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Análise: Bird Game + (Switch): um relaxante (e enfadonho) voo por um mundo monocromático

Controle um pássaro em uma aventura calma nesse simples indie que remete aos jogos de corrida infinita.


Um gênero de jogo muito popular em smartphones é o de “corrida infinita”: no controle de algum personagem, precisamos desviar de obstáculos enquanto nos movemos constantemente. Bird Game + usa esse conceito em uma aventura 3D de voo, sendo seus principais diferenciais a atmosfera serena e visual minimalista. Simplicidade permeia o título, o que se revela simultaneamente uma vantagem e um defeito.

Voando e escapando de perigos

O objetivo em Bird Game é bem simples. No controle de um pássaro, precisamos navegar por ambientes tridimensionais ao mesmo tempo em que evitamos obstáculos e inimigos. A ave voa automaticamente para o fundo do cenário, e os controles são bem intuitivos — uma alavanca analógica move a criatura, o botão Y permite se mover lateralmente mais rápido e L/R faz a ave girar rapidamente para os lados por meio do tradicional movimento barrel roll.


Todo tipo de coisa aparece pelo caminho do pássaro: árvores, cogumelos, aranhas, joaninhas, troncos imensos que tentam esmagá-lo e mais. Alguns momentos exigem ações específicas, como puxar alavancas para abrir portões ou navegar rapidamente por locais apertados enquanto escapamos de inimigos — esses trechos lembram pequenos puzzles. No final de cada estágio enfrentamos um chefe, que ataca com padrões de movimento mais complicados e exige destreza e experimentação para ser derrotados, pois a ave não é capaz de atacar diretamente os mestres.

Simultaneamente zen e estressante 

O que mais me chamou a atenção em Bird Game foi sua atmosfera tranquila, com seu visual monocromático simples e  charmoso, além de uma trilha sonora relaxante. No entanto, há uma incongruência: o jogo apresenta dificuldade moderada, algo que vai contra a essência “zen” que ele promete.

A jornada do pássaro é repleta de obstáculos e inimigos, o que resulta em muitos momentos complicados. No entanto, uma série de detalhes torna a experiência desagradável. O primeiro deles é a confusão visual: por utilizar somente duas cores, às vezes é difícil conseguir sentir a profundidade dos cenários, o que resulta na ave batendo nas coisas sem a gente perceber. Há também muitos momentos de tentativa e erro em que você precisa morrer algumas vezes e decorar os passos para conseguir avançar. Por fim, a variedade de situações e obstáculos é bem pequena, trazendo uma constante sensação de repetição — uma grande quantidade de perigos utilizados simultaneamente é um recurso utilizado repetidamente para deixar as coisas difíceis.


Para piorar, a jornada é curtíssima e conta somente com três fases que podem ser terminadas em alguns minutos. Há segredos escondidos nos estágios, uma segunda dificuldade e um modo infinito (que, inclusive, é exclusivo da versão de Switch), no entanto os problemas e a pequena variedade de situações torna difícil querer revisitar as fases.

Uma aventura nada memorável

Bird Game + até diverte com sua aura relaxante, no entanto a sensação desaparece bem rápido. O visual monocromático e minimalista é até interessante, mas não é suficiente para compensar os estágios desinteressantes, a dificuldade desbalanceada, a limitada quantidade de conteúdo e a repetição constante de situações. No fim, Bird Game + é uma experiência extremamente breve e dispensável.

Prós

  • Visual simpático e música suave criam uma atmosfera relaxante;
  • Mecânicas simples e fáceis de entender.

Contras

  • Picos de dificuldade desagradáveis;
  • Pequena variedade de situações;
  • Confusão visual por causa da ausência de cores;
  • Pouquíssimo conteúdo.
Bird Game + — Switch — Nota: 5.0
Análise produzida com cópia digital cedida pela Ratalaika Games


é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros.

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