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Análise: Toki (Switch) — um clássico dos arcades de cara nova

Fiel ao jogo original, mas com visual e trilha sonora refeitos, o título do macaco cuspidor é uma volta ao tempo das máquinas comedoras de fichas.


Lançado originalmente para as máquinas de arcade em 1989, Toki, também conhecido por muitos como Juju, graças ao seu nome em japonês (JuJu Densetsu), foi portado para diversos consoles caseiros na época, como Mega Drive, Amiga e NES, e agora, quase 30 anos depois, chega exclusivamente ao Nintendo Switch. Essa versão da Microids manteve todo o level design de antigamente e deu uma completa repaginada no visual, mas será que foi o suficiente para atrair novos fãs ou mesmo o pessoal que curte jogos retrô?

De homem das cavernas a macaco cuspidor

Eis que Toki, um simpático homem das cavernas, cuja aparência bem apessoada mais lembra alguém fazendo cosplay do que um ser primitivo que vivia sem saneamento básico, vê a sua amada Miho sendo raptada pelo maligno feiticeiro Vookimedlo, com a assistência do demônio Bashtar. Para piorar a situação, ele ainda é transformado em um macaco e deixado à própria sorte. Diante desse cenário, Toki precisa, adivinhem só, passar por diversos desafios para derrotar o seu algoz, resgatar a patroa e recuperar a sua forma humana.


Essa é praticamente toda a história do jogo, completamente fiel ao original. Convenhamos, por mais clichê que possa parecer, para um título de arcade de 1989, estilo run and gun com plataforma, era mais do que suficiente e até um atrativo pela temática um tanto quanto bizarra. Afinal, o importante era partir direto para a ação.

Máquina comedora de fichas

Não é apenas a história que se manteve. O jogo é exatamente aquele de 1989, apenas com mudanças nos gráficos e na trilha sonora, mantendo todas as mecânicas e level design intactos. Isso significa que os inimigos, itens e power-ups aparecerão nos mesmo lugares, com leves alterações nas lutas contra os chefes, e que o protagonista terá a mesma jogabilidade datada, movendo-se muito lentamente e atirando em poucas direções.


Como se trata de um jogo de fliperama antigo, você já pode imaginar que ele foi projetado para fazê-lo gastar algumas (muitas) fichas. Então prepare-se para diversas mortes frustrantes antes de decorar onde estão as diversas armadilhas colocadas estrategicamente nas fases, ainda mais porque Toki morre com apenas um toque. Contudo, depois de ser tapeado uma vez, como ao se deparar com um fantasmas no meio de um pulo, você já estará preparado para passar sem problemas pelo desafio em questão.

Apesar da aparência símia, Toki ganhou um poder intrigante: o de cuspir projéteis pela boca. Ele também contará com alguns escassos power-ups pelo caminho, que vão melhorar sua cuspida, permitindo até soprar chamas, por um curtíssimo período. Além disso, itens, como um par de tênis e um capacete de futebol americano, muito comuns naquele período histórico, estarão estrategicamente posicionados para ajudar um pouco contra os inimigos, mas igualmente por uma curta duração.

Jogo repaginado e com muitos extras

O grande diferencial desse remake está justamente nos seus gráficos atualizados. O ilustrador Philippe Dessoly, que trabalhou no port de Toki para o Amiga, em 1991, foi o responsável por toda a parte visual do jogo, dando uma vida completamente nova às seis fases bem distintas do jogo, que começa na selva, mas passa por lava, água e gelo também. O aspecto cartunesco, feito à mão, foi uma evolução ao compararmos com a versão de arcade, apesar de, em algumas partes, as imagens de fundo causarem certa confusão na jogatina por se confundirem com os obstáculos do caminho.


Toda a trilha sonora também foi alterada e melhorada pelo experiente compositor Raphael Gesqua, que trabalhou em jogos como Mr. Nutz (SNES, 1993) e Neon Seoul: Outrun (PC, 2017). Ele criou músicas retrô e modernas que deram mais vida ao jogo, além de ter variado bastante, deixando-as bem menos repetitivas durante a jogatina.

Já em relação aos extras, comuns a títulos antigos que ganham remakes para os consoles atuais, há apenas a possibilidade de escolher a dificuldade do jogo, que altera o número de vidas, créditos e quantidade de tiros necessários para derrotar os inimigos. E só! Não há uma área com as artes ou músicas do game, fases adicionais, nem a versão original de 1989 está disponível, seja para desbloquear ou alternando como foi o caso de Wonder Boy III: The Dragon's Trap. Não há sequer placar online para comparar a pontuação com outros jogadores e, acreditem, nem mesmo como salvar a partida. É basicamente a experiência arcade com uma cara mais bonita, o que para um jogo que pode ser terminado em meia hora após pegar a manha e que, mesmo na época, não era muito popular, acaba sendo um pouco frustrante.


Toki é um desses títulos de arcade retrô comedor de fichas e manteve-se fiel ao que era em 1989. A dificuldade exacerbada, as mortes gratuitas, a necessidade de decorar as armadilhas, a localização dos itens e power-ups, tudo isso está presente, da mesma forma que no original. A diferença é que agora o jogo está muito mais bonito e as músicas mais agradáveis. A frustração fica pela falta de extras, que seriam muito bem-vindos a um jogo tão curto e agradaria aos (poucos) fãs, como eu, que o game ainda possui.

Prós

  • Visual bonito desenhado à mão;
  • Trilha sonora refeita;
  • Níveis de dificuldade.

Contras

  • Jogabilidade datada;
  • Não há extras;
  • Muito curto.
Toki  — Nintendo Switch — Nota: 6.5

Análise produzida com cópia digital cedida pela Microids
Revisão: André Carvalho
Alberto Canen é formado em Direito pela UFRN. Joga videogame desde os tempos do Atari e sempre acompanha as novidades na indústria de jogos. Está no Facebook e no Twitter.

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