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Análise: TowerFall (Switch) é um multiplayer vibrante e excepcional

O popular título de batalha entre arqueiros chega ao Switch em uma versão definitiva com várias novidades.


Arqueiros ágeis se enfrentam em confrontos intensos em TowerFall, título de ação e plataforma focado no multiplayer. Comandos fáceis de entender, partidas imprevisíveis e muita variedade fazem com que esse jogo seja uma experiência eletrizante e divertida. Depois de aparecer em outros consoles, TowerFall chega ao Switch em uma versão caprichada e com conteúdo inédito — o mais notável deles é multiplayer para até seis jogadores simultâneos.

Flechas, saltos e muita velocidade

TowerFall é um jogo 2D cujo o foco são batalhas entre arqueiros em pequenas arenas. Existem duas principais maneiras de derrotar os oponentes: por meio de flechas ou pulando em suas cabeças. Além disso, os arqueiros podem saltar pelas paredes e executar uma esquiva (dash) para se locomover com rapidez. A investida é, também, um movimento defensivo — se executada no momento correto, é possível tomar para si as flechas lançadas pelos outros jogadores.

O conceito é muito simples, sendo assim os participantes entendem rapidamente as mecânicas básicas. No entanto, existem vários detalhes que deixam as coisas mais complexas. O primeiro deles é que cada jogador carrega uma quantidade de flechas bem limitada e os projéteis lançados ficam presos nas paredes dos cenários. Por causa disso, precisamos nos mover constantemente para pegar flechas e não ficar indefeso — é um incentivo, também, para atirar com cuidado. Técnicas avançadas, como uma super-investida e caída rápida, adicionam camadas de complexidade à jogabilidade.


Estágios com detalhes únicos, diferentes tipos de flechas e muitos itens tornam as partidas bem variadas. Uma fase, por exemplo, conta com projéteis explosivos e vários pontos do cenário que podem ser destruídos — rapidamente a topografia do lugar é alterada. Já uma caverna tem como arma especial brocas que atravessam as paredes e surpreendem os inimigos. Projéteis mágicos que rebatem nas paredes estão presentes em um templo antigo, o que faz com que cada flechada tenha resultado imprevisível.

Modificadores de partida permitem alterar os confrontos e abrem ainda mais possibilidades. A variedade é extensa: uma regra força os jogadores a começar com uma única flecha, outra mata automaticamente quem tentar atacar sem ter projéteis, um terceiro tipo faz com que as flechas rebatam infinitamente pelas paredes e muito mais. É possível combinar diferentes tipos de modificadores para resultados ainda mais malucos. A versão para Switch inclui quatro novas regras, como Reaper Chalice (torna possível invocar um espírito para atacar os oponentes ao encher cálices espalhados nos cenários).


Enfrentando os amigos no Versus

As batalhas em TowerFall são frenéticas, imprevisíveis e muito dinâmicas. A agilidade dos arqueiros criam muitas situações impressionantes — é muito comum um único jogador conseguir derrotar outros três em uma série de movimentos precisos. A diversão está em justamente conseguir fazer essas cenas malucas e intensas. A natureza rápida da ação faz com que cada round seja bem curto, sendo assim ser derrotado não é uma penalidade tão pesada. Ao final de cada round aparece um replay dos últimos segundos da partida e é possível guardá-los facilmente com o recurso de captura de vídeo do Switch.

Nos lançamentos anteriores até quatro jogadores podiam participar das partidas, já a versão para Switch tem uma modalidade que permite até seis arqueiros simultâneos. Para comportar mais oponentes, os estágios foram expandidos e levemente alterados. Minha recomendação é jogar TowerFall com no mínimo quatro jogadores: mais arqueiros introduzem mais caos e imprevisibilidade às partidas, deixando a experiência muito divertida. Partidas com seis jogadores são ainda mais dinâmicas (e malucas), fazendo com que essa seja a melhor novidade dessa versão.


Um detalhe importante em relação ao multiplayer do jogo é que ele é exclusivamente local. Além disso, infelizmente, não é possível adicionar oponentes controlados pelo computador. Por causa disso é impossível aproveitar o modo Versus sozinho ou então deixar as partidas mais movimentadas quando o número de pessoas é pequeno. O foco é o multiplayer local, logo é imprescindível ter outras pessoas por perto para aproveitar o jogo. Dada a natureza portátil do Switch, TowerFall é uma opção excelente para encontros com amigos, por mais que jogar com um único Joy-Con não seja o ideal por causa de seu tamanho diminuto.

Unindo forças contra inimigos

Mesmo com foco no multiplayer competitivo, TowerFall tem várias opções legais para jogar sozinho ou cooperativamente com até quatro amigos. A versão de Switch inclui todo o conteúdo das versões Ascension e Dark World, essa última lançada anteriormente como conteúdo pago.

São duas as modalidades cooperativas. O modo Quest comporta até dois jogadores e o objetivo é derrotar várias ondas de inimigos de dificuldade crescente em cada uma das fases. Já no Dark World até quatro arqueiros destroem monstros em estágios sequenciais com um chefe no final. Um detalhe interessante é que é possível reviver um amigo morto ao ficar parado perto do corpo dele — jogando sozinho esse sistema é substituído por vidas. Há vários níveis de dificuldade e os estágios finais podem dar muito trabalho.


Por fim, temos o Trials, que é exclusivo para um único jogador. Nele, o arqueiro precisa destruir todos os bonecos de pano espalhados pelo estágio o mais rápido possível. Cada fase funciona como um pequeno puzzle, exigindo domínio das mecânicas do jogo. É um modo divertido, porém acredito que a precisão exigida agradará mais os jogadores entusiastas.

É perfeitamente possível se divertir sozinho nessas várias opções, principalmente aqueles que estiverem interessados em obter todas as medalhas. No entanto, são modalidades cujo apelo pode acabar rápido por não apresentar conteúdo muito elaborado. O melhor de TowerFall está, de fato, no multiplayer que é elaborado e muito variado.


Estilo e identidade por meio do visual

O mundo de TowerFall é representado por meio de pixel art que chama a atenção, inicialmente, por seu visual meio quadradão. Isso faz com que a aparência geral seja de um jogo retrô, porém há muito esmero nos detalhes: ótimos efeitos de iluminação nos estágios, movimentação detalhada de roupas e cabelos, as flechas pegam fogo quando passam por tochas, e mais. Cada cenário é bem único e consegue passar uma atmosfera distinta com sua aparência. A música segue o esmero dos gráficos com composições que reforçam cada uma das áreas de TowerFall. O meu efeito visual favorito aparece quando uma flecha passa de raspão na cabeça de algum arqueiro e seu chapéu cai no chão. O resultado é uma ambientação visual muito charmosa.

Destaque, também, para os arqueiros, que esbanjam personalidade somente com o visual. A arqueira verde passa a sensação de ser bem travessa com suas sarnas e caretas, o capitão de amarelo transmite seriedade com suas expressões severas, já a feiticeira roxa parece maligna com sua aura escura e estranha. Todos os personagens têm versões alternativas baseada no mundo paralelo Dark World e elas complementam ainda mais suas personalidades. Uma novidade muito bem-vinda na versão de Switch é a presença de personagens de Celeste: Madeline e sua versão sombria Badeline. A dupla se encaixa perfeitamente no universo de TowerFall e já são minhas arqueiras favoritas.


Um multiplayer viciante

Vale muito o esforço de reunir amigos para aproveitar o multiplayer proporcionado por TowerFall. As partidas são rápidas, dinâmicas e imprevisíveis, resultando em situações divertidas e impressionantes — as mecânicas simples tornam o jogo bem acessível ao mesmo tempo que as camadas de complexidade agradam os mais exigentes. A grande quantidade de cenários, os vários tipos de flechas e os inúmeros modificadores trazem variedade às partidas. O conteúdo cooperativo e para um único jogador é sólido, no entanto pode cansar um pouco a longo prazo. No fim, TowerFall é um multiplayer excepcional e uma excelente adição à biblioteca do Nintendo Switch.

Prós

  • Combates ágeis e fáceis de entender, com opções para até seis jogadores;
  • Mecânicas simples e acessíveis, com camadas de complexidade;
  • Muito conteúdo e modificadores diversificam as partidas;
  • Vários modos cooperativos com diferentes níveis de dificuldade;
  • Visual em pixel art agradável e ótima música.

Contras

  • Impossibilidade de jogar o modo batalha sozinho.
TowerFall — Switch — Nota: 9.5
Análise produzida com cópia digital cedida pela Miniboss Studios
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos e também pode ser encontrado no Twitter.

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