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Análise: LOST ORBIT: Terminal Velocity (Switch) — desviando no espaço em alta velocidade

Esse título indie com mecânicas arcade exige destreza para sobreviver em uma aventura complicada.


Um astronauta à deriva no espaço é o protagonista de LOST ORBIT: Terminal Velocity. Com equipamentos limitados, o personagem precisa deslizar e esquivar de perigos a fim de voltar para casa. Com conceitos simples e alguma variedade, o título indie oferece uma boa experiência arcade.

Perdido no espaço

A aventura problemática começa quando a nave de Harrison, um astronauta que trabalha em manutenção, é danificada enquanto ele está em serviço em uma galáxia distante. Sem recursos de locomoção, a morte é quase certa, mas o homem não vai desistir: ele decide usar os propulsores do traje espacial para tentar encontrar uma maneira de voltar para casa. Pelo caminho, encontra um drone que vai ajudá-lo na jornada.

O jogo é dividido em fases e o objetivo é chegar ileso até o final do percurso. Para isso, Harrison precisa desviar de obstáculos e perigos — o próprio cenário é o desafio. Os propulsores do traje podem ser utilizados para aumentar a velocidade do personagem, o que permite evitar asteroides, carcaças de naves e outros detritos.


Pelos estágios estão espalhados cristais, normalmente em caminhos mais complicados. Esses itens podem ser utilizados para liberar novas habilidades para a roupa, como um propulsor mais poderoso, sistema de freios, bombas para destruir obstáculos e até mesmo um barrel roll para movimentação lateral. Os cristais também são obtidos ao conseguir boas classificações nas fases, o que é um incentivo para se mover com rapidez e precisão.

Velocidade, precisão e falatório

LOST ORBIT é muito fácil de entender e bastam poucos minutos para se estar desviando de perigos. No entanto, as fases são complicadas e repletas de momentos que exigem precisão e velocidade. Prepare-se para morrer bastante, principalmente em trechos com muitos obstáculos. Há dois estilos de encarar os desafios do jogo: se mover de forma lenta e metódica a fim de não acertar nada, ou então acelerar e usar a destreza para terminar o estágio rapidamente. A intenção é ser rápido e preciso nos estágios para conseguir as melhores classificações, e é assim que eu acredito que o título deve ser aproveitado — é muito divertido e recompensador conseguir voar rapidamente por uma série de sequências complicadas de perigos.

Pelo caminho, LOST ORBIT apresenta novos obstáculos que nos forçam a rever estratégias. Em uma área aparecem vortex de energia que lançam o herói rapidamente em uma direção específica (o que exige cuidado, pois normalmente há obstáculos logo em seguida). Já em outro sistema há bolhas de água capazes de prender o astronauta. Um terceiro obstáculo é uma rampa essencial para pular por asteroides. Mesmo com tantos recursos, fiquei com a sensação de estar jogando estágios muito parecidos, pois não há muita criatividade nos circuitos — acredito que a experiência seria melhor se cada conjunto de fases apresentasse mecânicas mais distintas.


O jogo conta com quantidade razoável de conteúdo. Fora a campanha principal, há uma história adicional na forma de epílogo. Nele, o astronauta tem também à disposição uma broca capaz de destruir boa parte dos detritos, resultando em uma jornada com andamento bem diferente da trama principal. Já o modo Challenge apresenta estágios bem mais complicados que os normais, uma opção perfeita para aqueles que buscam desafio acentuado. Todas as fases e modos contam com sistema de classificação de acordo com a performance, sendo possível comparar o desempenho em placares online.

O universo de LOST ORBIT é representado por gráficos claros e coloridos, resultando em uma atmosfera agradável. Falta um pouco de variedade visual, mas a identidade é competente. Infelizmente o mesmo não é possível afirmar da música: composições eletrônicas genéricas permeiam os estágios, e a pequena variedade de faixas torna o áudio repetitivo e desinteressante.


A desenvolvedora tomou o cuidado de criar uma história mais elaborada do que o comum do gênero arcade. Na campanha principal, o drone narra as aventuras do astronauta com diálogos ácidos e recheados de humor. Já no “Epílogo”, mais personagens dublados aparecem. Em um primeiro momento é divertido ver as tiradas do drone e outras conversas, no entanto as declarações clichês, a trama rasa e a dublagem mediana tornam o recurso irritante muito rápido. Para piorar, muitas das falas aparecem em momentos complicados durante os estágios, o que atrapalha a concentração do jogador. Particularmente eu preferia que o jogo não tivesse texto algum durante as partidas.

Uma breve e intensa aventura

LOST ORBIT: Terminal Velocity diverte com seu conceito simples baseado em escapar de obstáculos. Deslizar pelo espaço é bem prazeroso, principalmente por causa dos controles precisos e da grande quantidade de perigos espalhada pelas fases. Há alguma variedade de obstáculos, no entanto a sensação de estar jogando sempre a mesma coisa nunca desaparece — ao menos o título tem muitos estágios espalhados por alguns modos e incentivos para ser rápido e preciso. O visual é competente, contudo a história e diálogos cansam rápido e atrapalham a experiência. No fim, LOST ORBIT: Terminal Velocity é um jogo arcade que diverte por algumas horas.

Prós

  • Mecânicas simples com foco em velocidade e destreza;
  • Boa quantidade de conteúdo;
  • Visual agradável.

Contras

  • Fases mecanicamente similares entre si;
  • Música desinteressante;
  • Narração e cenas de história mais atrapalham do que ajudam.
LOST ORBIT: Terminal Velocity — Switch/PC/PS4/XBO — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: André Carvalho
Análise produzida com cópia digital cedida pela PixelNAUTS Games

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.

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