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Análise: Super Volley Blast (Switch) saca fraco, mas marca um Ace

Simples e eficiente. Jogo de vôlei indie da Unfinished Pixel faz o básico e diverte bastante, apesar de alguns erros.



Desde os primórdios da indústria dos videogames, vôlei nunca foi um esporte que recebeu a atenção que deveria dos desenvolvedores. Existem títulos que tentaram, mas nunca houve um que conseguisse capturar perfeitamente a experiência de jogar vôlei em uma tela digital.

Similar aos outros, Super Volley Blast para o Switch também não é um jogo que captura o esporte com exatidão. Pelo contrário, ele é apenas um passatempo que quer divertir você e seus amigos. Leve e simples, o jogo criado pela Unfinished Pixel é a primeira tentativa do estúdio de emplacar uma IP de esportes.

Jogando vôlei com o Neymar

As partidas de Super Volley Blast são feitas em um formato de duplas. Cada jogador controla apenas um personagem, enquanto o parceiro é controlado pelo computador ou por um amigo. É um estilo bem arcade e chega a lembrar o saudoso NBA Jam do Super Nintendo.

O título se baseia nas regras da modalidade de vôlei de praia, mas as competições são jogadas em quadras de rua de diversos países do mundo, incluindo o nosso amado Brasil, que é representado pelo Rio de Janeiro. Nova York, Tóquio, Pequim e Barcelona são outros exemplos de cidades que estão no jogo.

O estilo visual dos personagens é cartunesco e se assemelha bastante com jogos de celular, mas peca por não ser nem um pouco original. Parece que todos são uma versão mais feia dos Miis da Nintendo ou dos Avatares da Microsoft. Apesar disso, o visual não chega a comprometer a experiência do jogo.



No modo história, o jogador escolhe dois personagens para criar um time que sonha em se tornar a melhor dupla de vôlei do mundo. A campanha inteira é composta por oito partidas, que são intercaladas por pequenos diálogos feitos entre a sua dupla e a dupla rival.

Falando assim, até parece que o modo história é desnecessário e genérico, mas, por incrível que pareça, ele é bem mais divertido do que aparenta. Grande parte disso se deve ao fato de que todos os oponentes são figuras famosas da cultura popular, como Donald Trump, Neymar, Shigeru Miyamoto, Homem-Aranha, Chun-Li, Snopp Dog e muitos outros.

Os fundamentos ganham jogos

“Mais” é “menos” no caso da jogabilidade de Super Volley Blast. Tudo aqui é simplório, porém, a falta de profundidade não quer dizer que o título é inteiramente casual. Qualquer um pode pegar e jogar, mas as poucas mecânicas presentes são sólidas e apresentam variáveis o bastante para possibilitar partidas um pouco mais “competitivas”.

Pular, bloquear, receber, levantar e cortar. Os fundamentos básicos do vôlei estão todos simplificados aqui, utilizando apenas quatro botões para realizar serviço inteiro. Alguns movimentos requerem um certo timing, mas não é nada tão difícil.

A única mecânica diferente de título serve para premiar o bom posicionamento dos jogadores. Enquanto a bola viaja pelo ar, podemos enxergar um círculo que indica o lugar que ela irá cair. Se o personagem estiver exatamente em baixo desse símbolo enquanto realiza um pulo, ele poderá cortar a bola mais rápido do que o normal.



Assim como qualquer jogo de duplas, você sempre irá precisar ter um bom trabalho de equipe com o parceiro para marcar pontos consistentemente. Seguindo essa lógica, jogar sozinho não se prova muito recomendado, pois a inteligência artificial de Super Volley Blast é completamente passiva e erra passes a toda hora. Às vezes parece que o computador só serve para preencher um espaço da quadra.

Em busca do pódio

Infelizmente, não há funcionalidades online em Super Volley Blast. O multiplayer local é realmente muito divertido, mas juntar 4 amigos e 4 Joy-Cons no mesmo lugar não é uma tarefa fácil. Jogar com apenas 2 ou 3 pessoas acaba sendo injusto para algum lado, pois a presença obrigatória de pelo menos mais um computador quebra o balanceamento do nível dos times.

No lugar do online, o título traz o Super Blast Mode, que apresenta 5 modalidades extras para oferecer uma diversificação entre as partidas normais de vôlei. Esses modos adicionam regras fantasiosas que mudam totalmente a dinâmica da jogabilidade e impulsionam o tempo de vida do jogo.

A possibilidade de trocar a bola por uma galinha que muda de direção no ar, por uma bomba que explode após um tempo, proibir 3 toques na bola e, até mesmo, transformar a quadra em uma pista de patinação são algumas mudanças divertidas que ocorrem no Super Blast Mode.

Assim como tudo no jogo, a customização de personagens é simplória: ela funciona quase exatamente como a criação de Miis dos consoles da Nintendo. Não é possível criar nada de especial, mas a função acaba sendo útil para a variação de personagens, que fora os famosos da cultura pop, é composta apenas de “atletas” esquisitos e genéricos.



Sem grandes destaques positivos ou negativos, Super Volley Blast é um jogo mediano que cumpre com excelência o seu objetivo de divertir. Apesar de ser simples e básico, o título se prova uma ótima pedida para se divertir com os amigos no fim de semana, principalmente se eles forem fãs de vôlei.

Prós

  • “História” bem-humorada;
  • Diversão certa no multiplayer local;
  • Jogabilidade simples, mas sólida;
  • Modalidades extras.

Contras

  • Sem modo online;
  • Inteligência artificial meia-boca;
  • Músicas genéricas;
  • Single player enjoativo.
Super Volley Blast — Switch/PS4/PC/XBO — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Ana Krishna Peixoto
Análise produzida com cópia digital cedida pela Unfinished Pixel
Rhuan Bastos Rodrigues é um estudante de jornalismo que sonha em poder noticiar o anúncio de Half-Life 3. Apaixonado por jogos e pela Nintendo desde criança, também ama esportes e pretende escrever um livro sobre o assunto no futuro. É capaz de colocar todos os episódios de Neon Genesis Evangelion em um abrigo anti-nuclear apenas para nunca correr o risco de esquecer eles. Pode ser encontrado endeusando a Capcom no Facebook, Steam e Twitter.

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