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Análise: Jack N’ Jill DX (Switch) é um simples e competente jogo de plataforma

O título da Ratalaika Games usa como trunfo a simplicidade dos controles e visuais, entregando uma experiência divertida, sólida e desafiadora.



Era uma vez Jack e Jill, dois simpáticos personagens que decidiram subir uma colina em busca de água, mas algo deu errado e eles acabaram se separando. Para se reunir com sua companheira Jill, o pequeno Jack precisará de coragem para correr, saltar sobre vários obstáculos, coletar moedas, ser atirado por canhões e derrotar inimigos.


Essa é a história simples e direta do jogo de plataforma Jack N’ Jill DX, desenvolvido pela Ratalaika Games. A versão incrementada do jogo Jack N’ Jill, originalmente lançado para smartphones, chega ao Switch com uma fórmula simples e divertida, oferecendo a essência do gênero plataforma através de visuais retrô e nostálgicos. É um dos jogos mais simples que temos na biblioteca do Switch, mas acredite: isso não é nem um pouco ruim.

Simplicidade em vários aspectos

Assim que o jogo me mostrou sua tela de título pude perceber que ele foi criado trazendo muitas inspirações visuais e sonoras nas antigas gerações de consoles. Com seus gráficos monocromáticos e desenhos simples, Jack N’ Jill parece ter saído diretamente de um Game Boy Color para as plataformas mais atuais. Além disso, sua trilha sonora se encaixaria perfeitamente na era 16 bits, como em algum jogo para Super Nintendo. Esses aspectos, além de serem bem feitos, encaixam-se com harmonia e dão ao jogo uma identidade nostálgica bastante natural.



A simplicidade não está só na história do jogo que contei no início: com a adoção de mecânicas simples e fáceis de aprender, o resultado é um produto divertido e desafiador nas medidas certas. O objetivo de Jack se resume a encontrar Jill, que o espera no fim de cada um dos 140 níveis divididos entre sete mundos. No caminho, Jack encontrará vários perigos a serem evitados, como precipícios, inimigos e espinhos, além de moedas que podem ser usadas para desbloquear alguns extras posteriormente. 

Ah, e se você não concorda que Jill seja sempre a resgatada, não tem problema. Você pode inverter os papéis, trocando entre os personagens antes de entrar em uma fase e jogar com Jill. Dessa forma, será o Jack quem te aguardará no final de cada fase.



O interessante é que todo o gameplay funciona apenas com o uso do botão A. Ao pressioná-lo, Jack começará a se mover na direção para onde olha e, se esbarrar em uma parede, mudará o trajeto para o lado oposto. O mesmo botão é usado para pular sobre perigos, saltar pelas paredes (como o wall jump do Mario) e realizar qualquer outro tipo de ação. Para derrotar os baddies, os inimigos do jogo, basta calcular o seu pulo para acertá-los na cabeça.

Em outras palavras, Jack N’ Jill nos traz a essência de um jogo de plataforma, com o diferencial de ser totalmente controlado por apenas um botão. Essa simplicidade não faz do jogo excessivamente fácil — pelo contrário, é um dos pontos mais cativantes do título. Os desafios ainda estarão presentes para testar a capacidade do jogador em superá-los.


Desafios na medida certa

Além de dominar a jogabilidade dos elementos já mencionados — o que acontece naturalmente durante a jogatina — o jogo exige uma boa precisão do jogador para executar os pulos. É normal errar o momento certo e acabar caindo em precipícios ou passando por cima de inimigos algumas vezes. Não há checkpoints, portanto ao morrer é necessário repetir a fase desde o começo, sem limites para novas tentativas. A experiência de aprender com os erros é gratificante e recompensadora: basta errar uma vez para perceber o que deve ser feito na próxima.



A dificuldade é bem balanceada, aumentando progressivamente sem se tornar frustrante ou punitiva demais, mesmo com a ausência de checkpoints — não, não estamos diante de nenhum Dark Souls (Multi) de plataforma. Quando o jogo introduz um novo elemento, mesmo nos mundos mais avançados, há uma explicação sobre como ele funciona e a prática com algumas fases mais simples. Quando a dificuldade sobe nos níveis mais difíceis (geralmente, os últimos de cada mundo), podem ser necessárias algumas tentativas para chegar ao fim com sucesso e coletar o maior número possível de moedas.



O level design das fases é competente e bem construído. Como Jack não pode mudar de direção à vontade ou parar, as fases foram criadas com foco na movimentação constante do personagem para o mesmo sentido. Algumas delas apresentam caminhos alternativos com mais moedas, acessíveis por saltos precisos e que exigem raciocínio rápido do jogador. Se algum item for perdido, como uma moeda, o jogador só conseguirá recuperá-lo se tiver a chance de bater em uma parede, fazer o caminho inverso, bater em outra parede e voltar — o que nem sempre é possível.

Conforme o jogador avança pelos mundos, novos elementos são adicionados para incrementar os desafios. Baddies alados, blocos que se quebram ao passar, canhões e armadilhas que despencam são apenas alguns exemplos do que esperar. Itens que garantem invencibilidade ou super velocidade temporariamente podem ser coletados, sendo que seu uso não é só para facilitar a vida do jogador — você precisará deles obrigatoriamente para prosseguir. 

Em alguns momentos, até os baddies podem ser úteis para passar por longos caminhos de espinhos ou precipícios. E por falar neles… as poucas variações de baddies serão os únicos inimigos que você encontrará em todo o jogo. Infelizmente, não há a presença de chefes nem nos últimos níveis de cada mundo. 



Apesar de ser um jogo simples, existem alguns problemas de desempenho em Jack N’ Jill DX. Em alguns momentos, o jogador pode esbarrar em algumas quedas na taxa de quadros, que podem durar por até metade de uma fase. É algo que pode atrapalhar um pouco, principalmente nos momentos em que é necessário ter mais precisão nos saltos. Uma correção desse problema através de uma atualização no futuro seria muito bem-vinda.

Extras para um toque especial

Além do modo principal, Jack N’ Jill DX traz alguns extras que acrescentam um pouco mais de variedade ao jogo. Os minigames, por exemplo, oferecem pequenas sessões de jogo com regras diferentes e jogáveis com os baddies. Cada partida tem um limite de tempo e custam algumas moedas para começar. Esses minigames dão ao jogador tickets, que podem ser usados para desbloquear extras para customizar o jogo. Existem sete minigames no total, que são desbloqueados ao completar os mundos no modo de jogo principal.



Na mesma tela dos minigames, apertar o X nos mostra a pequena lojinha do jogo onde os extras para customização podem ser comprados. Há vários itens cosméticos que dão um toque especial a Jack e Jill, como chapéus, orelhas de animais e outros enfeites. Caso você esteja cansado do visual monocromático preto e branco do jogo, também estão disponíveis filtros de cores, como laranja, rosa, verde e vermelho. Você também terá a opção de converter as suas moedas em mais tickets.



Na seção challenges, temos o sistema de conquistas do jogo. Aqui, você poderá ver quais desafios já foram superados e quais ainda faltam, sendo que a maioria pode ser alcançada com a progressão normal do jogo. Entre eles, estão coletar um determinado número de moedas, derrotar baddies, terminar todos os mundos e até mesmo perder 100 vezes.

Jack N’ Jill é um divertido jogo de plataforma recomendado para os fãs do gênero. A experiência e conteúdo oferecidos pela aventura dos simpáticos personagens têm um custo-benefício interessante, considerando que o preço cobrado na eShop é de US$ 4,99. Se você tiver esse dinheiro disponível e quiser investir em um bom e despretensioso indie, essa opção é fortemente recomendada.


Prós

  • 140 fases em sete mundos;
  • Jogabilidade acessível e divertida;
  • Visuais nostálgicos;
  • Trilha sonora old school que combina com a identidade visual;
  • Minigames extras que aumentam a vida útil do jogo.

Contras

  • Ausência de chefes;
  • Alguns problemas de desempenho.

Jack N’ Jill DX — PS4 / XBO / Switch / PS Vita / PC — Nota 7.5
Versão utilizada para análise: Switch

Revisão: Vitor Tibério
Análise produzida com cópia digital cedida pela Ratalaika Games
Marcelo Vieira é formado em Análise de Sistemas na UCAM e trabalha com infraestrutura Linux. Sua educação gamer inclui clássicos como Sonic, Super Mario e Resident Evil e é apaixonado pela Nintendo, mas encontra ótimas experiências em outras plataformas. Pode ser encontrado no meio de alguma Turf War, no Facebook e no Instagram.

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