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Análise: GRIP (Switch) traz corridas cheias de adrenalina e explosões

Jogo de corrida focado em combates pode agradar os maiores fãs do gênero, mas pequenos problemas podem afastar outros tipos de jogadores.


GRIP é a aposta da Wired Productions para agradar os fãs de jogos de corrida de combate - um gênero que não tem tido tantos representantes nos últimos anos. O jogo é fortemente inspirado no saudoso Rollcage (PS1), praticamente como um sucessor espiritual. As semelhanças não estão somente na alta velocidade dos circuitos e nas altas doses de adrenalina, mas também nas mecânicas de combate e nos itens disponíveis para ataque e defesa. Como resultado, temos um título que mistura competições acirradas, bastante ação e explosões.


O jogo traz ainda alguns elementos para as corridas, ambientado com visuais um tanto futuristas e com características únicas e, além de ter boas referências, ele vem com bastante conteúdo. Se fosse um pouco mais além, GRIP poderia facilmente ter se tornado um título de destaque e seria recomendável para jogadores mais casuais. Ele quase chega lá, mas derrapa no fim da curva por alguns deslizes.


Alta velocidade e explosões

GRIP é um jogo de corrida que permite o uso de armas e outros power-ups para enfrentar os adversários, se destacando por trazer algumas mecânicas que tornam a experiência mais diversificada. O jogador deve fazer o possível para tirar seus adversários do caminho - sejam lá quais forem os meios. Embora a sensação de correr em meio às explosões e carros tentando te acertar seja parte importante da experiência, alguns detalhes fazem bastante diferença.



Os carros são capazes de correr pelas paredes e pelo teto, e o próprio design das fases incentiva o jogador a explorar estes caminhos. Alguns trechos fora do chão são, inclusive, o caminho obrigatório de alguns circuitos. Essa capacidade dos carros não está relacionada a um sistema que anule a gravidade temporariamente nestes trechos, portanto, é preciso manter-se em alta velocidade para evitar cair. Os painéis de boost espalhados pelo cenário são fundamentais para isso.

Como parte das mecânicas de combate, o jogo oferece nove tipos de itens para serem coletados nas corridas, sendo possível armazenar no máximo dois ao mesmo tempo. Entre eles, há armas como metralhadoras e mísseis para atacar adversários ou destruir outros perigos nas pistas. Há também um item que garante um boost de velocidade temporariamente, e outros que atrapalham outros veículos de diferentes maneiras. O escudo protetor consegue bloquear projéteis inimigos, sendo ainda mais útil para evitar danos quando estiver nas paredes ou no teto. O uso inteligente dos power-ups é fundamental para se manter nas primeiras posições e evitar ser arremessado para longe.


Não é difícil pegar o jeito de controlar os carros em GRIP. Existem 15 veículos no total, que apresentam diversos atributos como velocidade, manejo, aceleração, entre outros. Boa parte deles deve ser desbloqueada através da experiência adquirida ao longo do jogo, que também serve para desbloquear algumas modificações visuais. Como os veículos são leves, é muito comum que eles voem pelos ares devido a uma explosão. Mesmo que estejam no ar, ainda é possível ter algum controle sobre o carro. Em todo caso, se o seu carro ficar em um local difícil de retornar ao circuito, é possível redefinir sua posição com o pressionar de um botão.


Visualmente, GRIP traz visuais satisfatórios e algumas pistas apresentam um nível aceitável de detalhamento, embora seja difícil observar todos os detalhes em alta velocidade. Outras, porém, são mais simples e com visuais um pouco mais pobres. Já os carros têm aparências interessantes, lembrando um pouco carrinhos de brinquedo, e essa impressão é reforçada pelo leve peso que eles possuem.

Bastante conteúdo para diversão

Outro grande ponto positivo em GRIP está em sua quantidade de conteúdo, que é bastante atraente tanto para quem quer jogar offline quanto online. Existem vários tipos de corridas e diversas opções para customizar as partidas, com uma boa variedade para agradar vários tipos de jogadores. Para os iniciantes, vale a pena conferir o modo Campanha, que inclui um tutorial apresentando as mecânicas do jogo e o funcionamento dos itens. O tutorial é opcional, é possível ir direto para os torneios da campanha, que são classificados por nível de dificuldade.



Na opção Single Player, encontramos uma lista de tipos de corridas a nossa escolha. A Classic Race é a opção mais tradicional, onde o objetivo é atravessar primeiro a linha de chegada e o uso de itens é permitido. Já nas partidas Ultimate Race, pontos adicionais são dados pelos danos causados aos adversários. O modo Elimination Race é um dos mais divertidos, no qual o corredor que estiver na última posição é eliminado a cada trinta segundos. Mas, se você quiser somente contar com sua habilidade ao volante sem o uso de itens de ataque, o modo Speed Demon é o mais ideal.

Após o modo de jogo ser definido, é possível escolher a pista desejada, a quantidade de voltas e de participantes, a dificuldade da corrida, se o circuito estará espelhado e habilitar ou não o uso de itens. Além da dificuldade da inteligência artificial dos adversários, cada pista também possui sua própria dificuldade. Uma opção interessante e que adiciona mais tensão às corridas é a Destructible Vehicles, que permite que os veículos possam ser destruídos. Se o jogador desejar correr um número maior de vezes seguidas, a opção Create Tournament permitirá adicionar mais pistas e ainda definir uma configuração específica para cada uma.

Todos os modos mencionados acima não estão restritos às jogatinas com um único jogador. Também há suporte a partidas locais com tela dividida, através da opção Split Screen, com a observação de que esta opção só pode ser usada com o Switch no modo TV. O jogo oferece suporte a partidas online, com todos os modos anteriores disponíveis. É possível criar partidas privadas ou se juntar a outros jogadores em partidas rápidas, com um limite de até 10 jogadores em uma mesma sessão.


Pequenos deslizes no caminho

Apesar de ter tudo para dar certo, GRIP esbarra em alguns pequenos problemas incômodos. É o caso do design das pistas, que às vezes tem um terreno muito acidentado ou com muitos obstáculos. Em alta velocidade, é comum que o jogador não tenha tempo de desviar. Esse problema é agravado em alguns cenários com visuais mais simples, com pouca variação de cores e luminosidade.



Nesses casos o jogador, além de ter dificuldade para perceber os obstáculos, pode não conseguir identificar com precisão o caminho a ser seguido - principalmente as rotas alternativas que o circuito oferece. O resultado disso são inúmeras colisões abruptas que, devido ao pouco peso dos carros, tiram o controle do veículo por bastante tempo. Essas colisões são mais irritantes quando o jogador está nas paredes ou no teto.

A interface durante as corridas conta com um mapa. Uma linha mostra a posição do jogador em relação aos adversários, que são representados por pontos. Infelizmente, é tudo confuso e pouco funcional, além de não ajudar muito para ter uma boa noção do quão distantes os veículos estão. Como as cores do mapa são sempre brancas, em pistas mais iluminadas é uma tarefa bem complicada enxergá-lo direito. Vale mais a pena fazer de conta que o mapa não existe.



E por fim, alguns power-ups tem uma programação estranha, como os os mísseis teleguiados que vão em direção ao adversário mais próximo. A trajetória do item é reta, mas às vezes o comportamento é um tanto esquisito. O grande problema é que, dependendo da parte da pista que estiver à frente ou da inclinação do carro, ele pode colidir com o próprio chão, causando danos ao próprio jogador.

GRIP é um jogo interessante, que tem mais chances de ser bem aceito pelo público específico que anseia por uma novidade do gênero. Apesar disso, alguns pequenos problemas e pequenas falhas nas mecânicas o impedem de se tornar, de fato, marcante no cenário atual. Para os jogadores casuais, talvez não seja um jogo capaz de prender a atenção por muito tempo.



Prós

  • Diversos modos de jogo;
  • Controles fáceis de aprender;
  • Boa quantidade de veículos e pistas;
  • Mecânicas incentivam correr nos tetos e paredes dos cenários;
  • Ótima sensação de velocidade.

Contras

  • Algumas pistas são confusas demais;
  • Mapa pouco funcional;
  • Alguns power-ups são mal programados.

GRIP - Switch/ PS4/ Xbox One - Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Júlio César
Análise produzida com cópia digital cedida pela Wired Productions

Marcelo Vieira é formado em Análise de Sistemas na UCAM e trabalha com infraestrutura Linux. Sua educação gamer inclui clássicos como Sonic, Super Mario e Resident Evil e é apaixonado pela Nintendo, mas encontra ótimas experiências em outras plataformas. Pode ser encontrado no meio de alguma Turf War, no Facebook e no Instagram.

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