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Análise: Battle Princess Madelyn (Switch) é uma linda homenagem aos que já se foram

O jogo indie de plataforma 2D é um magnífico sucessor espiritual da icônica franquia "Ghost 'n Goblins".



Mesmo que seja impossível, qualquer um sonha em ser o protagonista do seu jogo favorito. A pequena Madelyn é uma garota que também tinha esse desejo ingênuo, até que o seu pai resolveu tornar esse sonho em realidade. Ela só queria trocar de lugar com o personagem Arthur, da clássica franquia Ghost ‘n Goblins (NES) e, no fim, acabou ganhando um jogo inteiro baseado em si mesma. Pensa numa pessoa sortuda...


Battle Princess Madelyn é um jogo de plataforma 2D desenvolvido pela Casual Bit Games, um grupo composto de apenas quatro integrantes: os pais da Madelyn, um programador e a própria garota, que ficou encarregada de decidir tudo o que acontece no jogo. É, Arthur... Parece que tem um sucessor espiritual para as suas aventuras, mas será que ele tem a mesma qualidade?

Um jogo de princesa

Na história, Madelyn é a princesa de um reino que foi atacado por um feiticeiro do mal. Fritzy, o cachorro da garota, faleceu durante a invasão e o mundo foi dominado por criaturas da noite. A pobre garota não aguentou a frustração e resolveu derrotar o mal com as próprias mãos, contando com a ajuda do seu querido avô e o do Fritzy, que retorna em forma de fantasma.

A jogabilidade funciona exatamente como no bom e velho Ghost ‘n Goblins, mas também carrega uma pitada de elementos dos metroidvanias mais modernos. Os movimentos da princesa são bastante precisos, apesar de simples. Aliás, é curioso notar que, assim como Arthur, a Madelyn também perde a roupa e fica só de pijama quando recebe qualquer dano.



Apenas dois hits são o bastante para acabar com a vida da princesa, porém, para a sorte da nossa sanidade, o companheiro Fritzy pode revivê-la com o poder das almas que são conquistadas quando um inimigo é destruído. Dessa forma, o jogo consegue balancear a dificuldade ao oferecer tentativas extras para quem fez questão de eliminar cada adversário.

O jogo é marcado por duas maneiras semelhantes, porém diferentes de se jogar. Basicamente, o Story e o Arcade Mode contam a mesma história, mas apresentam enormes diferenças no feeling do jogo. O Story Mode funciona como um Metroidvania com elementos de exploração e RPG. Já o Arcade foca na estrutura linear de fases típica dos primeiros jogos de plataforma 2D.

Os cenários e lugares dos dois modos são parecidos, porém, contam com mudanças significativas no level design e nos objetivos, além das ocasionais divergências narrativas que ocorrem no meio da trama. Essa divertida possibilidade de alternar entre a linearidade e o open-world aumenta consideravelmente o fator replay do jogo.

A variedade de inimigos é surpreendentemente vasta. Os chefões, porém, são uma pequena decepção. Todos eles apresentam batalhas divertidas, mas pecam por repetir inúmeras vezes o mesmo padrão de movimentos sem reagir ou demonstrar alguma adaptação perante as investidas do jogador.


Descanse em paz

Além de homenagear Ghost ‘n Goblins, Battle Princess Madelyn também presta um grande tributo para o avô da Madelyn e o cachorro Fritzy, ambos falecidos na vida real. Pegando carona nesse conceito mórbido, o tema mais recorrente do jogo acaba sendo sobre homenagear os espíritos dos mortos.

Essa temática dos espíritos é implementada tanto na trama, quanto na gameplay do jogo. Portanto, prestar respeito aos túmulos encontrados no cenário é essencial para conseguir os melhores itens e equipamentos no modo história.

O clima melancólico dessa temática casa perfeitamente com a ambientação desolada e sinistra das fases. Florestas assombradas por fantasmas, cemitérios e vilas abandonadas são apenas rotina na jornada de Madelyn. Os estupendos visuais dos cenários também são outro deleite à parte. Dá para sentir na pele o carinho colocado em cada pixel da arte do jogo.

Depois da arte e do clima, o fator musical é a única peça que falta para completar os requisitos para uma ambientação perfeita. Dito isto, acho justo dizer que Battle Princess Madelyn cumpre tudo isso de olhos fechados, pois a trilha sonora do título é simplesmente magnífica. As faixas fazem um uso exemplar de todos os motifs típicos de músicas fantasmagóricas e ainda combinam perfeitamente com cada cenário e situação possível.


Batendo de frente com a morte

Diferente dos jogos em que se inspira, Battle Princess Madelyn pega um pouco mais leve na dificuldade. Os desafios do jogo ainda continuam sendo bem exigentes, mas pelo menos o level design tenta evitar ao máximo o problema da dificuldade artificial. Mesmo assim, ainda existem alguns casos de desafios injustos, como por exemplo, quando um inimigo brota aleatoriamente em cima de você sem deixar nenhum espaço para reação.

O estilo metroidvania do modo história também não é lá muito refinado. Primeiramente por causa da controversa ausência de mapas para guiar o jogador nos vastos cenários do jogo. Por causa disso, é muito fácil se perder e empacar em diversos lugares, mesmo que o mundo em si não tenha a metade da complexidade de um castelo do Drácula ou algo similar.

Além disso, alguns puzzles necessários para avançar na história não pedem nenhum processo de lógica normal. Às vezes é preciso fazer um longo backtracking tedioso tentando achar uma parede quebrável ou algum segredo absurdamente escondido para progredir. A ausência de um mapa só intensifica tudo isso ainda mais.

Pela falta de problemas aparentes, o modo Arcade acaba sendo a maneira definitiva de jogar Battle Princess Madelyn. Por outro lado, o modo história também não deve ser desmerecido, pois ele ainda conta com uma ótima sensação de exploração e ambientação, apesar dos inúmeros defeitos.


Um sonho realizado

Enfim, Battle Princess Madelyn é um sucessor espiritual mais do que digno para Ghost ‘n Goblins. Se destacando principalmente nos aspectos artísticos e visuais, o título apresenta uma ambientação sensacional e também cumpre o dever de casa na parte da jogabilidade. Parece que a Madelyn é muito mais do que uma simples "sortuda". Ela é uma guerreira.

Prós:

  • Trilha sonora exemplar
  • Ambientação e arte excelente
  • Dois modos diferentes com bastante conteúdo e charme
  • Level design justo

Contras:

  • Ausência de mapas no modo história
  • Inimigos nascem do nada em cima de você
  • Puzzles e progressão mal feita no modo história
Battle Princess Madelyn – Switch/PC/PS4/XBO/Vita – Nota: 8.0

Versão utilizada para análise: Switch
Análise realizada com cópia digital cedida pela Casual Bit Games

Revisor: Pedro Franco
Rhuan Bastos Rodrigues é um estudante de jornalismo que sonha em poder noticiar o anúncio de Half-Life 3. Apaixonado por jogos e pela Nintendo desde criança, também ama esportes e pretende escrever um livro sobre o assunto no futuro. É capaz de colocar todos os episódios de Neon Genesis Evangelion em um abrigo anti-nuclear apenas para nunca correr o risco de esquecer eles. Pode ser encontrado endeusando a Capcom no Facebook, Steam e Twitter.

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