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Análise: Warplanes: WW2 Dogfight (Switch) mistura ação e gerenciamento de forma superficial

Apesar de contar com momentos de ação bem competentes, a repetitividade das missões e o gerenciamento sem profundidade comprometem a experiência.

Warplanes: WW2 Dogfight é um genérico jogo de batalhas de aviões, com elementos de estratégia e administração. Nos momentos de ação, o visual é simplório e a jogabilidade arcade é bem descomplicada. Na hora de administrar, as opções são limitadas e falta aprofundamento e desafio. Apesar disso, não há nada de fundamentalmente errado com o game da produtora Home Net Games. Mas também não há nada de extraordinário ou verdadeiramente interessante no título.

Segunda Grande Guerra (de novo)

O jogo se passa durante a Segunda Guerra Mundial. Ou seja, a história não se aventura por territórios diferentes dos já batidos cenários do famoso conflito. Temos paisagens verdes que lembram a Europa Ocidental e outros com neve que remetem ao leste europeu. Mas no final das contas, é tudo muito parecido. A narrativa também não se esforça muito, no máximo você vai ler algumas frases dos seus superiores dizendo que os inimigos estão se aproximando, o que não é lá muito empolgante.


No início da partida você pode escolher entre três campanhas: britânica, alemã ou russa. Cada uma apresenta uma temática levemente diferente, com aviões e pilotos próprios. Mas a realidade é que se trata da mesma experiência, mudando apenas as bandeiras. A vantagem é que, se você estiver com dificuldades em uma campanha, pode começar com outra nação e enviar os mantimentos coletado para a expedição em apuros. O que é bem estranho, diga-se de passagem.

O título é super leve e rápido no Switch, rodando de forma suave o tempo inteiro, quase sem loadings. Segundos depois de iniciar uma partida no console você já vai estar explodindo aviões, o que é perfeito para breves sessões de jogatina sem compromisso. Muito disso se deve ao visual precário para os padrões de 2019. Apesar do design dos aviões antigos ser até bem bacana, todo o resto lembra mais a simplicidade dos jogos da era PS2/GameCube. Músicas e efeitos sonoros seguem o mesmo padrão e são bem despretensiosos, apenas cumprindo seu papel.

Prata, ouro e óleo

Fiquei especialmente entusiasmado com a possibilidade de gerenciar a base de operações, mas logo me surpreendi negativamente com a superficialidade apresentada no sistema do jogo. As opções de administração são limitadíssimas: contratar e treinar pilotos, comprar e aprimorar detalhes dos aviões, melhorar a base e, por fim, algumas vantagens especiais que deixam todas as outras melhorias mais baratas. E isso é tudo.

Cada uma dessas opções de melhoria exige um preço a ser pago em uma das moedas do jogo (ouro, prata, combustível e pontos de honra). Para angariar esses fundos, o jogador deve aventurar-se nas batalhas que são divididas em quatro categorias: defender a base, atacar uma base inimiga, destruir navios ou missões do tipo "especial" — que misturam elementos de todas as outras. As missões oferecem as recompensas necessárias para comprar as melhorias e vantagens da base, e vice-versa.


Mas segure suas barras de ouro! Apesar de, a princípio, reinar a vontade de comprar todos os aviões e melhorias disponíveis assim que possível, é de fundamental importância ter sempre dinheiro em caixa para consertar seus aviões danificados nas batalhas. Volta e meia o jogo apresenta missões surpresa obrigatórias, e normalmente elas são mais difíceis e exigentes. Portanto, é bom estar com todos os seus pilotos preparados e equipados sempre que possível.

As aeronaves começam muito limitadas, exigindo do jogador que repita várias missões até conseguir juntar créditos para melhorá-las. E mesmo quando você tem pontos suficientes para comprar os upgrades, o sentimento de evolução é muito sutil, justamente por conta da mesmice das missões. Não há aquela sensação gostosa de confirmar em batalha que os pontos foram bem aplicados. É tudo sempre igual. Depois de repetir os mesmos tipos de tarefas dezenas de vezes, o jogo fica tedioso.


Cada missão exige um certo número de combustível para ser jogada. Para ganhar combustível, você precisa jogar as missões. Sacou a repetição? É um loop de gameplay que começa divertido, mas que sofre principalmente pela própria falta de diversidade das batalhas, que apresentam poucas novidades além de destruir todos os aviões inimigos, navios ou determinados carros e prédios no chão.

A parte mais interessante da base de operações é poder conferir uma breve história de cada um dos diversos aviões clássicos do período da Segunda Guerra, das três nações apresentadas no jogo. E tudo em português. Depois de saber mais sobre as aeronaves, você pode comprá-las e usá-las nas batalhas.

Sem "loops" ou "barrel rolls"

Warplanes: WW2 Dogfight conta com uma jogabilidade suave e simplificada. Acredite, qualquer impressão de simulação que as imagens do jogo possam passar são pura ilusão. Na hora da ação, o game é totalmente arcade, contando até mesmo com uma mira automática para atingir qualquer inimigo (marítimo, terrestre ou aéreo), tanto para os canhões quanto para as metralhadoras da aeronave.

O game chega a lembrar a jogabilidade divertida de Star Fox em alguns momentos. Mas não se empolgue, esses são breves. Além disso, o controle sobre o avião é, mais uma vez, limitadíssimo. Você só pode andar pra lá e pra cá, dando voltas em círculos e sem qualquer acrobacia interessante ou que deixa a ação mais ágil. Ou seja, se quer fazer um loop ou um barrel roll como Fox McCloud, esquece.


Mesmo com toda essa simplicidade, tive alguns momentos satisfatórios de diversão com Warplanes. Especialmente depois que entendi e acelerei a repetição descomplicada do seu sistema de administração e foquei exclusivamente em entrar nas missões e caçar aviões inimigos. Mas isso foi antes de o jogo me vencer pela mesmice: enjoei do gameplay muito mais rápido do que gostaria.

Nada de novo no front

Warplanes: WW2 Dogfight é genérico em todos os sentidos. E muito repetitivo. Trata-se de um competente jogo de ação e gerenciamento com aviões da Segunda Guerra Mundial. Entrega o que propõe, mas sem brilhar em nenhum quesito. A ação arcade não combina muito com a seriedade do tema tratado, mas pode proporcionar alguns momentos de diversão. Pode ser uma boa opção só para quem está procurando um jogo rápido e descompromissado, para jogar em sessões breves.


Prós

  • O game é leve e roda de forma suave no Switch;
  • Ação arcade fácil e acessível, perfeita para sessões breves;
  • Histórico dos aviões é bem interessante.

Contras

  • Gerenciamento superficial e que exige pouca estratégia;
  • Visual sem graça e ultrapassado;
  • A repetição das missões enjoa muito rápido.
Warplanes: WW2 Dogfight — Switch/PC/Mobile — Nota: 6.0
Versão utilizada para análise: Switch
Análise produzida com cópia digital cedida pela 7Levels

No currículo tem publicidade e jornalismo, mas no coração tem games. É um entusiasta da história dessa indústria infame e um colecionador esporádico. Se quiser conversar sobre a guerra dos consoles e outros assuntos, pode mandar uma mensagem no Twitter para @carloscirne

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