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Região de Kanto: o palco histórico das primeiras jornadas Pokémon

O local onde tudo começou — e para onde a gente sempre acaba querendo voltar.


Palco de memórias (e mais memórias) valiosas para muitos dos jogadores da franquia, a região de Kanto é certamente a localidade mais frequentemente visitada pelos games de Pokémon. Seja através de Pokémon Red/Blue/Yellow (GBC), seja na versão televisiva do anime de sucesso, foi viajando por essas terras que toda uma geração descobriu e se fascinou pela primeira vez com o universo dos monstros de bolso. Não seria exagero dizer que a região de Kanto está para Pokémon assim como o Mushroom Kingdom está para Mario: é o local onde tudo começou e para o qual tudo tende sempre a voltar.

Mesmo deixando de lado o fato de que essa aventura inicial deu origem a um modelo de sucesso que acabou sendo seguido por praticamente todos os jogos da série principal desde então, a própria região de Kanto deu as caras em outros momentos memoráveis da franquia. Foi tema de um épico pós-game em Pokémon Gold & Silver (GBC) — e em seus respectivos remakes Heart Gold & Soul Silver (DS) —, além de marcar toda uma nova geração de treinadores (e fazer alegria dos veteranos retornantes) em Pokémon Fire Red & Leaf Green (GBA).



Em breve, a região voltará ao centro das atenções ao figurar como cenário de Pokèmon Let’s Go Pikachu & Let’s Go Eevee (Switch), inaugurando a série principal de RPGs no console híbrido, ao mesmo tempo em que estreia a integração com Pokémon GO (Mobile), servindo como porta de entrada para toda uma nova leva de jogadores. Antes de embarcar nessa nova jornada, que tal recapitular conosco a história e as principais características desse local histórico?


O quintal do Satoshi

Pode-se dizer que a ideia da terra fictícia de Kanto é mais antiga do que os próprios pokémon — ao menos como os conhecemos hoje. Em rascunhos do planejamento inicial dos games de estreia da franquia, quando o projeto ainda se chamava "Capsule Monsters", é possível vermos um esboço do mapa do jogo que se assemelha bastante com o que seria apresentado na versão final. 

O fato é significativo. Satoshi Tajiri, criador do conceito geral de Pokémon e co-fundador da produtora Game Freak, idealizou seu RPG como uma experiência interativa que traria os aspectos lúdicos do colecionismo e se utilizaria da mobilidade do console portátil para criar uma experiência que brincasse com os limites entre o real e o virtual. Colecionar as criaturas no mundo do jogo para, então, levá-las consigo no console de bolso (daí a idéia se transformar futuramente em “monstros de bolso”) em busca de oponentes de batalha e colaboradores para trocas através do Cabo Game Link.

Esboço inicial do mapa, quando o jogo ainda se chamava Capsule Monsters.

Assim, o cenário e roteiro do jogo foram imaginados inicialmente tendo como modelo uma jornada simples em busca das criaturas, imitando um misto entre o colecionismo de insetos e o dos gashas (brinquedos colecionáveis em cápsulas obtidos de forma aleatorizada em máquinas de venda), ambos passatempos populares no Japão e presentes na infância dos próprios Tajiri e de seu principal colaborador criativo na época, Ken Sugimori

Neste contexto, não é de se surpreender que o designer tenha imaginado o mapa-mundi do game como uma versão fantástica e simplificada dos arredores de sua cidade natal, Machida (町田市). Assim é que a região fictícia de Kanto nasceu baseando-se geograficamente na região do Japão que recebe o mesmo nome (関東地方 — Kantō-chihō), cuja cidade principal é a metrópole de Tokyo (東京都). 

A região fictícia traz inspirações na Kanto do mundo real.


Nada mais justo do que a cidade inicial do jogo, a icônica Pallet Town, se basear na própria Machida, recriando as experiências nostálgicas do criador desse mundo. Quem pensar, com base nisso, que Tajiri cresceu em uma cidadezinha bucólica composta de duas casinhas e um prédio, poderá se surpreender com as dimensões e a densidade populacionar de Machida. Contando atualmente com aproximadamente 430 mil habitantes e uma densidade populacional de quase 6 mil pessoas por km², a cidade não lembra muito o início prosaico da aventura pokémon de Red/Blue/Yellow.

Design inteligente

Tais liberdades criativas estão alinhadas com a visão dos criadores para o mundo que construíram: o mapa traz cidades que variam em complexidade conforme a própria necessidade do jogo em ir introduzindo novos conceitos ao jogador. O exemplo mais claro desta abordagem é a primeira sequência de cidades: de Pallet até Cerulean, o jogador é guiado por um design que ensina sem recorrer aos chatíssimos tutoriais — pelo contrário, ficamos com a sensação de desbravar por nós mesmos e com total liberdade um mundo cheio de elementos fantásticos.

A Rota 1 (esq.) é desenhada para ensinar ao jogador sobre os encontros com pokémon selvagens na grama alta, enquanto a Viridian Forest (dir.) nos faz aprender sobre status, evolução e uso de itens.
De Pallet até Viridian, o jogador vai se familiarizando com o mundo do game através desses espaços, sendo que a travessia vai se tornando mais complexa ao longo da jornada, que recebe adições como a bicicleta e os polêmicos HMs. Trata-se de um bom uso de um formato linear de narrativa, que acaba se aproximando de algo como um mundo aberto ao garantir que o jogador transite de volta por lugares já percorridos em busca de funções, criaturas ou rotas novas habilitadas conforme a história progride. 

A progressão do jogador em busca do título de campeão da Pokémon League está intimamente ligada aos locais de sua jornada, com cada insígnia representando a conquista de determinado trecho do roteiro. Não é por menos que o retorno à Pallet, surgando a partir de Cinnabar Island é um momento memorável: trata-se de voltar para casa antes do último ato da história, como ocorre em toda boa jornada de herói. Kanto acaba sendo um cenário bem desenhado tanto em termos de gameplay quanto de narrativa, sendo parte integrante da boa qualidade dos títulos de estreia da franquia.

Volta ao mundo em oito insígnias

Mas seriam o "charme de estreante" e o ótimo game design envolvido com os jogos iniciais os únicos responsáveis pelo grande apreço do público por Kanto? Embora esses fatores sejam importantes, dificilmente seria o caso. Para provar nossa tese, revisitaremos as cidades que compõem a jornada, relembrando seus pontos de destaque e apontando os paralelos com o mundo real que serviram de inspiração para a versão fictícia.


Pallet Town


"Eu sou Ash Ketchum, da Cidade de Pallet"! Embora possa ser lembrada principalmente como a cidade de origem do protagonista do anime (que apresenta uma região de Kanto aparentemente muito mais extensa do que sua contraparte original, com dezenas e mais dezenas de cidades), a pequena Pallet Town é antes de tudo o "lar doce lar" do protagonista Red.

Essa pequena cidadezinha isolada trouxe várias contribuições ao mundo pokémon. O local conta com o maior centro de referência em pesquisas da região, o Laboratório do Professor Oak (ou Carvalho, para os mais conservadores), onde pokémon iniciais são oferecidos aos treinadores em começo de jornada.

Além de Red e do Prof. Oak, o vilarejo foi também lugar de origem de Blue Oak (Green, no original), neto do estudioso que acabaria tendo uma carreira como treinador tão notável quanto o vizinho e eterno rival, Red.

Apesar de ser baseada na cidade-natal de Tajiri, Machida, sua localização no mapa corresponde à cidade portuária de Shizuoka (静岡県 Shizuoka-ken), localizada na região de Chūbu. Trata-se, como veremos, de uma exceção em relação às outras cidades de Kanto.

Viridian Town



Conhecida como "a cidade sempre verdejante", Viridian Town é o primeiro destino da jornada pokémon de Red. Conforme o próprio nome sugere, sua principal característica natural é a floresta verde que envolve a cidade ao norte. Em sua primeira visita por essas terras, Red encontra-se com o famoso Old Man desmaiado que, uma vez recomposto, ensina-o sobre a captura de pokémon selvagens. O tutorial tornou-se inusitadamente icônico na primeira geração de games, pois era um passo necessário para habilitar o glitch do pokémon MissingNo.
Seguindo ao norte pela floresta, o treinador iniciante encontra várias criaturas do tipo inseto as quais apresentam uma ótima oportunidade para se familiarizar tanto com as mecânicas de captura quanto com o sistema de evolução — tanto Weedle quanto Caterpie possuem ciclos evolutivos curtíssimos, completando três estágios evolutivos em apenas 10 levels. Mais uma vez, design inteligente!

Apesar de contar com um Ginásio pokémon ocupado por um poderoso treinador, ele raramente se encontra no local, sendo que provavelmente é comum que os treinadores deixem para desafiá-lo mais ao final da jornada. Mesmo porque é logo a oeste de Viridian que se encontra o acesso à Victory Road, rota de desafios onde apenas os habilitados a desafiar a Elite Four em Indigo passam por um último teste de suas habilidades.

A contraparte do mundo real de Viridian City é a cidade de Hakone (箱根町 Hakone-machi), destino turístico pouco populoso próximo à Tokyo que tem como características principais a paisagem natural (cheia de verde, é claro) — o que inclui uma vista privilegiada do Mt. Fuji, contraparte real da Mt. Silver do mundo Pokémon, grande divisor entre as regiões de Kanto e Johto que se ergue sobre o Indigo Plateau.

Pewter City 


Com paisagem predominantemente rochosa e localizada na base de uma grande formação montanhosa, Pewter é a cidade mais distante em relação ao litoral de toda região de Kanto. Suas atrações principais são o Pewter Museum of Science, centro de pesquisas arqueológicas que investiga e cataloga fósseis de pokémon como Kabuto, Aerodactyl e Omanyte (ave, Helix Fossil!); além do tradicional Ginásio de Pewter, liderado pelo líder Brock, especialista — é claro — em pokémon do tipo Rock. Derrotando-o, o desafiante recebe a Boulder Badge.

A cidade de Pewter se baseia em duas localizações análogas no mundo real: Maebashi (前橋市 Maebashi-shi), cidade de grandes proporções que se localiza ao pé do Mt. Akagi e é famosa pelo clima seco; bem como a cidadela vizinha, Midori (みどり市 Midori-shi), famosa pelo sítio arqueológico de Iwajuku, que conta também com seu próprio museu.

O Mt. Akagi, paralelo real do Mt. Moon, conta com uma formação em forma de lago próxima ao seu pico, tal qual a misteriosa montanha do mundo pokémon. No entanto, não há relatos documentados de Clefairys dançantes ou meteoros radioativos pela região.

Mt. Akagi — a "Montanha da Lua" da vida real.


Cerulean City


Apesar de um predominante tema aquático, a cidade de Cerulean não é propriamente litorânea: sua saída para o mar se encontra apenas bem ao noroeste, para além de seus limites urbanos, no Cerulean Cape. Sua "misteriosa aura azul" vem, portanto, não de ares oceânicos mas sim do grande lago sobre o qual o local fora construído.

O Ginásio pokémon local traz a treinadora especializada em pokémon do tipo aquático, Misty, que recompensa os desafiantes vitoriosos com sua Cascade Badge. Na ocasião da passagem de Red pela cidade, o treinador se depara com uma operação da Equipe Rocket, que roubou um TM 28 (Dig) de um habitante local. Talvez na época em que TMs eram raros e só funcionavam uma única vez, esse tipo de coisa acabava se tornando prática comum...

As atividades da equipe vilanesca poderiam ou não estar ligadas com a misteriosa Cerulean Cave, caverna localizada sobre o lago do local que é o abrigo de poderosíssimos pokémon, incluindo aí o misterioso Mewtwo. Não por menos, seu acesso costuma ser restrito ao público. Mais ao norte, no Cerulean Cape, reside o famoso pesquisador Bill, criador do sistema de armazenamento remoto de pokémon via PCs. Teriam os ares misteriosos do local ajudado a inspirar o gênio visionário?

A contraparte na vida real de Cerulean é Tsuchiura (土浦市 Tsuchiura-shi), cidade de médio porte que fica ao norte de Tokyo e se distribuir pela margem oeste do grande Lago Kasumigaura. No mundo real, Bill provavelmente não teria garantida sua vista para o mar se decidisse morar em Cerulean, já que a cidade se encontra consideravalmente distante do litoral.

Vermillion City


A portuária Vermillion City abriga três pontos de interesse ao treinador viajante: o Ginásio da cidade, liderado pelo militarista com trejeitos norte-americanos, Lt. Surge; o curioso Pokémon Fan Club, onde se reunem os admiradores dos monstros de bolso que não se interessam tanto por batalhas; e o próprio Vermillion Harbor, um dos maiores portos da região de Kanto, de onde partem cruzeiros marítimos famosos como o S. S. Anne, S. S. Aqua e o Seagallop.




Lt. Surge faz uso de pokémon do tipo elétrico, recompensando o desafiante que resistir aos seus choques com a Thunder Badge. Portanto, nada de tentar se utilizar de alguma das diversas criaturas que podem ser encontradas pela costa marítima na cidade! Apesar da inspiração industrial do Ginásio local, Vermillion é famosa pelos baixos índices de poluição, especialmente se comparada com as grandes cidades localizadas ao norte.

Outro ponto curioso da cidade litorânea é o Construction Site, um local onde um treinador, acompanhado de seu Machop, tem sido mostrado desde os primeiros games da série limpando o terreno e preparando uma obra que, no entanto, nunca parece conseguir sair do papel. Nem mesmo em Gold & Silver (e nos remakes HG & SS), três anos mais tarde, a empreitada teve qualquer avanço visível. Será que em Let's Go poderemos finalmente ver o edifício resultante?

Sua contraparte no mundo real é a cidade de Yokohama (横浜 Yokohama), importante centro comercial portuário que conta atualmente com a segunda maior população de todo o Japão, ficando atrás apenas de Tokyo. A cidade, que nasceu como uma vila de pescadores, prosperou especialmente a partir da internacionalização do país, e aparece hoje como cenário em diversos filmes, mangás e animes.

Lavender Town


A cidade mais trevosa e amaldiçoada de Kanto, Lavender Town é um ponto de referência para os contos de terror do universo de Pokémon. Alimentada pela trama envolvendo aparições fantasmagóricas no mausoléu conhecido como Pokémon Tower (e por uma BGM absolutamente sinistra), a fama do local faz dele um dos locais mais curiosos de todo a região de Kanto, o que compensa pela ausência de um Ginásio desafiável no local.

Local de descanso das criaturas que já partiram desta para a melhor, a Pokémon Tower traz aparições fantasmagóricas ligadas às atrocidades cometidas pela Equipe Rocket em busca de cumprir seus objetivos nefastos. Para lidar com elas, Red acaba tendo que lançar mão de um aparato especial, o Silph Scope, que permite visualizar tais aparições enquanto pokémon do tipo Ghost. 

Não se sabe ao certo porque as aparições do local necessitam do aparelho para serem visualizados em sua forma verdadeira, ao contrário dos pokémon do tipo fantasma vistos posteriormente ao longo da franquia. Uma teoria amplamente aceita é a de que se trata da influência do fantasma de uma Marowak, assassinada pela equipe Rocket quando tentava proteger seu filhote Cubone. Os bandidos inclusive se aproveitam da crise esotérica para manter Mr. Fuji, um ex-cientista com segredos valiosos, como refém. 

Seguindo pela localização no mapa de Kanto, a contraparte de Lavender no mundo real seria a cidade de Narita (成田市 Narita-shi), local onde se localiza o Narita International Airport, principal ponto de acesso internacional à região metropolitana de Tokyo. Ou seja, se um dia for visitar o Japão e seu desembarque for via NRT, sorria: você estará visitando a sinistríssima Lavender Town!
Quem desembarca no Aeroporto de Narita visita o local análogo a uma das localidades mais curiosas de toda a versão fictícia de Kanto.

Celadon City


A região metropolitana de Tokyo é tão extensa que, se explorada minuciosamente, poderia render uma região do mundo pokémon inteira só para si. Em nossa Kanto fictícia, dois dos maiores centros urbanos são referências a bairros da metrópole: Celadon City representa o próspero centro comercial do bairro de Shinjuku (新宿区 Shinjuku-ku), enquanto Saffron City é a versão pokemonística do centro financeiro e administrativo tradicional de Marunouchi (丸の内 Marunouchi).

Celadon é uma das regiões mais populosas de toda Kanto, fato que é refletido em um centro comercial muito desenvolvido. O Celadon Deparment Store é a maior instalação comercial acessível ao jogador em toda região de Kanto, um shopping center que conta com uma seleção absurdamente diversificada de itens dos mais variados tipos. 

O Game Corner, por sua vez, faz referência ao Kabukichō, maior distrito da luz-vermelha de toda Tokyo. O centro de entretenimento traz um misto de apostas legalizadas com atividades na área mais cinzenta da lei — o que inclui, é claro, todo um esconderijo subterrâneo da Equipe Rocket.

Contrabalanceando a paisagem urbana, temos o tema arbóreo-floral do Ginásio da cidade, liderado pela treinadora especialista no tipo grama, Érika, que concede a Rainbow Badge ao desafiante capaz de vencê-la. A construção temática provavelmente faz alusão ao Shinjuku Gyo-en (新宿御苑), um grande parque nacional que contém diversos jardins inspirados em diferentes culturas.


Saffron City


Enquanto Celadon é a capital do entretenimento e da vida noturna, Saffron concentra edifícios administrativos em uma área urbanizada e altamente populosa. Em meio ao aglomerado urbano, um arranha-céu em especial rouba a atenção dos visitantes: a sede da megacorporação Silph Co..

Fabricante de acessórios e gadgets de alta tecnologia que vão das tradicionais Poké Balls e Potions até produtos mais experimentais como o Silph Scope e o protótipo cobiçado da Master Ball, a Silph Co. é a principal fornecedora dos Poké Marts de toda a região de Kanto. Sua pesquisa de ponta no ramo dos pokémon fez do local um alvo privilegiado da Equipe Rocket, sendo que Red enfrentou o cabeça da organização, Giovanni, pela primeira vez ao enfrentar o ataque dos vilões à sede da empresa.

Outro ponto interessante de Saffron ao treinador viajante é a existência de dois Ginásios na cidade. Quer dizer, mais ou menos! O Ginásio oficial da Pokémon League apresenta o desafio da treinadora de pokémon do tipo psíquico, Sabrina. Além dele, no entanto, a metrópole conta ainda com o Fighting Dojo, local onde treinadores do estilo Black Belt, entusiastas do tipo lutador, costumam se encontrar para treinar e batalhar. Algumas fontes dizem que, no passado, as duas organizações lutaram entre si pelo direito de representar o desafio oficial para Marsh Badge — adivinhe quem teve uma vantagem esmagadora no encontro!

Embora seja uma das maiores cidades da região, a grande maioria da área representada de Saffron não se encontra aberta à visitação pelo jogador. Outros pontos de interesse são a cara dos figurões Mr. Psychic e Copycat. Pois é, na cidade grande costumamos ver gente de todo tipo, mesmo!

Baseada, como vimos, no centro tradicional de Tokyo, o bairro de Marunouchi (丸の内 Marunouchi), Saffron City guarda ainda um outro diferencial: trata-se da única localidade específica de Kanto a ser representada com um stage próprio em Super Smash Bros. (N64). Ainda que não tenha retornado desde então, a pancadaria urbana já tem data para voltar, já que o cenário estará de volta no vindouro Super Smash Bros. Ultimate (Switch).


Fuchsia City


O viajante corajoso que topar encarar as ladeiras repletas de elementos suspeitos da Cycling Road terá como recompensa um passeio pela cidade de Fuchsia. Situada em meio a uma imensa reserva natural, Fuchsia traz um turismo ambiental muito próprio ao mundo de Pokémon. Espalhados pela cidade, pequenos mini-habitats formam um zoológico aberto que traz várias espécies típicas de pokémon da região.

Porém o Pokémon Zoo é apenas o aperitivo de uma tração maior. A Safari Zone traz aos treinadores a possibilidade de capturar pokémon em meio à imensa reserva ambiental, com o uso de um sistema próprio de captura que dispensa batalhas em favor do uso estratégico de Poké Balls especiais — as Safari Balls — e de equipamentos básicos que tornam a captura algo quase que um exercício de sorte. 

Com iscas para servir de agrado aos bichos e pedras para intimidá-los, o visitante tem um número pré-definido de passos para buscar espécies raras como Chansey e Kangaskhan. O local também organiza competições, com recompensas como o valiosíssimo HM03, Surf. 

Além da Zona Safari, o treinador encontra em Fuchsia um Ginásio bastante ameaçador, combinando a temática do tipo Poison com um líder que é, literalmente, um ninja. Uma vez vencido, Koga presenteia o desafiante com a Soul Badge. 

A cidade de Fuchsia se baseia em dois lugares do mundo real: a cidade litorânea de Tateyama (館山市 Tateyama-shi) dá a localização e as dimensões da cidade, enquanto a icônica Safari Zone muito provavelmente é uma referência ao Minami-Bōsō Quasi-National Park (南房総国定公園 Minami-Bōsō Kokutei Kōen), reserva ambiental que se localiza nas penínsulas ao sul de Tokyo.

Cinnabar Island


Por fim, antes de retornar à Viridian Town para obter a oitava e última insígnia de seu esquivo líder de Ginásio, o penúltimo desafio da jornada de Red levou-o à isolada ilha vulcânica de Cinnabar. Como não poderia deixar de ser para um Ginásio localizado na base de um vulcão ativo, o líder Blaine se especializa em pokémon do tipo fogo para defender sua Volcano Badge.

A localização isolada acabou sendo propícia para a instalação do misterioso Pokémon Lab, centro de pesquisas genéticas altamente experimentais que desenvolveu, dentre outros projetos, o primeiro pokémon inteiramente artificial, Porygon. Outro feito impressionante do local é a restauração de fósseis em pokémon vivos, prática que foi criada e desenvolvida aqui (com patrocíno da Devon Corporation, da região de Hoenn), e posteriormente adotada em outros centros de pesquisa por todo o Mundo Pokémon.

Possivelmente ligado ao laboratório esta a abandonada Pokémon Mansion, outro lugar absolutamente sinistro da região de Kanto, onde o treinador visitante poderá encontrar, em meio aos pokémon selvagens que infestam o local, diários de um pesquisador de identidade desconhecida que catalogam sua malfadada pesquisa genética, a qual teria dado origem a Mewtwo.

Cinnabar Island é baseada na ilha de Izu Ōshima (伊豆大島 Izu-ōshima), maior ilha vulcânica dentre as diversas formações encontradas ao sul de Honshu. Tanto quanto sua contraparte fictícia, o local conta com um vulcão ativo, o Mt. Mihara (三原山 Mihara-san) — cuja erupção mais recente ocorreu em 1990!
Izu Ōshima — Cinnabar Island da vida real!

 


Referências: Bulbapedia
Giba Hoffmann é gamer pra todo jogo, mas tem predileção por títulos retrô e um bom e velho JRPG. Sonic, Donkey Kong Country, Ratchet & Clank, Final Fantasy e Disgaea são algumas das séries que formaram a paixão pelos games, desde que ganhou seu Mega Drive, muitos (nem tantos!) anos atrás. Além de escrever para o Nintendo Blast, pode ser encontrado tagarelando no Plano Crítico e no Aventurine Brasil.

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