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Análise: Mechstermination Force (Switch) e a resistência contra o domínio dos robôs gigantes

Se você acredita que lutas contra chefes enormes são as melhores partes dos jogos, a diversão já está garantida com esse incrível boss rush de plataforma.


Em um mundo dominado por máquinas da altura de arranha-céus, você começa como recruta em uma equipe que representa o último esforço da humanidade pela conquista da liberdade. Infelizmente, a corporação não possui muitos recursos e, com a maior parte dos companheiros recuperando-se de ferimentos, cabe a você enfrentar os gigantes, sozinho ou com um amigo (Player 2), contando apenas com sua determinação, habilidade e uma certa ajudinha de um vendedor de armas misterioso.

“No dia 17 de janeiro de 2024 os MegaMechs atacaram de repente. Ninguém sabe de onde vieram ou qual era o seu objetivo, uma vez que espalharam o caos pelo mundo. Uma a uma, as principais nações caíram sob o seu domínio. Mas um pequeno grupo de pessoas corajosas ainda luta pela independência da humanidade…”



Através dessa premissa simples, remetendo a clássicos onde história é só uma desculpa para a diversão presente no gameplay, Bertil Hörberg nos apresenta Mechstermination Force (MF), um game que ele explica como uma mistura da série Contra e Shadow of the Colossus (PS2/PS3/PS4). Até o momento, o boss rush de plataforma é exclusivo do Switch, e pode ser uma boa opção para quem busca algo próximo da proposta de Cuphead (XBO/PC/Switch). Mesmo que eles tenham muitas diferenças nas escolhas artísticas, na dificuldade e principalmente no tamanho dos inimigos, ambos possuem o mesmo foco nas lutas contra chefes.

Por conta disso, o anúncio da aventura dos irmãos “xícara e caneca” para o híbrido da Nintendo foi algo que “empolgou e assustou” o criador de MF. Para quem não sabe, Hörberg é um desenvolvedor sueco que criou também os excelentes jogos Gunman Clive 1 e 2, que podem ser conferidos juntos através da Gunman Clive HD Collection (Wii U/Switch). Pelos games citados, já são várias boas referências até aqui, mas eu também percebi um pouco de inspiração vinda da série Mega Man em um dos chefes, o que só tem a somar ao título.


Mechalpinistas!?

As batalhas se desenrolam ao longo de 14 missões. Há quatro opções de personagens para escolher: dois homens e duas mulheres. Existem quatro espaços de save e após decidido o personagem, o primeiro jogador não pode mais trocar entre eles, o que é bem incomum. Porém, como as diferenças são apenas estéticas, e não existe nenhum traço de personalidade neles, acaba não fazendo muita diferença — um deles, que usa uma faixa vermelha na cabeça, ataca com uma guitarra, e isso é incrível.

No início, você contará com uma metralhadora simples, a possibilidade de saltar ou se agachar para mirar com maior precisão. Com o “andar da carruagem”, receberá luvas magnéticas para escalar os chefes e botas especiais para realizar saltos duplos. Há também a possibilidade de comprar armas melhores e corações extras com dinheiro obtido durante os combates. Algumas delas valem muito a pena e ajudam bastante em fases específicas.



Governando com mãos de ferro

Cada mech possui características e movimentos próprios. Alguns são humanoides e outros inspirados em animais ou monstros — quem jogou Gunman Clive irá se lembrar de um velho conhecido. Para derrotá-los, é necessário atingir seus pontos fracos, representados por círculos vermelhos ou amarelos. Os amarelos podem ser atingidos por disparos, mas os vermelhos apenas com uma pancada da arma secundária. Isso faz com que seja necessário quebrá-los pouco a pouco, sobreaquecer certas partes, escalar até o topo ou alcançar de alguma maneira algum local de difícil acesso, variando as lutas e desafiando o jogador de maneiras inusitadas, mesmo que o objetivo básico seja sempre o mesmo. É muito divertido, principalmente jogando em dupla.

Um ponto importante quando se fala em boss battle de qualidade é o fato do personagem controlado por computador telegrafar corretamente seus movimentos — é o ato de realizar um movimento anterior ao ataque que permita o jogador antecipar o golpe e desviar, ou seja, é o que garante ao jogador sua chance de sobrevivência —, e em MF isso é muito bem feito. No entanto, outro fatores podem complicar a vida dos guerreiros da liberdade em algumas raras situações, como a falta de um recurso adicional para desviar dos ataques nas missões onde o pulo duplo não está disponível.


Há situações em que, se você estiver no lugar errado, na hora errada — às vezes por estar fugindo de um projétil anterior —, não há maneira para corrigir o posicionamento. Isso me fez sentir falta de uma habilidade de esquiva rápida que, provavelmente, permitiria ao jogador conseguir evitar ataques que são mais rápidos que o guerreiro. No entanto, tal crítica não faz o game menos interessante. Isso só me incomodou muito na última missão e é minimizado por ela não ser extremamente difícil. Ainda assim, deve ajudar a aumentar um pouco o contador de mortes até você se equipar bastante e/ou ficar experiente o suficiente para derrotar os mechs com facilidade — ou talvez nem perceba.

Foco na diversão

Ótimos diálogos, belos gráficos desenhados à mão, cenários diversificados, trilha sonora empolgante e controles precisos fecham com chave de ouro mais um ótimo trabalho da Hörberg Productions. Eu nunca baseio minhas análises no valor dos jogos, e sim no conteúdo e experiência entregue ao jogador. No entanto, quando eu joguei os games anteriores do desenvolvedor, fiquei espantado com o quão baratos eram depois de ver o que entregavam. Mesmo sendo jogos curtos, eles se diferenciam de tudo que há na loja do 3DS, e possuem qualidade impecável.


O meu sentimento com relação a Mechstermination Force é parecido. Se não fosse pela chegada de Cuphead, seria mais um título único na eShop do Switch. Porém, ele ainda possui estilo próprio e foi feito com carinho suficiente para merecer ser testado por todos que se interessarem pelo gênero de boss rush, por um valor bem justo. É ainda aquele tipo de jogo que, quanto mais você repete, melhor fica. Por isso, nos desafia a colecionar três estrelas em cada fase, de acordo com o tempo em que conseguimos completá-la e o dano recebido — não é uma tarefa das mais fáceis, mas pode repetir o quanto quiser.

Se você busca uma clássica e divertida experiência cooperativa — ou single player — no Switch, que não gaste muito tempo com história, cinematics ou tutoriais extensos, irá encontrar aqui o seu lugar. Vá direto ao ponto e salve o mundo das “latas velhas”, mostrando que a habilidade pode superar o tamanho.


Prós:

  • Controles precisos;
  • Gráficos bonitos;
  • Ótima trilha sonora;
  • Lutas empolgantes e com propostas variadas;
  • Cooperativo local;
  • Direto ao ponto, com a maior parte dos diálogos opcionais;
  • Desafio moderado, com uma boa curva de aprendizado;
  • Novas habilidades desbloqueadas ao longo das missões.

Contras:

  • Não é possível trocar de personagem em um mesmo save (player 1);
  • Protagonistas sem personalidade;
  • Leves problemas de level design.
Mechstermination Force — Switch — Nota: 8.5
Revisão: André Carvalho
Análise produzida com cópia digital cedida pela Hörberg Productions

é formado em Redes de Computadores, mas gosta mesmo é de pilotar uns Karts por aí, atirar plasma com seu mega buster, correr em loops a toda velocidade e derrotar crocodilos ladrões de bananas. Seus sonhos incluem, pilotar uma X-Wing, andar no recreio com o Peter Parker e conseguir um tempo para se dedicar ao seu Instagram.

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