Análise: Dust: An Elysian Tail (Switch) mistura vários gêneros e consegue ser bom em todos

Uma história cativante com um protagonista carismático junto com cenários desenhados à mão, não tem como dar errado.


Lançado em 2012 para diversas plataformas, Dust: An Elysian Tail desembarcou em setembro deste ano para o híbrido da Nintendo. Essa grande fábula desenvolvida pela Humble Hearts une diversos gêneros: metroidvania, RPG, plataforma e hack n’ slash.


Passa-se em um mundo onde os animais falam e andam como humanos, onde existe a eterna disputa entre o bem e o mal que traz consequências gravíssimas para os moradores do planeta denominado Falana que sofrem com diversos ataques e extinção de algumas raças, entretanto surgirá um herói para salvar esse mundo fantástico.

Não é mais do mesmo

Apesar da história de batalha entre o bem e o mal ser clichê, os diálogos durante o jogo demonstram os caminhos que a narrativa toma em Dust: An Elysian Tail, indicando que não é só o embate do bem contra o mal que se destaca, mas sim do autoconhecimento do protagonista.

Dust não se lembra de quem ele realmente é e precisa descobrir sua verdadeira identidade ao lado de uma espada ancestral consciente chamada de Ahrah e sua guardiã da raça Ninbat chamada Fidget. Juntos eles iniciam uma épica jornada para salvar os Moonbloods, que estão sendo extinguidos pelos capangas do General Gaius.


Durante esta jornada, Dust começa a se lembrar de seu passado e entender sua verdadeira missão em Falana.

Combos e mais combos

O game se encaixa em vários gêneros, sendo destaque o metroidvania. O jogador precisa explorar os cenários em busca de power ups que o auxiliam a desvendar novos locais antes inacessíveis, durante a exploração aparecem diversos inimigos que farão Dust utilizar sua espada da melhor maneira possível.

Os combos são simples de serem realizados, é apenas apertar repetidamente o botão de ataque e uma sequência de golpes são desferidos pelo protagonista, além da possibilidade de combinações aéreas. Importante também é a ajuda de sua companheira Fidget, que com seus ataques mágicos, combinados com o golpe giratório de Dust, causam um grande dano nos adversários, além de contar com uma eficiente esquiva e um contra-ataque preciso.


A cada inimigo derrotado, Dust ganha pontos de experiência que podem ser utilizados para aumentar as capacidades do herói como o ataque, defesa, HP e o poder de Fidget. Podem ser utilizados diversos equipamentos para melhorar os atributos do protagonista, tais como armaduras, anéis e outros itens. Os inimigos também dropam moedas, blueprints de equipamentos e itens que podem ser comercializados com o mercador que é encontrado em alguns lugares do cenário.

Um cenário contemplativo

O jogo contém nove áreas para serem exploradas, todas visualmente muito belas, desde florestas, mansões mal assombradas e montanhas cheias de neve. Apesar de ter sido lançado originalmente há 6 anos, o game impressiona com sua arte gráfica desenhada à mão e animações dos personagens e inimigos que dão um show à parte.


Durante o gameplay acontecem mudanças climáticas que surpreendem o jogador, como chuvas torrenciais e nevascas que incrementam as fases, transformando o ambiente e dificultando em certos pontos, por exemplo as avalanches e vendavais que atrapalham Dust em sua jornada.

O explorador sem memória

Além dos objetivos principais, o game proporciona várias missões secundárias, nas quais Dust auxilia os moradores dos vilarejos, desde encontrar uma bengala até recuperar um rebanho de ovelhas. São diversas missões que complementam a história e muitos diálogos com NPCs que indicam objetivos e ajudam o jogador a entender o que está acontecendo com Dust e Falana.

Na parte de colecionáveis, são distribuídas várias arcas contendo tesouros ao longo das fases que o jogador precisa encontrar. Nelas podem ser encontrados itens raros que são necessários para craftar novos utensílios para Dust melhorar seus atributos, e para abri-las são necessárias chaves que podem ser compradas ou encontradas nas fases, além de também concluir um pequeno minigame em que o jogador precisa apertar os botões corretos para obter sucesso.

Existem diversas áreas secretas para serem exploradas. Nelas, podem ser encontrados desafios que devem ser concluídos no menor tempo possível, e ao final do desafio o player é avaliado com estrelas e ganha um item importante que o ajudará ao longo do game. Dust também é responsável por resgatar criaturas amigas escondidas nos cenários, e que estão disponíveis em todas as fases.


Em quase todos os momentos, o protagonista fica rodeado de inimigos, o que deixa o combate mais frenético, mas resulta em uma queda na taxa de quadros por segundo considerável. Infelizmente em alguns momentos o jogo travou durante a jogatina, o que foi um pouco decepcionante, pois em uma ação simples do jogo na qual o personagem se teletransporta para outro local do mapa o jogo apresentou um erro e fechou inesperadamente nesse e em outros momentos.

No final de algumas fases é necessário enfrentar um boss para avançar, entretanto as batalhas não são empolgantes, pois os chefes não oferecem um perigo real ao protagonista, ainda mais se Dust estiver em um nível elevado.


Um herói em ascensão

Dust: An Elysian Tail apresenta uma bela história, não apenas disserta sobre a eterna batalha entre o bem e o mal, mas também sobre companheirismo e autoconhecimento. O protagonista se mostra muito carismático e transmite uma simpatia para o jogador, e conforme o decorrer do jogo, sua história fica mais intrigante e aumenta a torcida para Dust conseguir se encontrar.


A arte gráfica utilizada é de encher os olhos, toda desenhada à mão e cada detalhe fica evidente, sejam os efeitos do tempo ou os pequenos animais encontrados nos cenários. As ótimas animações e cutscenes, aliadas a uma excelente trilha sonora, dão um brilho a mais no game.

Infelizmente o título sofre com quedas de framerate ocasionais e alguns travamentos que podem ser reparados em uma atualização futura, mas esses percalços são facilmente ultrajados pela bela qualidade que o game apresenta. Dust: An Elysian Tail prova que um game pode envelhecer com grande estilo e que os jogos independentes são tão belos e bem feitos quanto os de grandes empresas. Um ótimo título para a biblioteca do Nintendo Switch.

Prós:

  • Mistura de gêneros (metroidvania, RPG, plataforma e hack n’ slash);
  • Belos gráficos desenhados à mão;
  • Ótima trilha sonora;
  • Personagens carismáticos;
  • História cativante;
  • Sistema de combate simples e eficiente.

Contras:

  • Chefes fáceis de derrotar;
  • Quedas de framerate ocasionais;
  • Alguns travamentos.
Dust: An Elysian Tail – X Box 360/PC/IOS/PS4/Switch – Nota: 9.0

Versão utilizada para análise: Switch

Revisão: Vitor Tibério
Análise produzida com cópia digital cedida pela Humble Hearts
Pierre Oliveira é formado em letras e skatista nas horas vagas, fascinado por jogos eletrônicos desde que se conhece por gente. Acredita que o melhor videogame lançado até hoje foi o Super Nintendo, embora seja apaixonado pelo seu Playstation 3. Seus jogos prediletos são Donkey Kong Country 2 e Heavy Rain, pode dificilmente ser encontrado no Facebook.

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