Jogamos

Análise: Rain World (Switch) é uma impiedosa jornada de sobrevivência

Game possui proposta e gráficos bem feitos, porém, suas mecânicas e experiência podem ser um pouco frustrantes.



Imagine ser um furão em um mundo pós-apocalíptico, cercado de predadores e, de quebra, é preciso fugir de uma chuva torrencial que alaga todo o mundo à sua volta? Pois bem, esse é o mundo de Rain World (Switch), nindie de plataforma e sobrevivência que chegou ao Nintendo Switch.

Proteja-se da chuva!

A jornada por Rain World acontece em meio a um labirinto que mistura natureza selvagem com um esgoto steampunk, o Slugcat - personagem jogável que lembra um furão - deve sobreviver de todas as ameaças que o inóspito mundo reserva.

Logo de início o jogador irá se familiarizar com as mecânicas que são bastante simples, o pequeno ser pode pular, se esgueirar por entre caminhos estreitos, comer, pegar objetos e arremessá-los. Assim que tiver toda ciência do mínimo que se pode fazer no jogo, a rela meta irá se revelar: a exploração.

E não se engane ao pensar que a exploração se limita aos labirínticos caminhos do mundo criado no game, cheios de predadores de diversas cores e aparências, fontes de alimentos e veredas diversas e facilmente confundíveis. Toda e qualquer ação dentro de Rain World é exploratório, a interação entre objetos e cenários, as ações não inicialmente reveladas de Slugcat e as possibilidades de combate ou evasiva dos predadores.


É um jogo que funciona na tentativa e no erro, num processo de aprendizagem que tem como foco a frustração e a constância, pois é preciso desenvolver certa memória para a disposição de objetos e saídas nos caminhos; enquanto estar sempre atento e preparado é básico, já que a disposição de inimigos é aleatória. A cada espaço novo encontrado o mapa mental do personagem é atualizado, para que seja possível se localizar entre um apuro e outro, mas, depois de tanto pelejar e falhar, o mapa será do próprio jogador.

Mesmo em meio a tanta exploração, é preciso estar atento aos ciclos de enchentes, isso pois, como o próprio nome do jogo denuncia: se trata de um mundo de chuvas, verdadeiros dilúvios que regem o modo de vida de todos os seres vivos dessa terra. Para sobreviver a estes ciclos, o jogador deve estar com seu Slugcat bem alimentado e em um abrigo, um espaço pequeno e isolado que autoriza a pequena criatura a hibernar enquanto a protege da chuva torrencial.

Sobreviver a cada ciclo significa que o personagem evolui a cada hibernação, essa constância é determinante para avançar de uma área para outra, ou seja, passar de nível. Não é raro o jogador estar em um ciclo alto e já ter conhecimento suficiente para seguir para outra área, mas o menor deslize pode custar tudo o que já foi construído e, saiba, o jogo faz questão de acabar com todas as suas conquistas com poucos recursos.


Percebeu que a história ainda não foi comentada por aqui? É porque esta, mesmo existindo e sendo um tanto básica, acaba se tornando uma questão bem secundária no que tange a motivação do jogador, já que o privilégio de sobreviver aos inimigos e a cada enchente é preocupação o suficiente para cada rodada.

Tão desafiador que chega a frustrar

É inegável que o jogo possui um esmero em sua produção, os cenários e concepção dos níveis é impecável, tem uma beleza única e bastante peculiar. Os vários labirintos, divididos em áreas, têm identidade e sua comunicação é bem interessante aos olhares que vão além de uma jogatina superficial.

Além da animação de qualidade impressionante, a fluidez no movimentos de todos os personagens e cenários é de encher os olhos, a jogatina perde em muito pouco para as artes conceituais. O jogador se sentirá facilmente imerso neste mundo e crerá que os seres animados realmente têm vida para além dos pixels programados e rendenizados pelo console.

Um ponto crucial neste título é como sua dificuldade pode dividir um público facilmente, mesmo sendo dividido (em sua versão mais recente) em três modos de dificuldades, não se trata de um jogo fácil. A fraqueza do protagonista em meio ao úmido mundo é castrante para um jogador que precisa de maiores reforços positivos durante a jogatina.


Enquanto o desafio e experiência de sobrevivência pode servir como tal reforço para os jogadores que se interessam pelo estilo e se contentam com a felicidade de apenas não morrer entre um ciclo e outro. O game até possui alguns elementos que suavizam a dificuldade, mas eles são tão eficazes quanto um pós-sol depois de uma insolação. Ajudam, mas não anulam a sensação ruim.

Um ponto que pode coibir com a frustração são os controles um tanto imprecisos em certos momentos da jogatina, não é difícil para o Slugcat não subir em cenários e relevos com tamanho suficiente para ele escalar, não serão poucos os momentos em que essas imprecisões serão empecilhos determinantes para a sobrevivência de cada ciclo.

As dificuldades se dividem em três: o Slugcat amarelo, a presa; o branco - único disponível na primeira versão comercial do jogo -, onívoro; e o laranja, predador, que não se alimenta de nenhuma frutinha ou seres pequenos. Os labirintos e disposição de alimentos básicos são iguais para os três, porém a disposição e letalidade dos inimigos diverge, para pior.

Rain World é um jogo cheio de armadilhas, há inúmeros inimigos que o jogador poderia jurar de pé junto que são apenas seres inofensivos que coabitam aquele mundo terrível e cruel. Ter os sentidos abertos para cada passo dado é um conselho precioso para aqueles que se aventurarem por esse título.

Por fim, o jogo possui uma trilha sonora simples, porém imersiva, a mesma não desponta, porém não desaponta. Se trata de um jogo bem idealizado, ao mesmo tempo em que é impiedoso e nada auspicioso. Esteja ciente e psicologicamente preparado aquele que se aventurar por entre os perigosos e estreitos caminhos dessa jornada e tente sair vivo para contar história.

Prós

  • Jogo com design artístico belo;
  • Trilha sonora imersiva e bem composta;
  • Level design bem feito;
  • Título desafiador a cada segundo.

Contras

  • Alto nível de dificuldade que pode ser frustrante para alguns jogadores;
  • Controles imprecisos em certas partes do jogo;
  • Pouco reforço positivo para engajamento do jogador;
  • História e motivação do personagem de caráter secundário.
Rain World - PS4/PC/Switch - Nota: 6.5
Versão para análise: Switch
Análise produzida com cópia digital cedida pela Adult Swin Games

Estudande de Letras que gostaria de aprender todas as línguas existentes, mal sabendo lidar com as duas que já fala. Descobriu seu amor pela Nintendo ao conhecer Super Mario 64 e desde então nunca mais largou os cogumelos, karts e rúpias que encontrou em seu caminho.

Comentários

Google
Disqus
Facebook