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Análise: Warlocks 2: God Slayer — Um interessante RPG de plataforma dá as caras no Switch

E não se preocupe, você não precisa jogar o primeiro Warlocks para entender esse jogo.



Talvez você nunca tenha ouvido falar do jogo Warlocks vs Shadows (Multi) de 2017, um action RPG de plataforma com foco no modo co-op local ou online. O interessante desse jogo é que ele surgiu a partir de um Kickstarter de 2014 feito por um grupo de desenvolvedores poloneses. Depois de jogar Risk of Rain (Multi) por algumas horas e passar um tempo desempregado, o game designer Dushan Chaciej começou a desenvolver um jogo que misturava a "pegada" de Risk of Rain com fantasia medieval — o que acabou se tornando Risk of Death, disponível de graça no Game Jolt.

Então, a partir desse protótipo, o artista Wojtec Wilk veio a Dushan com uma proposta para levar essa ideia um pouco além e criar um game totalmente novo. Com a ajuda do programador Max Strzelecki, a equipe lançou o projeto do Kickstarter e arrecadou mais de 26 mil dólares. Três anos depois, o jogo enfim deu as caras para o PC e, eventualmente, também chegou no PS4, mas a empresa cancelou o esperado port para o Wii U. Pelo menos, agora fãs da Nintendo finalmente podem experimentar o jogo por meio da sua continuação, Warlocks 2: God Slayer, que mantém um estilo praticamente idêntico ao do jogo original — e promete aquele agradável gameplay action RPG co-op no Switch.

Bruxos 2: O Matador de Deus

De cara, Warlocks 2: God Slayer surpreende por ser um jogo bem bonito e agradável de se olhar. Um dos maiores pontos positivos do título é a linda pixel art e a fluidez das pequenas animações dos personagens e do mundo ao redor. Os detalhes do bar que serve de hub world, por exemplo, são de admirar. Uma banda de aliens, The Rolling Spells, toca em cima do palco (e você pode trocar de música em troca de algumas moedas), o Barman/vendedor de itens lustra seu charmoso balcão 2D e uma lareira quentinha no final da sala serve para transportar você pelas diferentes áreas. Em contraste ao estilo retrô, ainda assim tudo parece muito "vivo", lembrando um pouco Crossing Souls, RPG de ação bem bacana publicado pela Devolver.



Warlocks 2 funciona assim: primeiro você escolhe um dos personagens "descolados disponíveis", como Cormag, o bode bêbado, Willow, a bruxa que tira selfies ou, Jake, o garoto de chapéu de urso colorido que segura um boombox e solta uma fênix nos inimigos — por acaso, o meu preferido. Depois, cabe a você explorar diferentes áreas, completar missões, enfrentar inimigos (incluindo chefes), aumentar o nível dos personagens, gerenciar equipamentos e adquirir/aprimorar skills. Tudo isso com uma roupagem de plataforma side scrolling. De longe, Warlocks 2 parece Terraria (Switch), e de perto, algo mais próximo de um metroidvania como Dead Cells (Switch) ou até de algum MMORPG das antigas — principalmente graças ao sistema de quests.

O jogo não é exatamente um roguelike, mas o sistema de quests, e consequentemente o loot adquirido, é gerado randomicamente e acompanha o seu progresso, algo bem positivo em relação à "rejogabilidade" do título. Essas missões irão levar você a diferentes áreas, todas desenhadas à mão por sinal, para falar com alguns NPCs, adquirir itens e concluir as quests por meio de exploração e confrontos com inimigos. No início, apenas o ataque básico, ligado ao botão L, está disponível, só que durante o processo de "subir de nível" mais habilidades podem ser compradas com pontos — e continuam, infelizmente, sempre associadas aos triggers de cima (L, R, ZL, ZR), o que acaba sendo longe de ideal. Uma opção de customização de comandos e botões faria muita diferença em Warlocks 2, já que esse tipo de configuração exclui controles de Gamecube, por exemplo, que só possuem 3 botões na parte de cima.



Falando do combate em si, ele até que é interessante, no entanto, graças à falta de responsividade geral do jogo, ele também acaba cansando rápido. Eu senti falta de algo como um dash que possa ser usado toda hora (ou de um simples botão de esquiva) para acelerar um pouco o ritmo geral e o flow do combate. A experiência seria provavelmente bem mais agradável se as habilidades tivessem cooldowns mais baixos desde o começo ou se os pulos não fossem tão "travadões", só que no final a jogabilidade de Warlocks 2 só passa longe de ser suave. Você pode tanto segurar o botão de pulo e ficar pulando eternamente quanto deixar os ataques no modo metralhadora — e na maioria das vezes o combate se resume a uma sucessão quase aleatória desses movimentos. Pelo menos, a alavanca analógica da direita, que controla a mira das suas habilidades, serve para dinamizar um pouco as batalhas, deixando que você pelo menos mire enquanto pula e ataca sem parar.

Até quatro bruxos matando deus?

Sinceramente, a grande "sacada" de Warlocks 2 é o modo multiplayer. Eu até me diverti consideravelmente jogando sozinho, principalmente no modo portátil, só que a fórmula parece que nunca consegue prender o bastante. Acho que, no final das contas, simplesmente existem outras opções single player bem melhores do que Warlocks 2 – praticamente qualquer um dos roguelikes e metroidvanias mais populares dos últimos anos —, mas poucos jogos oferecem o que ele oferece para até quatro jogadores simultâneos. Todo mundo gosta de um bom e velho "multiplayer sofá", não é mesmo? Pode ter certeza que jogos com co-op local sempre terão um espaço especial no meu coração.


O grande problema é que Warlocks 2 acaba perdendo muito do seu charme durante a transição para o multiplayer. Ao contrário de um RPG denso e intimista ali nas suas mãos pronto para ser debulhado à qualquer hora (e pela quantidade de tempo que for), com mais jogadores o título se transforma em uma experiência longa, densa e confusa com os seus amigos. Um personagem pixel art soltando magias e andando com calma por planícies desenhadas em tons claros é irado e funciona. Agora, imagine isso com quatro "bonecos" ao mesmo tempo e, geralmente, um "em cima" do outro — o jogo é 2D e side scrolling, afinal, e essa dimensão extra faz falta no multiplayer.

Uma rápida alteração gráfica poderia resolver grande parte da confusão visual do modo multijogador, com o contorno. Um uso de contorno assim como em Super Smash Bros. For Nintendo 3DS, que você podia ligar ou desligar o contorno dos personagens, beneficiaria muito Warlocks 2. Os lindos fundos desenhados a mão rapidamente começam a gerar raiva por praticamente esconderem os personagens, e isso seria diferente com a simples adição de uma linha colorida para ressaltar cada herói e inimigo, separando efetivamente o cenário da ação. 



Se você conseguir ultrapassar essa barreira da confusão visual, e não se importar tanto com os controles meio "quadrados", o multiplayer de Warlocks 2 pode oferecer umas boas horas de entretenimento com a galera. Os gráficos são lindos, a ambientação é ótima e os personagens são até que bem marcantes. Quanto à trilha sonora original, ela até que é legal no começo, mas fica repetitiva com o tempo, assim como o combate. Além dessa falta de polidez em alguns aspectos, faltou um nível maior de customização, opções como alterar os controles ou os efeitos visuais iriam acrescentar muito à experiência do jogo.

Por fim, com certeza é uma pena que o principal apelo do título, o co-op local, seja tão frustrante. No entanto, se você não levar Warlocks 2 tão a sério, é possível que ele seja uma agradável surpresa — pelo menos como algo para se aproveitar e dar umas risadas com os amigos.

Prós

  • Lindos gráficos em pixel art;
  • O jogo inteiro pode ser jogado em modo co-op local ou online.

Contras

  • Gameplay um pouco truncado e que tende a ser repetitivo;
  • Multiplayer pode ficar bem confuso visualmente;
  • Falta de opções de customização, como alterar os controles.
Warlocks 2: God Slayer - Switch/PS4/PC - Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Vinícius Fernandes
Análise produzida com cópia digital cedida pela Qubic Games

Escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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