Jogamos

Análise: Velocity 2X — velocidade frenética de alta qualidade no Switch

Mecânicas sem fim no impressionante título da FuturLab.



Provavelmente você não conhece Velocity, título de 2012 da linha Playstation Minis da Sony — jogos mais simples, exclusivamente digitais e mais baratos, feitos para o PSP e também disponíveis no Playstation 3. Graças às limitações da linha Mini, esses títulos evocavam uma era mais pura dos videogames. Uma era em que a criatividade brilhava e o gameplay precisava simplesmente ser muito divertido e engajante. E o que separava o jogo de nave da FuturLab dos demais? Mechanics, basicamente — uma mecânica de teleporte que é parte essencial do gameplay frenético que envolve resolução de puzzles, tiros em inimigos e velocidade constante. No primeiro Velocity o nome já diz tudo, e no segundo, a promessa era pelo menos o dobro dessa velocidade.

Shooter, plataforma, naves e muita fluidez

A trama de Velocity 2X não é nada demais e funciona apenas como um pano de fundo contextual para as 50 missões disponíveis. Após lançar-se dentro de um buraco negro nos eventos do primeiro jogo, a Tenente Kai Tana, piloto da nave experimental conhecida como Quarp Jet, teve o seu corpo parcialmente reconstruído pela própria nave e agora se encontra em uma galáxia desconhecida dominada pelos Vokh, a clássica raça de aliens malvados e autoritários. A nossa missão é derrotar esses alienígenas enquanto ajudamos Kai Tana a encontrar o seu caminho de volta à terra.

Já começo dizendo, embora não pareça à primeira vista, Velocity 2X é um jogo bastante único e especial. Existe muito valor em jogos que saem da zona de conforto e constantemente apresentam novas mecânicas e elementos ao longo de cada estágio, e esse é o caso desse título — O jogo é um tutorial de como se jogar o próprio jogo. Se a FuturLab tivesse apresentado todos os elementos do gameplay já na primeira fase seria impossível de acompanhar o fluxo. Ao invés disso, pequenos elementos são adicionados de pouco a pouco, o que resulta em uma ótima sensação de aprendizado e evolução, tanto do jogo como um todo, quanto do jogador.



No melhor estilo dos velhos (e bastante difíceis) jogos de plataforma onde você precisa decorar cada fase, como Megaman ou, em um exemplo mais recente, Celeste, a melhor parte de Velocity 2X é buscar melhorar o seu score em cada um dos 50 estágios. Você precisa acumular certa quantidade de XP para desbloquear as fases, e quando você volta para um estágio do passado para melhorar o seu score, a sensação já é outra. Você se sente um verdadeiro soldado veterano que já passou por vários desafios mais difíceis. A primeira fase, por exemplo, existe apenas para você se acostumar com os controles básicos: botão de turbo e movimentação. Na segunda, você é apresentado a mecânica principal do título: o teleporte rápido. Subsequentemente, são adicionados elementos como: inimigos, turrets, bombas, tiros, mapa, transporte rápido pelo mapa, puzzles e até outro modo de jogo: side-scrolling clássico controlando Kai Tana em carne e osso.

Velocity 2X muda constantemente entre um jogo de nave e um jogo de plataforma. Ambos compartilham mecânicas de uma forma muito natural e, em ambos, ação, velocidade e muita fluidez, são garantidas. E fluidez é a palavra chave — Velocity 2X é tão bem feito que se torna natural a um nível de memória muscular quase. Você começa como nave, usando o turbo para resolver as coisas mais rápido, coletando itens ao longo do caminho, destruindo turrets e pequenas naves inimigas e então, de repente, você se depara com uma bifurcação. Backtracking se torna constante nos estágios mais avançados do título, lembrando até a série Metroid um pouco. Então você escolhe um lado e logo atira em objetos numerados de cores diferentes, precisando ativá-los sempre do número mais baixo ao mais alto. Beleza, você encontrou o 1 e o 2 vermelhos, e agora? Agora você precisa entrar dentro de um portal para o mundo sidescrolling. Após alguns minutos de muitos saltos, tiros e teleportes muito bem programados, você sai dessa área e descobre que o próximo número está lá atrás, naquela bifurcação. Ah, se você morrer, e isso provavelmente acontecerá com certa frequencia, o respawn é imediato e sem nenhuma consequência aparente. O que deixa claro que o foco do jogo é o aperfeiçoamento do processo e não o processo em si. 



É difícil de explicar, mas isso é mais ou menos como funciona a experiência de Velocity 2X. Existem várias coisas para se acompanhar, toda hora, e geralmente em alta velocidade, só que o jogo lhe ensina essas coisas em um ritmo perfeito. A fluidez é tamanha, que às vezes parece que você está jogando um jogo de ritmo mesmo. Principalmente ao som da fantástica (e frenética) trilha sonora eletrônica que se encaixa com maestria no ritmo do que está acontecendo na tela — e muita acontece nessa tela, acredite.

Além da campanha principal, em que você pode comparar os seus scores pessoais de cada estágio com outras pessoas online, também existe um modo daily run que pode ser feito uma vez por dia (com uma fase inédita, geralmente mais simples e focada na parte plataforma). Algumas outras fases extras também estão disponíveis em dois pacotes: um focado em completar os estágios em pouco tempo, e outro em que você controla duas naves simultaneamente. Entre a competição pessoal, entre amigos, ou até entre estranhos online, Velocity 2X possui conteúdo o bastante para umas boas horas de diversão. A qualidade do título realmente surpreende e ele pode ser recomendados a todos, até mesmo para quem não gosta tanto de shooters "de nave". Esse é mais um ótimo título indie que entra para o panteão de clássicos nindies do Switch


Prós

  • Mecânicas perfeitas;
  • Originalidade e criatividade;
  • Trilha sonora marcante.

Contras

  • História não muito memorável.
Velocity 2X - Switch/PC/PS4 - Nota: 9.0

Versão utilizada para análise: Switch
Análise produzida com cópia digital cedida pela FuturLab.
Raoni Pinheiro escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook