Jogamos

Análise: Mages of Mystralia (Switch) tem defeitos, mas brilha com seu complexo sistema de magias

Domine os elementos da natureza nessa pequena fábula sobre magia e feiticeiros em busca do poder supremo.


Quando os canadenses da Borealys Games propuseram a ideia para Mages of Mystralia em uma campanha de financiamento coletivo (Kickstarter), descreveram o título como "The Legend of Zelda encontra Harry Potter". A proposta, desde o princípio, era homenagear os magos dos mundos de fantasia, com um sistema de combinações de feitiços que oferece uma infinidade de possibilidades. E, de certa forma, esse ambicioso projeto até conseguiu entregar o prometido — agora também no Nintendo Switch.

Uma história de respeito

O pedigree do projeto não pode ser ignorado: a história de Mages of Mystralia foi escrita por Ed Greenwood, escritor best-seller responsável pelo livro Forgotten Worlds, mundo de fantasia criado para o RPG Dungeons & Dragons. Em Mystralia o povo era acostumado com a magia. Porém, após o reinado de um maléfico mago conhecido como Mad King, que destruiu vilarejos com seus conhecimentos arcanos proibidos, a magia foi proibida e os feiticeiros exilados.

No entanto, a cada dez anos uma criança nasce com o dom de manipular os poderes mágicos daquela terra. Em Mages of Mystralia você controla uma menina de cabelos vermelhos chamada Zia, que tem essas habilidades especiais e deve lidar com o preconceito dos habitantes de Mystralia e também com uma nova ameaça que surge do céu: um eclipse solar que profetiza uma catástrofe.

Fábula em cel-shading

A história é cativante o suficiente para atiçar a curiosidade, e o game ainda conta com uma belíssima trilha sonora orquestrada — composta pelo japonês Shota Nakama, da Video Game Orchestra — que se encaixa perfeitamente ao clima de fantasia desta singela fábula. Esteticamente, fiquei dividido com Mages of Mystralia. Apesar de contar com modelos de personagens e animações bem precárias, achei a arte em cel-shading charmosa e encantadora, num visual agradável para os olhos durante a aventura. Destaque especial vai para o design dos chefes, todos muito caprichados.

São doze coloridos territórios para explorar (incluindo dungeons), recheados de segredos que podem ser desbloqueados em pequenos puzzles ou simplesmente voltando-se mais tarde com as magias adequadas. No geral, são ambientes clássicos de todo jogo que segue essa linha: vilarejo, floresta, caverna com lava, montanha gelada, pântano gasoso, etc. Sim, todos os clichês do gênero fantasioso. Mas funcionam.

Dominando os elementos da natureza

O gameplay não inventa moda a princípio: é a boa e velha aventura de ação consagrada por The Legend of Zelda. Mas ao contrário das jornadas de Link e cia., o foco em Mages of Mystralia é totalmente nas habilidades mágicas da heroína. Todas as ações da pequena Zia envolvem as diferentes formas de feitiços que ela controla — baseada em elementos como fogo, ar, terra, água, gelo, eletricidade, etc. —, além das diversas mutações possíveis dependendo dos artefatos de comportamento, aumentos e gatilhos encontradas durante a trajetória.

Por exemplo, podemos selecionar um encantamento de fogo, Actus, e adicionar alguns comportamentos como Move (movimenta o poder em uma direção), Homing (as bolas de fogo são atraídas para os inimigos e objetos próximos), Bounce (rebate nos limites dos cenários) e Duplicate (multiplica a magia).

Para deixar ainda mais interessante, coloque um gatilho Impact — que busca uma magia de outro elemento para fechar o encadeamento — e uma explosão elétrica pode ser acionada ao atingir os inimigos. O resultado é um destrutivo e poderoso feitiço para combates!

A quantidade de combinações é impressionante (e até intimidante no início), e diferentes lógicas podem resultar em variados encantamentos. Esse sistema agrega muita diversidade às ações da protagonista, ajudando não somente em combates, mas também na travessia dos cenários e na solução dos mais diferentes tipos de puzzles espalhados pelo game.

Durante a campanha, novos cajados também podem ser encontrados, cada um com características específicas que aumentam a potência e resistência de determinados elementos mágicos. Durante a aventura são coletados itens chamados Soul Beads, que podem ser trocados em caldeirões para aumentar a barra de mana (azul) ou a barra de vida (verde) — exatamente como as Spirit Orbs de The Legend of Zelda: Breath of the Wild.

Exploração problemática

Pelo caminho, diversos habitantes do reino pedem favores em pequenas quests secundárias, o que rende um punhado de orbes verdes que funcionam como créditos no game (mas não fazem muita falta, diga-se de passagem). Entretanto, essas quests não oferecem grandes recompensas, além de serem extremamente repetitivas e sem inspiração. Para piorar, o mapa de jogo é muito simplório, mostrando apenas as doze áreas gerais e sem nenhum detalhe ou marcador — com a exceção de um ponto de exclamação para a missão principal).


Com essa falha, para encontrar aquele puzzle que ficou para trás por falta da habilidade necessária, ou aquela missão paralela que você deixou para resolver depois, é preciso vasculhar às cegas todo o ambiente. Ou decorar cada canto do reino. Portanto, se a sua ideia é completar 100% de tudo que o jogo tem para oferecer, prepare-se para muitas andanças desnecessárias. Um sistema de marcadores no mapa de jogo seria muito, mas muito bem-vindo.

A minha experiência com o título da Borealys Games foi em uma versão preliminar, antes do lançamento oficial. Por isso, tive que lidar com alguns bugs de iluminação e quedas de frames durante a jornada. Outro problema constante foram as longas telas de loading na trocar de uma área para a outra: errar um caminho e ter que esperar o jogo computar lentamente o cenário anterior pode ser bem irritante. No entanto, todos esses problemas podem ser corrigidos na versão final do game ou em atualizações posteriores.

Uma aventura mágica

No geral, mesmo com alguns percalços técnicos, Mages of Mystralia entrega uma bela fábula de fantasia. Aventurar-se pelo reino de Mystralia com a pequena Zia foi uma experiência agradável e divertida na maior parte do tempo, e apesar de contar com um mapa limitado e sem marcações para ajudar na exploração, o título brilha por conta de seu fantástico e variado sistema de feitiços. O visual colorido, a trilha sonora orquestrada e a história cativante ficam ainda melhores na telinha do Nintendo Switch.

Prós

  • Sistema de magias é complexo e cheio de possibilidades;
  • Música orquestrada se encaixa bem no clima de fantasia;
  • Puzzles elaborados e desafiantes;
  • Design dos chefes é bacana e rende batalhas bem divertidas.

Contras

  • Mapa confuso e pouco interativo;
  • Animações precárias;
  • Alguns problemas técnicos como quedas de frames e loadings demorados.
Mages of Mystralia — Switch/PS4/XBO/PC — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: Switch
Análise produzida com cópia digital cedida pela Borealys Games

Carlos Eduardo Cirne escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook