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Análise: Darksiders Warmastered Edition (Switch): reviva a crônica dos Cavaleiros do Apocalipse

A história do primeiro Cavaleiro, Guerra, chega ao híbrido da Nintendo em uma simples remasterização.



Em janeiro de 2010, o estúdio Vigil Games — que teve como um de seus fundadores o escritor e desenhista de HQs Joe Madureira —  lançou o seu primeiro trabalho publicado pela THQ. Darksiders: Wrath of War foi um título que chegou com algum barulho, sendo bem recebido pela crítica com versões para PS3, Xbox 360 e PC. Até o momento, e apesar da falência de seu estúdio original, a série já conta com três títulos lançados.


A saga dos Cavaleiros do Apocalipse já  apareceu em plataformas da Nintendo, com as versões para Wii U de Darksiders Warmastered Edition e Darksiders II. Agora, a história de Guerra é contada novamente, dessa vez no Switch. Mas será que essa remasterização, tantos anos após sua estreia, ainda é uma aventura que vale a pena?


Guerra, o primeiro Cavaleiro do Apocalipse

Darksiders apresenta um enredo interessante, estabelecendo um universo bem construído para o desenvolvimento de sua história. Muito tempo antes da raça humana existir, havia dois poderosos reinos que travavam uma guerra sem fim: o Reino do Céu e o Reino do Inferno. Para retomar e manter a ordem e o equilíbrio entre os reinos, o Conselho — formado por seres dotados de imenso poder — decidiu criar um grupo de quatro poderosos guerreiros neutros ao conflito e responsáveis por garantir a obediência das leis sagradas. Tal grupo recebeu o nome de Cavaleiros do Apocalipse.



Neste meio tempo, surgiram os primeiros seres humanos, e um terceiro reino foi criado para sua existência: o Reino dos Homens. O Conselho julgou que a humanidade também teria grande importância como parte do equilíbrio. Um acordo de paz foi selado entre os reinos para que a humanidade pudesse se preparar para o futuro confronto. Em sua devida hora, os sete selos que representam o pacto se quebrariam, Céu e Inferno lutariam mais uma vez, e os quatro Cavaleiros julgariam todos os reinos.

O problema é que Guerra foi convocado muito tempo antes dos selos se romperem. Chegando à terra, ele vê o mundo mergulhado em caos, com anjos e demônios travando uma guerra avassaladora. Guerra acaba morto na batalha e é acusado pelo Conselho de quebrar leis sagradas, trazendo o Apocalipse antes da hora. Para provar sua inocência, o Cavaleiro promete encontrar o responsável por sua convocação prematura e restaurar o equilíbrio entre os mundos.

Retome a glória do Cavaleiro caído

Darksiders não é exatamente um produto inovador em muitos aspectos, e um deles é sua história. Porém, ela traz um enredo interessante o suficiente para motivar o jogador a seguir em frente —  até conta com algumas reviravoltas que ajudam a prender a atenção. A mitologia criada também é um ponto positivo, trazendo um conjunto coerente e bem construído envolvendo as histórias, personagens e cenários.

Todos os elementos estão em sintonia, e nada fica fora do lugar. Os personagens que Guerra encontra possuem uma razão para existir e participar da trama —  principalmente os chefes, que possuem seus motivos para enfrentarem o Cavaleiro. As batalhas exigem uma boa dose de estratégia, principalmente contra os inimigos maiores que não caem tão facilmente.



Enfraquecido pelo Conselho, Guerra retorna ao Reino dos Homens cerca de um século após a queda da humanidade, em um ponto onde o Reino do Inferno foi vitorioso. Algumas pessoas que não morreram durante a guerra se tornaram meros zumbis, e os demais inimigos encontrados são demônios ou anjos. O protagonista é um personagem de poucas palavras, movido principalmente pelo seu objetivo de derrotar o Destruidor —  a entidade responsável pelo seu infortúnio. Os momentos nos quais o carrancudo Guerra demonstra mais expressão envolvem a destruição dos inimigos, sempre de maneira cruel e agressiva.

Embora a impressão inicial é de que o protagonista é lento, basta pouco tempo de gameplay para perceber que os controles são ágeis e suaves. De fato, Guerra é pesado, com uma armadura espessa e com armas enormes. Porém, ele possui velocidade, força e resistência suficientes para que tudo aconteça de maneira perfeita. Neste ponto, houve uma melhora significativa em relação à versão original de Darksiders: em Warmastered Edition, os controles estão bem mais fluídos. Não dá muito trabalho para pegar o jeito de fazer combos e executar ataques.



O combate se aproxima bastante do que vemos em jogos de hack ‘n slash. Existe um botão para ataques, outro para o pulo, e um para se defender. A movimentação do analógico altera o tipo de ataque a ser executado. A troca de armas exige o pressionamento de alguns botões. Quem já jogou Devil May Cry (Multi) ou os primeiros jogos de God of War (PS2), se sentirá em casa. A presença de vários inimigos ao mesmo tempo exige esperar o melhor momento para atacar ou se defender. Os ataques sofridos tiram quantidade considerável de dano, portanto, qualquer descuido pode significar um game over mesmo contra um inimigo mais fraco.

Assim como a história, o combate de Darksiders não é nada revolucionário e, atualmente, é até um pouco datado. É uma fórmula que funciona de maneira harmoniosa, mas sem uma preocupação de abraçar novidades e ousar — e se isso já era perceptível em sua versão original, hoje se torna mais evidente. Embora as mecânicas ainda funcionem de maneira satisfatória, se fosse um lançamento inédito, seria necessário ir um pouco mais além para se destacar.


Um mundo devastado pelos demônios

Os mapas de Darksiders tentam oferecer algumas possibilidades de exploração, com itens valiosos podendo ser encontrados em alguns caminhos escondidos e bastante backtracking. Até certo ponto, o jogo consegue seus acertos. Mas, às vezes, existem momentos onde vemos ambientes amplos e abertos, mas totalmente vazios e onde a exploração de todos os cantos possíveis não leva a lugar nenhum. Por outro lado, há uma boa variedade de cenários, que mudam bastante ao longo do gameplay e ajudam dar uma sensação de novos ares.



Outro aspecto positivo de Darksiders envolve sua progressão. Conforme a história avança, Guerra terá acesso a armas melhores, itens especiais e novos tipos de ataque. Alguns desses upgrades podem ser conseguidos com a venda das almas coletadas ao demônio comerciante do jogo, Vulgrim. Alguns itens ou habilidades, inclusive, garantem a possibilidade de explorar locais nos mapas que antes eram inacessíveis.

Neste ponto, a exploração se mostra mais interessante. Embora o jogo seja um pouco linear, em alguns momentos o jogador é levado a revisitar áreas anteriores. Em posse de algum item obtido recentemente, ele será capaz de abrir algumas novas portas ou quebrar paredes, acessando novas áreas. É exatamente como os jogos da série The Legend of Zelda nos ensinaram. A paciência para voltar em determinadas partes do cenário pode trazer boas recompensas como melhorias de atributos ou equipamentos mais resistentes.



Visualmente, Darksiders não deixa a desejar, embora esteja um pouco datado. Os personagens e monstros parecem ter saído diretamente de uma HQ de fantasia, fruto do trabalho de Joe Madureira. Guerra e os demônios mais importantes do jogo, como Samael ou Vulgrim, poderiam facilmente ter saído de algum dos jogos da Blizzard. Os efeitos sonoros são outro ponto positivo: os sons de cortes, os passos de Guerra sobre diferentes superfícies e a dublagem dos personagens são espetaculares. Já a trilha sonora é praticamente inexistente, e não há nenhum momento na qual ela seja marcante.


A remasterização vale a pena?

A versão remasterizada no Switch traz algumas melhorias em relação à versão original de Darksiders. As texturas foram retrabalhadas e agora tem uma maior definição, além de detalhes como efeitos de névoa e fogo. Mas a diferença não é tão significativa em relação à versão original. 

Basicamente, Warmastered Edition é apenas versão em alta definição de Darksiders, com adições pouco perceptíveis nos visuais e não há conteúdos inéditos que possam atrair aqueles que já jogaram. Além disso, uma vez que o jogador termina o jogo, a única opção disponível é recomeçá-lo com a armadura mais poderosa de início.



No menu de opções, é possível escolher entre os modos Performance ou Qualidade. O primeiro fixa a taxa de quadros em 60 FPS e diminui a resolução. Já o segundo prioriza a qualidade das texturas e a resolução, sacrificando a performance para 30 FPS. De acordo com as minhas experiências com os dois modos, o modo ideal é o Performance — onde desempenho é priorizado. Em um jogo como Darksiders, onde a movimentação e ataques devem ser precisos, faz toda a diferença ter uma taxa de quadros mais elevada.

Darksiders Warmastered Edition continua sendo uma aventura interessante e válida, mesmo quase dez anos após sua primeira versão. Se você já conheceu antes a história de Guerra, não haverá muitos motivos para revisitá-la em sua remasterização. Não existe nenhum conteúdo inédito que incentive uma nova compra, mas, se você ainda não deu uma chance à franquia, é uma experiência que valerá a pena.


Prós

  • Bastante fluidez no gameplay;
  • História interessante;
  • Efeitos sonoros excelentes;
  • Estilo artístico harmonioso.

Contras

  • Ausência de conteúdos inéditos pode afastar quem já jogou;
  • Trilha sonora praticamente inexistente;
  • Nenhum conteúdo postgame relevante.
Darksiders Warmastered Edition - Switch/ PS4/ XBO - Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Diogo Mendes
Análise produzida com cópia digital cedida pela THQ Nordic 

é formado em Análise de Sistemas na UCAM e trabalha com infraestrutura Linux. Sua educação gamer inclui clássicos como Sonic, Super Mario e Resident Evil e é apaixonado pela Nintendo, mas encontra ótimas experiências em outras plataformas. Pode ser encontrado no meio de alguma Turf War, no Facebook e no Instagram.

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