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Análise: Power Rangers: Battle for the Grid (Switch) é promissor, mas parece inacabado

Apesar do apelo da série e de uma ótima mecânica de luta, parece que estamos jogando a versão beta do game.




É quase impossível encontrar uma pessoa hoje que não conheça os Power Rangers, ainda mais uma pessoa que cresceu nos anos noventa e no começo dos anos dois mil. A série, para quem não está familiarizado, tira grande inspiração da franquia japonesa Super Sentai, na qual um grupo de jovens se unem para salvar o mundo da devastação e proteger as pessoas da nação dos seres malignos que querem destruir tudo.


Os Rangers se popularizaram pelos uniformes coloridos, com cada um tendo uma cor única, temos as mais famosas: vermelho, azul, preto, verde, amarelo e rosa. Dependendo da versão e de seu respectivo time, essas cores podem mudar. Junto da trupe de heróis temos lutas cheias de ação e efeitos especiais, sempre finalizando as batalhas com um Megazord - robô gigante acionado e controlado pelos Rangers - quando, literalmente, se torna uma batalha entre gigantes.

Claro, uma franquia que embalou a infância e adolescência de tantos já chegou a receber games, vários para falar a verdade, mas muitos não chegaram a chamar muito a atenção ao longo dos anos. Desta vez, com a premissa de festejar os 25 anos da série, recebemos um game de lutas ao estilo clássico em “2D”, no qual os Rangers e inimigos se estapeiam até que o mais forte vença.

Hora de Morfar

E agora temos Power Rangers: Battle for the Grid, o game que promete não ser apenas uma homenagem, mas também trazer frescor aos games da franquia; se destacando como mais do que um subproduto de uma franquia bem sucedida. E de início eu me senti bastante interessado pelo game, não apenas pela nostalgia da série, mas também por ser fã de games de luta.

O game tem o estilo de lutas em trios, ao estilo The King of Fighters e Marvel vs. Capcom, nos quais os personagens podem alternar e auxiliar durante a batalha. A mecânica de luta foi bem desenvolvida; as batalhas ocorrem de forma fluida e dinâmica e a mecânica de times abre espaço para estratégia; pois não somente contamos com lutadores distintos, porém equilibrados, mas personagens que sofreram dano podem se recolher e recuperar parte do dano tomado enquanto o parceiro cuida dos inimigos.

Outro ponto forte do game é a acessibilidade, mesmo possuindo personagens bem variados entre si, nos quesitos alcance dos ataques, velocidade e estilo de combate, nenhum deles possui ataques de comandos únicos, ou seja, assim como em Super Smash Bros. há apenas uma lista de ataques para cada personagem, dessa forma o jogador foca apenas nas características únicas de cada personagem e como vencer o inimigo.

Os botões se dividem em Ataques Fortes, Médios, Fracos e Especiais e estes variam de acordo com o direcional, além disso é possível pedir auxílio, dos outros lutadores no trio, e de um Megazord (ou do Mega Goldar) e, de acordo com a sua barra de energia, soltar um combo mais poderoso ou um ataque especial único de cada lutador.

Iniciamos com um elenco de apenas nove personagens, inicialmente eu pensei que se tratavam de três trios distintos e o jogador poderia mesclá-los assim como ocorre em outros games, cuja mecânica de batalhas é similar, mas eu me enganei. Os trios fazem apenas parte da mecânica de batalha, não há qualquer impacto ou relação entre eles.

Os lutadores disponíveis foram bem desenvolvidos para batalha, a maior parte deles vêm da primeira e mais famosa geração - os Mighty Morphin Power Rangers (1993) - dos nove, seis são dessa geração (a escolha provavelmente vem da popularidade e nostalgia, além do impacto na cultura pop) os outros três são cada um de uma geração diferente. 

Todos os lutadores são fáceis de controlar, os combos saem facilmente, sendo o jogador experiente ou não. Claro, é preciso um pouco de atenção aos personagens cujo estilo de luta convergem com o estilo do jogador.

As Rangers femininas se destacam, se comparadas com os outros lutadores, pois possuem maior agilidade, o que pode ser ótimo para infligir dano de forma rápida e diminui as chances do adversário de trocar de personagem e recuperar o dano recebido. Um destaque para a Ranger Slayer [ou a Ranger Rosa] que possui uma gama de ataques que trazem maior versatilidade ao seu estilo de luta, que vão desde ataques mano a mano até projéteis de longo alcance.

Outros dois personagens que chamam a atenção são o Magna Defender (de Power Rangers Lost Galaxy), que apesar de pesado é capaz de realizar combos poderosos além de sua arma possuir o tiro mais potente de todos; e também o Mastadon Sentry (baseado no Ranger Preto da primeira geração) que tem um estilo de atirador de elite, seus ataques são principalmente de longa distância, mas também é capaz de bons golpes, além do especial ser do estilo “armadilha”, só é acionado se ele for atacado.

Porém, apesar de uma boa mecânica de luta e personagens que caem como uma luva nas mãos dos jogadores, Battle for the Grid consegue trazer uma sensação bastante mista em quem pôr as mãos nele; pois mesmo possuindo um modo de batalhas bem desenvolvido e acessível, todo o conteúdo presente no jogo se limita a isso, um elenco inicial muito pequeno e ao buscar outros conteúdos, não se encontra nada. Não estranhamente já foi anunciado uma DLC gratuita com mais três personagens, para compensar o início tão pobre.

Faltou atenção às palavras de Zordon

Num game de luta exclusivamente com trios o que podemos esperar? Cada trio possui sua própria história no modo Arcade e alguma relação dentro do cânone, correto? Se nos lembrarmos de The King of Fighters, por exemplo, lembraremos que havia trios pré-estabelecidos, nos quais os três lutadores possuíam uma história em comum a ser contada, mesmo havendo a liberdade do jogador de misturar todo o elenco em trios personalizados. Como já foi dito anteriormente, não há qualquer relação entre os trios no game. Então, quando o jogador for para o modo Arcade, a única história é a do primeiro lutador escolhido.

E dizer história é superestimar o que temos em mãos, nos sete capítulos apenas os dois últimos apresentam alguma “história”, na qual os lutadores trocam frases com pouco contexto e nada impressionantes, pelo menos houve cuidado por parte dos desenvolvedores em separar os oponentes finais de cada personagem, dependendo de sua origem como vilão ou mocinho na franquia. Pesquisando um pouco na internet, descobri que um modo história está em andamento, mas ainda não se sabe quando o mesmo vai chegar ao game.

Outra coisa que possivelmente vai desencorajar os jogadores é descobrirem que, depois de jogarem o modo Arcade, perceber que o game não oferece qualquer tipo de conteúdo desbloqueável. Quando finalizei a campanha pela primeira vez, imaginei que havia desbloqueado o chefão Drakkon, eu nem tinha me tocado que ele já estava disponível para jogar desde o início. Então pensei “ah, a outra vestimenta da Ranger Rosa vai ficar disponível agora”, mas me enganei novamente e vasculhando o game descobri que todo o conteúdo inacessível está disponível para compra no eShop, isso inclui skins e mais três personagens não divulgados.

Os gráficos dos lutadores são bons, não chegam a ser impressionantes, mas é visível que houve cuidado em modelar e animar aqueles personagens. Entretanto, esse zelo parou nos lutadores, pois a qualidade das fases divergem fortemente, todos têm uma aparência bem simplória e quase nenhum dá uma sensação de cenário vindo dos Power Rangers, o único que chega perto disso é a sala do Zordon, mas o próprio está modelado de forma tão desleixada que sua aparência ficou descaracterizada.

O desleixo foi uma coisa que se alastrou em todo o desenvolvimento; sempre que acaba uma batalha no modo Arcade o lutador não se manifesta, apenas desaparece da tela. Ao vencer uma batalha, se o personagem estiver no sentido contrário ao do inimigo, o vencedor vai girar para o lado oposto, mas como se estivesse numa plataforma, nada natural. É estranho um game dos Power Rangers sem ninguém morfando, uma batalha de Megazords ou até mesmo sem diálogos, pois nenhum dos personagens têm voz, apenas os gemidos de dor durante as lutas.

Então, o que sobrou no jogo? O modo de batalhas online, que parece ser a cereja do bolo, mas até agora eu não consegui realizar uma única luta, o game fica em loading eterno em busca de oponentes. Não levei muito em conta esse fator, pois a minha internet não coopera com jogatinas online, mas ter um game com tão pouco conteúdo e sem nenhum apelo offline é frustrante. A parte boa é que o game não exige uma conta na Nintendo Online.

Enfim, o game chegou cru nas mãos dos jogadores, talvez por pressa ou falta de orçamento (ou os dois), mas é inegável que havia espaço para ser um jogo com muito mais qualidade, só precisava de mais tempo na mão dos desenvolvedores. Do contrário, não teríamos uma homenagem tão às avessas, com pouco personagem, sem história e sem propósito depois de uma luta ou outra. Quem sabe com as atualizações, e com tempo, o jogo possa trazer à superfície o brilho que encantou a tantos como a série de TV.

Prós

  • Boa mecânica de batalha;
  • Jogabilidade acessível e fluída;
  • Disponível em português;
  • Não exige assinatura da Nintendo Online.

Contras

  • Elenco inicial pequeno;
  • Pouco conteúdo disponível na versão de lançamento;
  • Fator replay inexistente;
  • Desleixo dos desenvolvedores em tudo o que não envolvia as lutas.
Power Rangers: Battle for the Grid - Switch/XBO/PS4/PC - Nota: 6.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Diogo Mendes
Análise produzida com cópia digital cedida pela nWay

Escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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