Jogamos

Análise: Windscape (Switch) é uma mistura rasa de elementos consagrados

Explore misteriosas ilhas flutuantes em uma aventura influenciada por games de sucesso, mas sem muita personalidade própria.


Windscape, criação do game designer Dennis Witte, é ambicioso na proposta: um jogo de exploração e aventura em primeira pessoa, com uma mistura de elementos consagrados por outras séries famosas. Entre as influências peso-pesado estão séries como The Elder Scroll, The Legend of Zelda e Minecraft. Mas tenha muito cuidado com suas expectativas, apesar de apresentar um colorido mundo de fantasia medieval, Windscape experimenta de forma rasa todos os sistemas que usou como inspiração.

Já vi isso antes

No centro da história está uma garota chamada Ida. A jovem vive em uma fazenda com seus pais e é enviada para fazer uma entrega de suprimentos na cidade grande. Mas é claro que não para por aí, e a jovem sedenta por aventuras acaba se envolvendo em uma bola de neve de quests oferecidas pelos mais diversos personagens durante o seu primeiro passeio longe de casa.


Não demora para percebermos que a criaturas hostis espalhadas pelo mundo escondem uma trama um pouco mais complexa envolvendo seres ancestrais, uma criatura maligna chamada Kage e uma maldição que está assolando todas as ilhas flutuantes do reino. É isso mesmo, Windscape se passa em ilhas no céu que podem ser exploradas com um navio voador. Se pensou em uma mistura de Wind Waker com Skyward Sword, acertou na mosca.

E as referências não param por aí. Os gráficos em lowpoly, com poucas texturas e cores pastéis, também remetem aos clássicos da série Zelda — mas sem o charme e a fluidez que só a Nintendo consegue dar a seus jogos. É um visual atraente e simpático, mas somado aos personagens com animações duras e sem expressões faciais, está longe de ser vibrante.


Ao assumirmos o controle de Ida, é fácil perceber as influências. Totalmente em primeira pessoa, o game funciona como um Skyrim extremamente simplificado, com os botões de ombro servindo para ataque e defesa. Além de atacar inimigos, o jogador também precisa usar ferramentas para coletar ingredientes espalhados pela natureza dos cenários.

É um sistema de crafting como tantos outros que vemos por aí nos jogos pós Minecraft, mas aplicado de forma bem superficial. Você pode colher frutas, cortar árvores e minerar alguns metais para depois criar outros itens interessantes nas diversas mesas de produção do jogo. Mas, no geral, é um sistema bem simplificado e fácil de dominar. Ou seja, se você não curte mecânicas de crafting, não precisa se preocupar. Se é fã, melhor não se empolgar.


No resumo da ópera temos uma jogabilidade extremamente acessível em todos os sentidos, bem fácil de aprender e dominar. Entretanto, essa simplicidade vem com o preço da falta de aprofundamento. Nenhuma das mecânicas é aplicada de forma interessante, deixando uma sensação de que o título precisava de mais tempo no forno — ou de algumas ideias mais originais.

Os méritos da simplicidade

Apesar da falta de profundidade, Windscape passa uma sensação gostosa de exploração quase pacífica, mesmo com inimigos por todas as partes. As batalhas são tão fáceis de dominar que o processo se torna automático. Por um lado, isso pode ser um ponto negativo, já que o desafio só fica maior quando há muito inimigos atacando ao mesmo tempo. Por outro, o título acaba entregando uma aventura suave, perfeita para quem só quer se perder por algumas horas em um mundo poligonal e colorido, sem o estresse de temer pela vida a todo momento.


Os cenários simpáticos incentivam a exploração, mesmo com poucos pontos de interesse espalhados pelos mapas. O mundo, apesar de parecer aberto, na verdade não é tão aberto assim. O jogo é dividido em diversas ilhas grandes que apresentam vastos mapas separados por passagens que servem para fazer a leitura dos novos cenários. Algo como acontece na nova trilogia da franquia Tomb Raider, mas numa escala muito, muito menor.

A simplicidade de Windscape também está presente no desenvolvimento da personagem principal. Diferentemente de Skyrim, aqui não há pontos de experiência ou habilidades novas a serem adquiridas. A protagonista fica um pouco mais forte apenas com novos equipamentos (armas, pedras mágicas e armaduras) que podem ser comprados ou produzidos com o sistema de crafting.


Há, também, um sistema de recompensa no mesmo estilo dos corações da série The Legend of Zelda: ao atravessar as dungeons e eliminar os chefes das missões principais, você vai receber enormes corações que aumentam um pouco a sua energia total. Soa familiar, não é mesmo? Além da energia vital, Ida também conta com uma barra de fadiga como em Breath of the Wild, mas esta só influencia o tempo de corrida da protagonista.

Os problemas da simplicidade

Toda a empolgação que senti ao iniciar Windscape, pensando em vasculhar todos os cantos de um mundo virtual a procura de segredos, logo se tornou uma decepção. Há muito pouco para ser achado e a repetição de tarefas logo toma conta da experiência. Até mesmo os NPC's espalhados pelos cenários pouco acrescentam para uma história interessante e acabam servindo apenas como catalisadores para as diversas missões do jogo.


No entanto, essa estrutura de missões é um processo de repetição cansativo, principalmente por conta dessas personagens pouco cativantes e dos diálogos sem muita personalidade. Também não ajuda o ritmo quase em câmera lenta de tudo o que acontece na aventura: Windscape definitivamente não é um game de ação frenético, nem mesmo nos momentos mais tensos de combate. Por sorte as tarefas são razoavelmente curtas e há muitos pontos de salvamento, favorecendo a jogatina em sessões breves no Switch.

O ritmo lento se torna ainda mais irritante quando temos que lidar com os picos de dificuldade desbalanceados de algumas dungeons (malditas múmias!) e com as quedas de frames do game no Switch. Apesar do visual simplista, há problemas sérios de desempenho no console híbrido da Nintendo, incluindo longas telas de loading, glitches visuais e alguns bugs sérios — inclusive um que travou meu direcional direito algumas vezes, fazendo-me reiniciar o aplicativo.

Ingredientes certos, mas faltou tempero

Mesmo com problemas de desempenho e contando com um ritmo meio apático e sem personalidade, ainda assim tive boas horas de diversão com Windscape. É uma experiência leve e relaxante, que pega emprestada diversas características marcantes de franquias de sucesso e aplica de forma simples e sem exageros, acessível até mesmo para quem não está acostumado com jogos do estilo. Pode agradar aqueles que procuram um mundo de fantasia para explorar sem compromisso.

Prós

  • Visual e trilha sonora agradáveis;
  • Um mundo vasto e relaxante para explorar;
  • Jogabilidade acessível, fácil de aprender e dominar.

Contras

  • O jogo parece inacabado, tem muitos bugs e merecia um polimento maior de forma geral; 
  • Cenários vazios e sem muita personalidade;
  • Dificuldade desbalanceada.
Windscape — Switch/PC — Nota: 6.0
Versão utilizada para análise: Switch
Análise produzida com cópia digital cedida pela Headup Games

Escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

Comentários

Google
Disqus
Facebook