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Análise: Devil May Cry marca a estreia de um clássico no Switch

Antes tarde do que nunca, o irmão mais velho de Bayonetta chega ao Switch em sua primeira aventura, um hack ‘n’ slash clássico que demorou para dar as caras na Nintendo.



Em 2019 a série Devil May Cry completa dezoito anos de seu lançamento original. A saga de Dante foi uma aventura que nunca deu as caras nos consoles da Nintendo até o momento. Porém, agora com o console dos ports, o Switch, os jogadores têm a oportunidade de conhecer essa série pela primeira vez, ou matar as saudades.

A sanguinolenta comédia de Dante

Para aqueles que não estão familiarizados, a história da série é focada em Dante, homem que persegue e mata demônios a fim de vingar a morte de sua mãe e irmão. O nosso “herói” é surpreendido em seu escritório, cujo nome é o mesmo da série, por Trish, uma mulher que o ataca para averiguar se ele é realmente capaz de lutar com seres poderosos.

Dante é filho de Sparda, um cavaleiro de armadura negra que foi responsável por destruir Mundus, o demônio supremo que é responsabilizado pela morte dos entes queridos do protagonista. Aparentemente, o demônio rei da cocada preta está preparando o seu retorno e Dante não pode deixar que isso aconteça.


Trish guia Dante para um castelo nada auspicioso e nem hospitaleiro, onde o matador de demônios encontrará seres nada amigáveis para trocar uns sopapos. Logo em seguida, a moçoila some do local, deixando Dante sozinho. É a partir daí que a ação do game começa.

O jogador deve se guiar através das missões que dividem a evolução do game. Cada uma conta como um capítulo para a jogatina e dá um objetivo principal para que a aventura avance. Não é preciso muito para que Dante já comece a descer o braço em demônios. Inicialmente teremos seres como marionetes macabras e inimigos que vão, paulatinamente, se tornando mais desafiadores de derrotar. Não se esqueça de salvar o seu progresso ao fim de cada missão.

Como se trata de um hack ‘n’ slash, Devil May Cry não faz faltar inimigos para que o jogador esmague os botões do console híbrido. Dante usa três armas em combate, dois revólveres e uma espada. O arsenal de Dante vai se atualizando ao passo que a aventura avança, e a atualização de armas traz novos caminhos ao jogador na hora da batalha, podendo ser trocadas para melhor satisfazer o estilo de quem controla o nosso herói.

E não pense que ser descendente de um grande cavaleiro destruidor de demônios torna a jornada de Dante mais fácil. O game tem sim um nível inicial bem desafiador. Diversos inimigos podem tomar tempo do jogador, mesmo não sendo chefes per se. Claro que muitos deles deixam de ser dores de cabeça após upgrades no protagonista, mas, se o jogador olhar demais para os lados, pode acabar perdendo a vida.


Os inimigos mortos dão à Dante os Red Orbs, a moeda de troca do jogo, e serve para comprar melhorias na barra de vida e na barra Devil Trigger, que deixa o jogador mais poderoso por um período limitado de tempo. Além de poder comprar itens com funções diversas como ressuscitação após a morte, destruir todos os inimigos que circundam o jogador na fase e por aí vai.

Recolher Red Orbs em quantidade não é algo fácil se você for meio ruim de batalha assim como eu, pois sempre estará louco atrás de upgrades ou itens. Uma dica: com exceção dos chefes, todos os inimigos reaparecem a cada vez que o jogador deixa uma fase. Se você tiver saco, volte em algumas fases para garantir seu estoque de moedas.

Ao final de cada missão o jogador recebe uma avaliação de seu desempenho, levando em conta o tempo levado para finalizar a dita missão, do dano causado e dos combos feitos em batalhas, mais a quantidade de Red Orbs coletados. A avaliação vai desde D até S. Saiba que não é nenhum passeio no bosque conseguir pontuações altas nesse jogo. Os chefões não dão trégua um minuto sequer.

Com a evolução da aventura, o jogador vai entendendo como Dante é um demônio poderoso. Com o desenrolar da história, conseguimos entender mais do passado do protagonista e a participação de Trish na trama


Não vamos nos alongar, pois nem todo mundo é chegado em spoiler, mas saiba que o storytelling nesse game não é nem um pouco falho, mas ainda é dentro dos limites disponíveis para a época. As cutscenes são feitas na engine do game, então não espere nenhuma animação de cinema, mas elas cumprem bem o seu papel.

O jogo é um fruto direto da série Resident Evil, tanto que ele surgiu das primeiras investidas do desenvolvimento de Resident Evil 4 (GC), mas cresceu para algo próprio. Os jogadores poderão encontrar diversas similaridades entre as séries, porém a primeira que salta aos olhos é a câmera, que muda de ângulo junto com o caminhar do jogador. A mecânica da câmera pode atrapalhar alguns jogadores em certas batalhas ou em uma fase e outra.

Quanto à câmera, não é nada incomum se perder no castelo, especialmente no começo da jogatina, pois a disposição da câmera te dá a impressão de que a porta de entrada é o caminho para o próximo cômodo. É um “charme” que não se vê mais nos jogos de hoje em dia.

O choro dos demônios no Switch

Mas até aqui não é novidade. A obra que chegou ao Switch é um jogo remasterizado sem qualquer alteração de sua versão que chegou ao PlayStation 2 em 2001. Isso é algo ruim? Muito pelo contrário, o console híbrido está com um verdadeiro clássico em alta definição e muito bem portabilizado para seu sistema.

O game roda de forma suave no console, e não cheguei a presenciar praticamente nenhum problema enquanto o jogava. Os controles são bem responsivos e qualquer problema de jogabilidade que alguém possa ter é mais com as mecânicas usadas nos games de antigamente (nem tão antigamente assim) do que a portabilidade no console.


O jogo cai bem se jogado no modo dock com o Pro Controller, mas levá-lo no modo portátil não é nenhum problema. E quem imaginaria que poderíamos jogar Devil May Cry em HD no meio da rua? Coisas que só a Nintendo e o Switch nos proporcionam.

Claro que muitas coisas do jogo acabam um pouco datados para hoje. Os gráficos foram apenas remasterizados, uma pena não terem recebido nenhum tipo de atualização. E essa falta, como já foi dito, também se aplica ao resto do jogo. Não há nenhum tipo de novidade. O que pode não chamar a atenção de alguns, mas que reforça a ideia de que estamos de frente a um game praticamente irretocável.

Pode complicar para aqueles acostumados a jogos de ação mais modernos, que dão maior liberdade no controle da câmera e possuem uma movimentação mais dinâmica, mas não devemos deixar de tirarmos o chapéu para a experiência de jogar um clássico desses nos tempos atuais.

Um fator que me traz a atenção e de muitos os nintendistas é a proximidade do mundo de Dante com o mundo de uma bruxa muito amada por todos, a Bayonetta. Isso, pois a bruxinha é cria de Hideki Kamiya, que também criou e idealizou o game aqui analisado. É inevitável não comparar e encontrar semelhanças entre as duas franquias, o que torna a chegada da série ao Switch ainda mais interessante.


Tanto Dante como Bayonetta são protagonistas que carregam seus jogos na palma da mão, seja pela personalidade que mistura uma confiança que se apoia no fato de ambos serem absurdamente poderosos aliado ao bom coração que se disfarça com umas pitadas de um humor ácido e pouco apropriado.

Apesar de tudo, é um pouco decepcionante que o game chegou solitário, enquanto nos outros consoles ele foi lançado em um pacote com a trilogia originalmente lançada para o PS2. Será que esse é apenas um teste para que o resto da série desbrave os consoles da Nintendo? Ou apenas um tira-gosto para Bayonetta 3 (Switch)?

Mesmo assim, é um port digno para aqueles que curtem games de ação e um jogo no estilo hack ‘n’ slash em sua totalidade. Um investimento e tanto para aqueles que nunca experimentaram a franquia, quanto aos fãs de carteirinha que agora podem levar Dante para qualquer lugar.

Prós

  • Game hack ‘n’ slash de qualidade;
  • Port bem realizado para o console.

Contras

  • Game não recebeu nenhuma atualização de sua versão original.
Devil May Cry - Nintendo Switch - Nota: 8.0
Revisão: Vladimir Machado

Estudande de Letras que gostaria de aprender todas as línguas existentes, mal sabendo lidar com as duas que já fala. Descobriu seu amor pela Nintendo ao conhecer Super Mario 64 e desde então nunca mais largou os cogumelos, karts e rúpias que encontrou em seu caminho.

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