Jogamos

Análise: Freedom Planet (Switch) é uma excelente luta pela liberdade

Mesmo quatro anos após seu lançamento original, Freedom Planet se mantém relevante mercado. Indispensável para aqueles que sentem saudades dos bons jogos de Sonic.


O cenário de jogos indies vem se tornando cada vez mais popular nos últimos anos, com alguns jogos que adquirem posições de destaque em meio a lançamentos de grandes estúdios. Muitos desses títulos resgatam elementos nostálgicos de jogos do passado, como visuais e estilos. Freedom Planet, uma criação do estúdio independente GalaxyTrail, é um perfeito exemplo disso ao trazer de volta todo o feeling dos jogos de plataforma da era 16-bits.


O jogo foi lançado primeiro no PC em 2014. Nas plataformas da Nintendo, o primeiro a recebê-lo foi o Wii U em 2015. Agora, é a vez de Freedom Planet desembarcar também no Switch. E será que, tanto tempo depois de seu lançamento original, o título ainda consegue ser relevante?

Inspirado em um clássico

Freedom Planet carrega em sua essência uma forte inspiração nos clássicos jogos de Sonic the Hedgehog do Mega Drive, um fruto dos primeiros estágios de desenvolvimento do jogo quando sua concepção ainda era a de um fangame do ouriço azul. O designer e criador do estúdio, Stephen DiDuro, decidiu desviar o projeto deste caminho e substituiu os personagens e demais elementos do jogo por suas próprias criações.



Originalmente um ouriço, a protagonista Lilac virou um dragão, enquanto o antagonista tornou-se o cruel Lord Brevon. O sistema de vida dos jogos do Sonic baseado em rings foi completamente removido — por outro lado, existe a adição de um sistema de combate simples e eficiente. O jogo também recebeu uma história com um enredo bem detalhado, com a presença de muitos outros personagens originais e protagonistas cheios de carisma.

Nesse ponto, Freedom Planet consegue um resultado com perfeito equilíbrio entre inspiração e originalidade. O jogo se distancia o suficiente das obras nas quais se baseou para ter uma identidade própria marcante e muito carismática. Ao mesmo tempo, alguns elementos (principalmente do level design) deixam bem claro onde o jogo “fez escola”.

Freedom Planet é essencialmente um jogo de plataforma. O level design das fases é muito bem construído, alternando trechos em alta velocidade e momentos focados na exploração. Os famosos loopings do Sonic também estão presentes. As fases contam também com várias rotas alternativas para chegar ao final — um belo incentivo para mais de uma jogatina.



Com isso, sabemos que Freedom Planet tem tudo para agradar os fãs de jogos de plataforma e aqueles que jogaram os clássicos do Sonic. Mas os acertos do título vão muito além do que isso.

Lute para salvar o mundo

Assim que começamos Freedom Planet, podemos escolher duas opções de jogo: o Story Mode ou o Classic Mode. O primeiro apresenta a história original do título e com bastante cutscenes — acredite, o jogo tem bastante história para contar. Se você não quiser saber sobre os eventos que levam os personagens às aventuras de cada fase, basta escolher o Classic Mode. Aqui, as fases são jogadas em sequência uma atrás da outra, como um arcade tradicional.



A história do jogo gira em torno da já mencionada Lilac e seus amigos: Carol (uma gata selvagem), Milla (uma cachorrinha) e Torque (spoilers). Os jovens heróis se veem em meio a uma disputa entre três grandes reinos e uma misteriosa força alienígena por um poderoso artefato, conhecido como Kingdom Stone. Lilac e seus amigos precisam impedir a qualquer custo que ele caia em mãos erradas para salvar o mundo, mesmo que isso signifique bater de frente com os líderes das nações e a tirania do poderoso Brevon.



O Story Mode conta a história do jogo com uma certa profundidade e por meio de várias cutscenes, e todas elas contam com diálogos falados. O trabalho das vozes originais é muito bem feito, sendo possível entender um pouco da personalidade de cada personagem somente ouvindo-os falar. 

Todos os personagens são bem expressivos e algumas situações passadas pelos protagonistas (apesar de serem ainda crianças) carregam até um certo nível de maturidade, o que ajuda a fortalecer a conexão entre eles e o jogador. Tudo isso ajuda a criar um sentimento de curiosidade sobre o que acontecerá com eles a seguir, e quais perigos aguardam na jornada à frente.


Gameplay sólido e divertido

Quem quiser ignorar o enredo pode jogar o Classic Mode e curtir todo o brilho das fases do jogo diretamente. Geralmente, para concluir o cenário basta chegar ao seu fim, mas outros objetivos podem aparecer no meio do caminho, como coletar cartões de acesso para abrir algumas portas e acionar switches escondidos. Essa variedade de objetivos secundários não vai muito longe em criatividade, mas ajuda a diversificar um pouco mais as partidas.



Ainda sobre as fases, notamos que são longas demais desnecessariamente. É normal o jogador gastar de 15 a 20 minutos para terminar uma fase sem perder tempo explorando rotas alternativas. Mesmo com a presença de muitos checkpoints, fica uma sensação de que as fases ficariam melhores se fossem um pouco mais curtas.

O jogo oferece três personagens com habilidades distintas. Lilac e Carol estão disponíveis desde o início, enquanto Milla se junta um pouco mais à frente da campanha. Lilac é a mais rápida, possui um segundo pulo giratório e tem acesso a um tipo de boost, enquanto Carol tem acesso a uma moto e Milla é capaz de voar por alguns instantes usando suas orelhas. 



Os movimentos das personagens também incluem golpes físicos usados para derrotar os inimigos (aqui, pular na cabeça não adianta). Lilac executa seus golpes com a cauda, enquanto Carol ataca com socos e chutes à curta distância. Já Milla utiliza uma espécie de ataque de energia. 

O foco nos combates está mais relacionado ao timing e a direção correta para os ataques, mas de longe não é necessário tanta precisão como em Hollow Knight, por exemplo. Itens que garantem invencibilidade temporária e escudos de proteção estão espalhados pelos cenários para facilitar um pouco a vida do jogador. Além disso, um ponto interessante e que estimula bastante o fator replay é que as campanhas de cada protagonista seguem caminhos diferentes, sobretudo a de Milla.



Novamente fugindo da fórmula dos jogos do Sonic, alguns bosses podem aparecer no meio da fase, e não somente no final dela. Derrotar cada boss envolve observar a aprender os padrões de ataques, a fim de encontrar uma brecha para contra-atacar. Os chefes que aparecem no fim das fases costumam ser maiores e dão um pouco mais de trabalho, mas nada muito frustrante.


Inspirações em artes orientais

O visual de Freedom Planet não deixa nem um pouco a desejar: o jogo é bonito, colorido e cheio de detalhes. A inspiração nos visuais clássicos do Mega Drive não significa simplicidade exagerada.

A direção de arte do jogo teve muita influência de elementos artísticos do leste asiático, principalmente da China. Alguns dos textos que aparecem escritos pelos cenários usam caracteres chineses. O próprio título do jogo na tela inicial está escrito em katakana japonês. Esses elementos orientais podem ser vistos nas construções ao longo das fases e também estão inseridos nas culturas dos reinos fictícios do jogo.

A trilha sonora funciona bem, e embora não possua nenhuma faixa que efetivamente se destaque, ela é muito competente e, mais uma vez, lembra os clássicos de outrora. Os efeitos sonoros se encaixam perfeitamente bem no clima do jogo. Novamente, neste quesito elogiamos a dublagem feita para as cutscenes.


Muito mais que um clone

Freedom Planet é, sem dúvidas, uma grande aventura obrigatória para os fãs de um bom jogo de plataformas com maior velocidade. A história do jogo é elaborada o suficiente para prender a atenção do jogador e deixá-lo curioso para saber o que virá a seguir. Adicione fases com várias rotas e campanhas diferentes para cada personagem, e você terá um belo jogo indie que poderá te entreter por muitas horas.



Mesmo quatro anos depois de seu lançamento original, Freedom Planet continua merecendo seu lugar em meio à biblioteca de jogos recomendados.

Prós

  • História interessante e bem elaborada;
  • Personagens carismáticos;
  • Fases bem trabalhadas e com múltiplas rotas;
  • Três personagens jogáveis;
  • Vozes originais excelentes;
  • Dificuldade bem balanceada.

Contras

  • Fases um pouco longas demais.
Freedom Planet — PC/Wii U/PS4/Switch — Nota 8.0
Versão utilizada para análise: Switch


Análise elaborada com cópia cedida pela XSEED Games
Revisão: Vinicius Fernandes
Marcelo Vieira é formado em Análise de Sistemas na UCAM e trabalha com infraestrutura Linux. Sua educação gamer inclui clássicos como Sonic, Super Mario e Resident Evil e é apaixonado pela Nintendo, mas encontra ótimas experiências em outras plataformas. Pode ser encontrado no meio de alguma Turf War, no Facebook e no Instagram.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook