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Análise: Undertale (Switch) é um tentador convite à reflexão

Lutar ou agir? Eis a questão.


Lembro muito bem do fenômeno Undertale entre 2015 e 2016 com sua versão para PC, porém nunca havia jogado, tampouco assistido a algum vídeo sobre. Com a chegada da versão para Switch no segundo semestre de 2018, a curiosidade sobre a obra de Toby Fox me instigou e resolvi dar uma chance ao aclamado indie — e não me arrependi. O game passou por campanhas de arrecadações pelo Kickstarter em 2013 e foi desenvolvido por volta de 3 anos, resultando em um trabalho independente digno de renome e atenção dos jogadores.

It’s kill or be killed 

Com inspirações escancaradas em franquias da Nintendo, como em Mother e em Mario & Luigi, Undertale apresenta premissas bem simples a princípio: você é uma criança humana que caiu no Underground, uma vasta região abaixo da superfície da Terra, separada por uma barreira mágica. O jogador encontra vários monstros durante a campanha e seu objetivo é voltar à superfície.

Para isso, o sistema de combate do game é um pouco diferente do que estamos acostumados a ver. O jogador controla um coração vermelho que representa sua alma e precisa desviá-lo dos ataques enviados pelo inimigo. Assim, é possível optar pelo modo pacífico, através de diálogos cômicos, conseguindo tréguas com os monstros, ou partir para o ataque, assassinando as criaturas.

Dessa forma, tudo parte da decisão trivial do jogador — trazendo consequências para o final do game. A ação ACT disponibiliza diversas interações interessantes, visto que o diálogo, nesse jogo, se torna uma forma de acabar com qualquer conflito, na teoria. É recomendado que o jogador não tenha contato com informações sobre o game antes da jogatina, pois poderá prejudicar a experiência.


De forma resumida, para evitar aborrecimentos com possíveis spoilers, o humano passa por diversas áreas, encontrando no caminho diversos monstros, como Sans e Papyrus, dois irmãos sentinelas, Undyne, a cabeça da guarda real, Mettaton, uma televisão robótica, dentre outros. Essa construção narrativa repleta de personagens memoráveis é apreciável, principalmente porque muitos deles têm características únicas e contribuem para a construção do final.

Além disso, os diálogos são, por muitas vezes, geniais e contém muitas referências divertidas e icônicas, sem contar algumas frases que aparentam marcar muitos jogadores. Acompanhado a isso, a trilha sonora beira a perfeição com toques icônicos que conseguem agregar caracterizações únicas dos personagens. Na minha visão, é impossível, para quem jogou Undertale, ouvir essa música, por exemplo, e não relacionar instantaneamente ao cômico sentinela Sans:
Em síntese, é uma experiência nova e com mecânicas que não serão encontradas em outro game. Infelizmente, a campanha dura cerca de 3 a 6 horas apenas, já que o jogo induz o jogador a experienciar a narrativa novamente por outras perspectivas, e não dá muita liberdade ao jogador, seguindo uma trilha linear de progressão, mas isso não ofusca o brilho e a genialidade do criador com o título.

Um presente para o Switch

Curiosamente, a versão para Nintendo Switch se difere de todas as demais. Provavelmente pela consideração dos desenvolvedores com os títulos da Big N, como mencionado acima, nessa versão há um novo boss com mecânicas totalmente novas com o uso dos Joy-Con para o híbrido. Caso o jogador queira enfrentar a nova criatura, apenas indico a casa de Papyrus como ponto inicial desse conteúdo exclusivo — que vale a pena conferir.

Você escolhe o seu destino

Após terminar a campanha principal sem nenhuma influência externa de outros jogadores, descobri que os finais são relativos e há um certo fator replay da jornada, uma vez que você pode descobrir o que acontece no final genocida ou no final pacífico. Além disso, todas as suas ações durante a jogatina, sobre atacar ou agir, refletem em textos finais e contradições que são fechadas no primeiro plot da campanha, fato apreciável por aqueles que gostam de moldar o final da narrativa.

Falando em plot, é interessante mencionar que o final, caso você não tenha jogado ou assistido à gameplay anteriormente, consegue te deixar boquiaberto após a exibição da verdadeira trama do game. Mesmo após muitas risadas de Sans e Papyrus no decorrer da história, quando o momento se torna sério e entrega críticas ao posicionamento do jogador, é possível inverter completamente os paradigmas mostrados no começo de Undertale.

Enfim, Undertale é o tipo de jogo que você vai querer jogar de novo — mesmo que não seja imediatamente após a primeira jogatina. Sua indagação cômica, suas músicas e seus personagens memoráveis para a história dos indies mostra o capricho revitalizador do título que, desde 2015, consegue surpreender inúmeros jogadores e conquista uma fanbase, sem sombra de dúvidas, sólida. Mesmo com uma história relativamente curta e linear, o cuidado com a versão para Switch é notável e merece ser jogada, seja on the go ou deitado no sofá apreciando uma butterscotch cinnamon pie.

Prós

  • Personagens carismáticos e músicas memoráveis;
  • Narrativa interessante oscilando entre cômico e trágico;
  • Destaque reflexivo do plot final;
  • Boss exclusivo para a versão de Nintendo Switch;
  • Fator replay e finais variados.

Contras

  • História relativamente curta;
  • Linearidade narrativa.

Undertale - PC / PS4 / PS Vita / Switch - Nota: 9.5

Versão utilizada para análise: Switch
Análise produzida com cópia do game comprada pelo próprio redator.

Paulo Vinícius é estudante e apaixonado por games desde seu primeiro contato com Duck Hunt e Ice Climbers do nintendinho em 2002. Fanático por Pokémon e admirador de diversas franquias, reúne seu tempo livre para escrever e tentar colocar suas séries em dia. Está no Facebook e Instagram.

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