há algumas cerejas em cima do bolo. Sobre a movimentação: Basicamente, o nosso personagem principal possui as seguintes ações: Correr, pular, agachar, se pendurar, escalar e usar a habilidade para alterar o tempo. Esse conjunto de execuções possuem física aplicada, então devemos pensar bem quando formos realizá-las.

Como nosso personagem não contém perícias em ataque ou defesa, somos forçados a fugir ou usar elementos do cenário para derrotar os inimigos. Desse elementos, temos a possibilidade de derrubar troncos de árvores em robôs, distraí-los para animais predadores ou até entrar escondido em arbustos para analisar estratégias que possibilitem o nosso avanço.


















Poder controlar a noite e o dia é essencial para progredir na jornada, visto que logo no começo do game nos deparamos com puzzles — simples porém interessantes — que precisam ser resolvidos com esta habilidade. Além dos enigmas, o poder também pode ser utilizado para avançar por certos percursos e derrotar inimigos.

Chegamos a hora onde cito os pontos negativos da jogabilidade de PLANET ALPHA. Vou começar pelo Level Design: Como o foco da desenvolvedora foi na construção do mundo e qualidade do gráfico e narrativa, acabou que o level design não foi levado muito a sério. Em muitas vezes acabamos perdidos, travados ou até caímos em abismos escondidos no cenário. Estes problemas acontecem devido à posição inadequada de alguns objetos e à grande quantidade de detalhes — que por mais que sejam interessantes — dificultam visualizar a rota que devemos seguir. Outro embaraço é tentar saber quem é o inimigo e como ele ataca — por culpa da concepção deles, isto é, a arte deles.


Precisamos falar sobre insetos

Como qualquer outro jogo, PLANET ALPHA também contém bugs. Vou citar alguns: houve um caso onde meu personagem morreu pulando e acabou caindo em uma plataforma muito acima de onde eu estava. Ao renascer me deparei em outro lugar (esta situação aconteceu mais de uma vez).


Há também bugs de cenário, onde existem spawns (nascimento) aleatórios de animais dentro do personagem. E é claro, gozamos daqueles erros onde há corpos de inimigos já derrotados que continuam atirando no jogador. Paredes invisíveis, sim, elas também estão presentes. Por mais que estes bugs às vezes nos frustram, alguns até que são engraçados.

Vale a pena explorar PLANET ALPHA?


Por mais que o jogo contenha bugs, level design mal elaborado, quedas de FPS e trilha sonora mal aproveitada, PLANET ALPHA ainda traz belíssimos ambientes com seus formosos animais. Sem esquecer da intrigante aventura do astronauta que precisa desvendar os segredos do mundo que o cerca.

A narrativa, paisagens e a dinâmica do game, deixam o jogador cada vez mais vidrado na tela do Switch. Avançar com o nosso protagonista por este belo, porém caótico mundo, pode nos trazer uma bela experiência de jogo mas uma triste lição de moral, esta que deve ser guardada para toda a vida.

Prós:

  • Visuais deslumbrantes;
  • Ambientes bem detalhados,
  • Narrativa intrigante e com um inesperado plot-twist no final;
  • Variadas possibilidades de se passar por obstáculos e derrotar inimigos;
  • A habilidade de controlar o dia e noite;
  • O fim da jornada traz uma lição para a vida.

Contras:

  • Bugs;
  • Level design mal elaborado;
  • Quedas de FPS;
  • Trilha sonora mal aproveitada.
PLANET ALPHA — Switch/PS4/XBO/PC — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: Nintendo Switch
Revisão: André Carvalho
Análise produzida com cópia digital cedida pela Team17
Gustavo Miranda é engenheiro de software e estudante de publicidade durante o dia e luta contra o crime em Gotham na penumbra da noite. Prefere trabalhar nas madrugadas com a presença da sua ilustre felina denominada Samus. Está no Facebook e Instagram.

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