Entrevista

Just Dance (Multi): Entrevistamos Tiago Silva, campeão nacional da Just Dance Tour 2017

De uma noite despretensiosa com os amigos, ao título brasileiro e ao campeonato mundial: a rotina de treinos e as lições aprendidas em Paris.

Determinação é a palavra que melhor descreve a trajetória do piauiense Tiago “Viagoncé” Silva no cenário competitivo de Just Dance, o popular jogo de dança da Ubisoft. Foram as longas e diárias sessões de treinamento em frente ao game até de noite, encaradas após as aulas do curso de publicidade e propaganda pela manhã, que o levaram ao título de campeão nacional da Just Dance Tour e a representar oficialmente o Brasil na disputa pela Copa do Mundo Just Dance 2018 em Paris — um acontecimento que o jovem carrega em seu coração com orgulho.

Hoje aos 21 anos, Tiago divide seu tempo entre a faculdade e o Just Dance, de vez em quando dominando os palcos de eventos com o mais recente lançamento da franquia, o Just Dance 2019. O Nintendo Blast teve o prazer de bater um papo com o ele sobre sua relação com o jogo e o cenário competitivo da série.

Nintendo Blast: E como aconteceu o seu primeiro contato com o Just Dance? Foi amor à primeira vista?

Tiago: Meu primeiro contato com o jogo foi em 2013, durante uma reunião de amigos. A gente se reuniu para fazer um trabalho de escola, e uma pessoa levou um Xbox 360 com o Just Dance 4. Foi engraçado, porque ninguém sabia jogar direito. Me explicaram mais ou menos o que tinha que fazer e ficamos jogando. Acabei me apaixonando e comecei a procurar mais vídeos sobre outras músicas. Esse foi o começo de uma era de Just Dance na minha vida.

Nintendo Blast: Você sempre gostou de dançar, ou só encara as coreografias do Just Dance?

Tiago: Apesar de ser meio tímido, eu sempre fui desinibido e nunca tive problemas para dançar. Eu sempre gostei de artes cênicas — na verdade, seria até minha primeira opção de estudo. Sempre gostei de atuação, então também me interesso muito pela área de dança. Eu me vejo nessa área até mais do que na publicidade.

Nintendo Blast: Como foi o processo de competir na fase final do campeonato mundial em Paris, em abril? Como foi cair a ficha de que você era o campeão nacional e iria representar o Brasil lá fora?

Tiago: Tudo isso foi muito inacreditável para mim. Eu já tinha ouvido falar da competição, tinha visto o Diegho San (bicampeão mundial) competindo e assisti algumas finais. Comecei a pensar “será que se eu treinar, consigo chegar lá também?”. Então eu soube que teriam algumas eliminatórias na BGS 2017, e decidir ir com amigos para lá. Como era minha primeira vez competindo e não tinha experiência nenhuma, eu nem pensei que conseguiria. Mas acabei ganhando e me classifiquei para a final nacional. Só que nesse meio tempo, assaltaram a minha casa e levaram tudo, inclusive o meu Xbox e eu fiquei sem ter onde treinar.

Dentro de um shopping aqui de Brasília tinha uma loja de games e tinha o Just Dance lá. Eu expliquei toda a situação para o dono da loja e ele disse que eu poderia ir lá treinar, e nem precisaria pagar nada. Eu passei a ir todos os dias da semana e ficava jogando por umas seis horas direto. Eu fiz isso até chegar a final nacional, que aconteceu pouco tempo depois durante a Comic Con Experience.

Eu saía da faculdade e já ia direto para a loja. Ficava lá e treinava até fechar, umas nove horas da noite. Eu acabava treinando isso tudo sem perceber. Passava muita gente que ficava olhando. Às vezes me perguntavam como eu fazia para pontuar tão bem, mas eu não sabia ensinar o pessoal a jogar. Era até meio engraçado, porque eu só ia lá e jogava. Eu chegava em casa morto de cansaço, mas feliz por que tava dando tudo certo.



Nintendo Blast: E aí você conseguiu ganhar o campeonato nacional e se classificou para o mundial? Como foi lá?

Tiago: Sempre que a gente participa desses campeonatos, a gente fica muito nervoso. Lá na CCXP, não tinha como ser diferente. A gente ficava no backstage aguardando sem saber de nada que acontecia no palco, só dava para ouvir os sons das pontuações dos outros jogadores subindo. Até que fui competindo e passando por todas as fases. Fiquei muito tenso quando me toquei que estava na semifinal. Minha mãe me ligou na hora, quase não parei de chorar junto com os meus amigos.

E então, acabei me classificando para a final. Não estava acreditando nisso! Dançamos as últimas músicas, e os jurados anunciaram o meu nome. Eu não acreditava que iria para Paris, representando o Brasil inteiro no Just Dance. Algo que no começo eu achava que era sorte… foi muito surpreendente para mim. Eu não colocava fé no meu potencial, mas depois, descobri que tinha capacidade para isso.

Nintendo Blast: E como foi representar o Brasil inteiro na etapa final lá em Paris?

Tiago: Foi uma experiência única. A Ubisoft cobriu todos os gastos para que eu pudesse ir. Pagaram a passagem, hospedagem… Infelizmente não passei das quartas-de-final e não deu para trazer o título para cá, mas eu pretendo tentar de novo no ano que vem. Quem levou a última foi o jogador da Turquia, Umutcan Tütüncü, que agora é bicampeão igual ao Diegho San.

Eu tenho muito orgulho de ter participado disso. Pude provar para muita gente que não acreditava que era possível ir tão longe que eu conseguia. Isso me ajudou a mostrar que não era só uma dança, que era algo sério e muito importante. Até minha mãe começou a me dar muito mais apoio depois disso. Me lembrava às vezes que eu tinha que treinar mais.

Nintendo Blast: Qual a sensação de competir contra outros jogadores de nível tão profissional?

Tiago: Nessa competição, o Brasil tem um grande nome lá fora, tanto por causa de pontuação quanto de performance. O pessoal de lá tem medo dos brasileiros que vão lá representar — não foi só comigo, com todos os outros também. É porque o brasileiro dança muito bem, as maiores pontuações são daqui do Brasil. Somos muito competitivos no jogo e eles sabem disso. Tanto que nos sorteios da duplas de lá, ninguém queria ir junto comigo (risos).



Nintendo Blast: Quando a gente assiste a vídeos de outros jogadores conhecidos das competições (como o Diegho, o Douglas e a Littlesiha), reparamos que todos têm estilos de dança muito diferentes. Como você enxerga o seu estilo?

Tiago: Sim, eu também acho que cada um tem seu jeito. Uns são bem mais técnicos, outros já não são tanto, mas passam bastante da alegria e da energia que estão sentindo. Quando eu soube que as competições teriam jurados, eu tentei melhorar a minha expressão para não ficar olhando sempre para a tela de cara fechada. É importante passar a energia para o público, além de ter flexibilidade e demonstrar que sabemos dançar os estilos diferentes de cada música, e cada detalhe conta bastante. Temos que para encarar os jurados e fazer de tudo para eles prestarem atenção na gente. Acho que isso tem dado certo.

Nintendo Blast: Qual o significado de Just Dance para a sua vida hoje?

Tiago: Para mim o jogo significa tanto união quanto diversão. União porque a gente acaba conhecendo gente de todos os cantos do mundo, e isso é muito bom. Diversão porque não importa o lugar ou com quem esteja, é sempre divertido.

Nintendo Blast: Tem alguma música favorita?

Tiago: Tenho algumas favoritas. Acho que se considerar todos os jogos... é difícil decidir uma só (risos). Mas eu ficaria com Single Ladies, da Beyoncé.

Nintendo Blast: Você acha que o Just Dance 2019 vai superar o 2018?

Tiago: Eu acho que sim, mas talvez com o tempo vai acontecer a mesma coisa que com o 2018. O pessoal vai dançar tanto ele, competir tanto, que vai enjoar em breve.



Nintendo Blast: Gostaríamos de agradecer por ceder o seu tempo para conversar com a gente. Foi um prazer enorme, Tiago. E boa sorte nas próximas competições.

Tiago: Quero agradecer pela oportunidade e dizer que vocês são o máximo! Adorei participar dessa entrevista, e quero dizer para as pessoas aproveitarem que o Just Dance 2019 já chegou.

Esperamos que tenham curtido nossa entrevista. Fiquem ligados, em breve também teremos uma conversa com o bicampeão mundial, Diegho San.

Revisão: André Carvalho
Marcelo Vieira é formado em Análise de Sistemas na UCAM e trabalha com infraestrutura Linux. Sua educação gamer inclui clássicos como Sonic, Super Mario e Resident Evil e é apaixonado pela Nintendo, mas encontra ótimas experiências em outras plataformas. Pode ser encontrado no meio de alguma Turf War, no Facebook e no Instagram.

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