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Análise: The Adventures of Elena Temple (Switch): metroidvania com aquele cheirinho de brechó

Se você quiser saber (ou lembrar) como eram os tempos do Game Boy original, esse é o jogo certo.


A tela inicial de The Adventures of Elena Temple coloca uma interessante seleção de possibilidades para o jogador. Enquanto você admira uma meticulosa coleção de consoles e computadores antigos, cada qual com o seu próprio estilo gráfico retrô, pequenos textos muito criativos e bem humorados explicam a (falsa) trajetória do jogo ao longo dos anos nessas (velhas) plataformas: desde o Pomo D'OR 4 (funcionando em uma TV Soni) até a versão mais conhecida do jogo rodando em um computador Bell — pessoalmente o meu jeito preferido de jogar é na saudosa tela esverdeada do Some Toy, mesmo sendo bem mais simples que o Some Toy Advanced.

Um tesouro de nostalgia

Após escolher o seu jeito preferido de jogar, você é apresentado à Elena Temple através de um simples, porém revelador, textinho de entrada: "Após descobrir a entrada subterrânea secreta, a renomada exploradora Elena Temple sente que está prestes a embarcar na sua maior aventura até então. A promessa de ouro e pedras preciosas logo vence o medo do desconhecido enquanto ela entra na cova. Infelizmente, Elena não percebe que a entrada não funciona também como uma saída. Ela irá precisar de muito foco para achar um jeito de escapar, mas definitivamente irá ficar mais rica no processo".

Naturalmente, enquanto você controla Elena pela primeira das 50 áreas do jogo, pequenas indicações na tela explicam tudo que você precisa saber: além dos tradicionais "botões" de movimento e de pause, A pula e B atira. Após atirar uma vez para quebrar um vaso no chão, o que adiciona uma moeda ao seu inventário, você percebe um pequeno contador na cabeça da personagem mostrando que só mais uma bala está disponível (e que um item em forma de "balas flutuantes" se encontra logo ao lado). Completando esse cenário, é fácil de perceber as potenciais ameaças (em forma de espinhos) e duas "saídas": uma para cima, inacessível no momento; e outra para baixo, bloqueada por um muro quebrado. Assim como Elena é incansável atrás de tesouros e pedras preciosas, o jogador não vai se deixar vencer por uma simples parede. A solução? Atirar nela — como esperado, um caminho se abre.



Na segunda tela o primeiro inimigo dá as caras: um escorpião malvado com um padrão de movimento previsível. Sem problemas, atire nele e livre-se logo desse problema. Apertando + (como o jogo pede no começo) lhe mostra um mapa dividido por pequenos quadrados em que o fiel chapéu de aventureira de Elena Temple mostra exatamente onde você está e, por conseguinte, onde você pode ir. O título da desenvolvedora GrimTalin pode parecer simples, mas nunca poderá ser chamado de simplório. Jogos do gênero de plataforma antigos (e bem feitos) são a melhor aula de game design que alguém pode ter e, por sorte, The Adventures of Elena Temple não homenageia essa época de ouro apenas no design — a fidelidade aos bons jogos de antigamente se estende para as mecânicas e o gameplay.

Os controles são "travados" o bastante para emular a sensação de jogar Metroid 2 no Game Boy preto e verde anotando coisas do mapa em um papel (sensação que eu tive o prazer de experimentar), mas são fluidos o bastante para se adequar a um flow mais atual. Os pulos podem flutuar um pouco mais e os tiros, representados por um simples traço escuro, definitivamente são meio lentos — só que esse é o charme que o jogo propõe simular, e tudo bem, afinal, funciona. Nossa heroína, por exemplo, Elena Temple, com sua saia despretensiosa, sapatos pretos, cabelo comprido, o fiel chapéu de Indiana Jones e um nariz pontudo meio marcante, possui mais carisma que a maioria dos personagens de videogame de ultimamente. Elena tem objetivos e motivações claras — sair da caverna, pegar tesouros — antagonistas, ferramentas e obstáculos. Porque não ajudá-la a vencer essa situação difícil?


A moral da história é que, às vezes, limitações não são algo ruim e, ironicamente, ao invés de limitar, apenas acrescentam e permitem que a criatividade faça o seu trabalho. A forma que você joga não é exatamente prática e confortável — o jogo não ocupa a tela toda do Switch em nenhum momento, e sim, reside dentro de alguns dos consoles antigos citados no começo — só que jogar gameboy sem luz própria, procurando um lugar com a iluminação adequada, e colocando pilha AAA na geladeira para durar mais tempo, também não era muito prático. Talvez o público mais novo não entenda muito o propósito de The Adventures of Elena Temple, mas eu arrisco dizer que o título, embora curto e com poucos elementos, funciona independente do seu apelo nostálgico.

Se você, seja qual for a sua idade, quiser jogar um Metroidvania mais raiz, com uma ótima trilha sonora chiptune 8 bits, em que você pode só coletar algumas moedas e jóias no melhor tempo, e da melhor forma (por talvez não mais do umas 2h), ajude Elena Temple a encontrar o seu caminho de volta para casa — mas com algum dinheiro no bolso, claro.


Prós

  • Game design excelente; 
  • Um prato cheio de nostalgia.

Contras

  • Duração bem curta;
  • "Pegada" mais simples e com pouco a se fazer.
The Adventures of Elena Temple — Switch/PC — Nota: 8.0

Versão utilizada para análise: Switch 
Revisão: Vinícius Fernandes
Análise produzida com cópia digital adquirida pelo próprio redator
Raoni Pinheiro escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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