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Análise: Forgotton Anne (Switch) é uma aventura bela, porém monótona

O game de plataforma é um espetáculo visual e musical, a história interessante e bem estruturada, mas perde pontos pela falta de ação.




Sabe aonde foi parar aquele par de meia ou aquela pilha para pôr no controle? Então, saiba que essas e outras coisas vão parar em um outro mundo, em outra dimensão e não, não é uma figura de linguagem. No recente nindie Forgotton Anne, os objetos esquecidos vão parar em outro mundo, muito parecido com o nosso.

O mundo das coisas esquecidas

Em Forgotton Anne todos os objetos perdidos ganham uma segunda chance nas Forgotten Lands [Terras Esquecidas], lá eles não apenas ganham vida e consciência, como também passam a trabalhar e viver como nós, seres humanos, fazemos diariamente. Há apenas dois seres humanos neste mundo: Anne, a Executora e Bonku, seu mestre e líder deste mundo.

Anne é a única personagem jogável de toda a aventura, e toda a história irá se desenrolar através de sua perspectiva. A história se inicia após uma explosão na torre de observação. Anne então descobre que isso pode ser ação da rebelião dos Forgotlings - nome dado aos objetos esquecidos que vão parar nesta dimensão - que são contra Bonku e sua empreitada em produzir um mecanismo que levará os dois humanos e um grupo seleto de objetos de volta à nossa dimensão.

A partir daqui começam os spoilers da história, isso pois o foco do jogo é o desenvolvimento do storytelling, que bebe em diversas fontes da ficção fantástica contemporânea. Porém, o desenvolvimento desse mundo é feito com tanto esmero que a conexão do jogador com ele se dá rapidamente e mesmo o tom mais lento que embala a história cativa.


Como Anne divide sua história com o jogador, ao passo que a aventura se desenvolve nos tornamos cada vez mais envolvidos com aquele mundo. A parte mais interessante do desenvolvimento dessa narrativa é a maleabilidade da personalidade de Anne por toda a jogatina.

Isso pois a personagem é uma figura importante dentro das Forgotten Lands, além de ser poderosa, e o jogador poderá escolher qual caminho Anne seguirá, escolhendo como a personagem irá se portar perante os outros e suas ações perante as bifurcações que a aventura apresentar.

Seria fácil dizer que essas escolhas se dividem em uma Anne arrogante e outra gentil, mas nem sempre as respostas contemplarão generalizações, em muitos casos a percepção do jogador acerca de justiça e moral serão colocadas à prova a todo o momento, principalmente na percepção de bem e mal. Essas escolhas moldam a aventura e fique sabendo que há mais de um final, além de diálogos e acontecimentos diferentes para cada diálogo interativo no jogo.


Cientes da pluralidade de caminhos pelos quais a história poderia se enveredar, os desenvolvedores do game disponibilizaram uma mecânica que autoriza o jogador a acessar diversos checkpoints do game, para aqueles que se interessarem pelas outras versões disponíveis no título. Isso depois do jogador finalizar a história pela primeira vez.

O belo mundo de Anne

Se tem algo que faz Forgotton Anne saltar aos olhos é a sua beleza e a atenção ao detalhes de sua equipe de desenvolvimento. O jogo conta com uma qualidade estética absurda, os cenários são belos, remetendo a um mundo steam punk bastante próximo ao nosso. É mandatório que o título seja jogado no modo de televisão, para que seja apreciado em sua melhor forma.

Apesar de um cenário bem detalhado, as animações dos personagens, seja no gameplay ou nas cutscenes, acabam destoando. Bebem mais na fonte dos animes e mangás, porém têm uma estética um tanto divergente dos cenários tão bem trabalhados. A discrepância é mais visível nas animações dos personagens humanos, onde o traço rudimentar e destoante ganha mais visibilidade.



Junto disso, a movimentação de Anne é muito truncada e dura nesse mundo. A mecânica busca ser o mais sensível possível: caso o jogador pare de apontar o direcional para baixo enquanto desce a escada, Anne irá parar no meio dos degraus, esperando a finalização do ato. Mesmo com esse cuidado, a interação e movimentação parecem muito duras e desconectadas com o mundo que os cerceia.

Se tem um espaço em que Anne triunfa é em sua trilha sonora, e olha que para agradar os nintendistas, mimados e acostumados com trilhas sonoras épicas de The Legend of Zelda e Mario, saibam que aqui não há o menor espaço para reclamação. Toda a trilha sonora deita no campo da música clássica, interpretada quase inteiramente pela filarmônica de Copenhagen (o jogo é Dinamarquês).

Se possível, jogue com o mínimo de interferência externa para poder aproveitar a experiência, caso esteja jogando no modo portátil, faça bom uso dos fones de ouvido. Não se arrependerá! Para quem se interessar, a trilha sonora está disponível no Spotify.



Mesmo sendo identificado como um título de plataforma e puzzle, o game se aproxima mais a uma visual novel, uma história interativa. História essa que é o maior foco do título, a jogatina fica sempre em segundo plano, o que pode incomodar os jogadores sedentos por ação.

A aventura tem um ritmo bom até se aproximar do final, no momento em que algumas revelações surgem e quando tudo parece perdido, a quebra no ritmo causa mais irritação do que o suspense desejado, o que pode dar um banho de água fria em quem está jogando, mas não estraga a experiência.


O título está disponível em diversos idiomas, porém a versão de Switch [pelo menos a analisada por nós, e, consequentemente, a disponível na eShop] não possui localização para o português, nem mesmo nas legendas. Como é indicado a existência da adaptação para nossa língua, é possível que esta só esteja disponível nos outros consoles.

Forgotton Anne é um título interessante com uma história de caminhos plurais, onde a interação e a estética são chaves para o envolvimento do jogador com a aventura. Não é nenhuma história que revoluciona o gênero, mas que agradará os fãs de histórias de fantasia que estiverem dispostos a apreciá-la.

Prós

  • Storytelling bem desenvolvido;
  • Trilha sonora cativante e bela;
  • Cenários e ambientação belos e detalhados;
  • Pluralidade de caminhos na história, abrindo espaço para fator replay.

Contras

  • Movimentação e animações dos personagens de qualidade divergente à estética do título;
  • Jogatina monótona;
  • Puzzles simples demais;
  • Falta de localização em português para versão do Switch.
Forgotton Anne - Switch/PS4/XBO/PC - Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: Switch

Revisão: João Paulo Benevides
Análise produzida com cópia digital cedida pela Square Enix
Victor Carozzi escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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